O Integralismo é extremismo? Não, Srs. Vereadores, Integralismo não é extremismo. Dirão VV. Exªª que muito se tem falado em extremismos e também nas referências a um certo extremismo da direita. Assim é, realmente. Muito se tem propalado essa e outras heresias, pois no fundo o que existe é a preocupação tenaz de confundir e mistificar. O Integralismo, sendo movimento de base espiritualista, proclama a liberdade e de maneira nenhuma poderia ser taxado de “extremismo”. Perguntaríamos, por nossa vez, se deveriam ser chamados de extremistas os militares que a 29 de outubro de 1945, sem eleição, derrubaram o governo, impondo uma nova ordem política no país? Extremista seria porventura o Sr. Getúlio Vargas, chefe da revolução de outubro de 1930, que, também sem eleição, apeou do governo o honrado presidente Washington Luís? Nem aos militares de 29 de outubro nem ao Sr. Getúlio Vargas, em 1930, caberia o epíteto de extremistas, como também não cabe de forma alguma aos componentes da Ação Integralista Brasileira. É preciso que jornalistas, políticos e homem de responsabilidade em geral, tenham a coragem moral de afirmar que só existe um “extremismo” e esse é o que se baseia no materialismo negador das virtudes do espírito e do coração, na prática da violência de Sorel e no princípio de luta de classes, que deve ser levada às suas máximas consequências. Esse o único extremismo. E nem se compreenderia que o Integralismo fosse enquadrado nesse plano, dadas as opiniões que sobre o mesmo expenderam personalidades do maior destaque político-social ou religioso. Quero, Srs. Vereadores, trazer ao conhecimento de VV. Exªª algumas dessas opiniões. Começarei pelas palavras do Sr. Getúlio Vargas, sob cujo governo de força exerceu a mais terrível e truculenta perseguição ao Integralismo e aos integralistas, palavras essas pronunciadas em 1937, ao receber a delegação que lhe ia comunicar a candidatura do Sr. Plínio Salgado à Presidência da República. Eis as suas palavras: “O Integralismo até hoje não praticou nenhum ato nem pregou nenhuma doutrina que autorizasse contra ele, por parte do governo, medidas assecuratórias da ordem pública. Nenhuma prova teve o meu governo de ter o Integralismo pregado método violentos, insuflado greves, preparado sedições, incitado o ódio entre classes, tentado contra os poderes constituídos. Sempre tive a melhor impressão do vosso movimento e do seu ilustre Chefe, a quem ainda não me foi dada ocasião de conhecer pessoalmente. Sempre o julguei um movimento apenas constituído por uma vibrante mocidade, mas vejo agora que aqui estais, pertencerem também a seus quadros destacadas personalidades, como as que neste momento me rodeiam, entre as quais a veneranda figura do meu antigo ministro, Dr. Belisário Penna e meus amigos Dr. Amaro Lanari e General Vieira da Rosa”.

Sobre o Integralismo, Srs. Vereadores, manifestaram-se os mais ilustres bispos e arcebispos e a leitura de muitas dessas opiniões pode ser feita na p. 71 do livro O Integralismo brasileiro perante a Nação, onde se acham as mesma transcritas, como se segue:

“No momento gravíssimo que atravessamos, o Integralismo é uma força viva em defesa dos fundamentos morais da Pátria Brasileira”. — Francisco, Bispo de Campinas.

“Plínio Salgado, espírito inteligente, culto, orientado por sólidos princípios católicos e em cujas atividades transparece a profunda e segura visão de sábio, sociólogo e sincero patriota, desejoso de bem servir a causa de Deus, da Pátria e da Família, trilogia base insubstituível de todo o sistema que não se nutre de utopias, nem transige com as ambições de interesse pessoal”. — Luís, Bispo de Uberaba.

“Plínio Salgado, patriota sem jaça, que, almejando máxima felicidade nacional em todos os seus departamentos administrativos, levante do extremo norte ao sul o lábaro augusto da sagrada trilogia — Deus, Pátria e Família — única que, bem e sinceramente praticada, salvará a Terra de Santa Cruz, espiritual e temporalmente”. — Otaviano, Arcebispo de Campos.

“Basta saber ler para verificar a superioridade de orientação do Integralismo em face dos graves problemas da vida, comparado com os partidos da Liberal Democracia. Quem, chefiando um movimento nos moldes do Integralismo, fala e escreve com o desassombro, a energia e a franqueza com que fala e escreve o Sr. Plínio Salgado, tem o direito a ser crido com respeito”. — José, Bispo de Bragança.

“Assim como o governo da República permite a livre pregação do Integralismo, a Igreja também recebe em seu seio, como filhos bem vindos, os camisas-verdes que se recolhem em seu recesso para implorar as bênçãos do Senhor para a obra grandiosa que estão realizando”. — José, Bispo de Niterói.

“Deus, Pátria e Família, nobre divisa do Integralismo, como de todo o homem que raciocina cristãmente. Família formada nos grandes ideais cristãos, fundada sobre o santo temor de Deus e compenetrada do seu santo dever para com Deus, eis o novo porvir de uma pátria grandiosa, sempre unida, próspera e feliz”. — Inocêncio, Bispo de Campanha.

“O ideal integralista, segundo penso, está no molde a captar todas as simpatias das almas vibrantes de fé patriótica; já é possuidor de alta cultura cívica e religiosa nos seus grandes homens, que são credores de ótimos serviços prestados à Pátria e à Igreja. Merecem, portanto, as bênçãos do Senhor e do Brasil católico. Invocamos para eles essas preciosas graças”. — Antônio, Arcebispo de Jaboticabal.

“Aconselhamos aos bons católicos e ao clero que prestigiem ao Integralismo, único meio de ação, atualmente, capaz de impedir a derrocada tremenda que ameaça a Religião e a Pátria. Cada dia nos convencemos mais de que a atuação do governo central da República em relação ao que na Capital Federal se expande sem a menor coação, é uma manifestação patente e indiscutível da Providência Divina, inspiradora desse meio poderoso e eficaz da salvação do país. Se, pois, no Integralismo temos uma escola de patriotismo são e uma ideologia muito aproximada da doutrina católica, prestigiá-lo será fazer da nossa parte, para que Deus nos ajude, sobretudo na hora incerta e perigosa que vivemos”. — Manuel, Bispo do Aterrado.

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“Sendo o Integralismo um partido político perfeitamente legal e sendo o programa de acordo com a doutrina católica e por isso mesmo diametralmente oposto às ideologias nefastas do comunismo, ele merece todos os meus aplausos, sobretudo no momento atual”. — Fernando, Bispo de Jacarezinho.

“São conhecidas as nossas simpatias para com a doutrina integralista, em que nada vemos que possa impedir a um católico de abraçá-la. E, a este propósito, folgamos de ver semelhante conceito confirmado em recente livro, aprovado por autoridade eclesiástica, que é o Ciência e Religião, fato significativo sob vários aspectos e máxime por se tratar de manual apologético destinado a seminários e escolas”. — Francisco, Arcebispo de Cuiabá.

“Quanto nos permitiu um exame atento sobre o assunto, é nossa convicção nada haver no Integralismo que colida pelo mínimo com a doutrina da Igreja Católico”. — Joaquim, Arcebispo de Florianópolis.

Não precisaria, talvez, Srs. Vereadores, ir mais longe; entretanto, não quero que se constate apenas a opinião exagerada por ilustres prelados. Desejo aduzir algumas outras, concluindo com a do Sr. Costa Rego, que de maneira excepcionalmente brilhante focaliza e encerra o assunto. Declarou o saudoso Conde de Afonso Celso: “O Integralismo realiza uma grande obra cívica. Há nas suas aspirações um um desejo forte, enérgico e sadio de unir o Brasil e fazer feliz o seu povo, torná-lo senhor dos seus destinos, forte e respeitado em face do mundo, restaurar na Nação a hegemonia perdida perante as nações americanas. Repito o que já tive ocasião de declarar: as minhas condições de idade e saúde, bem como retraimento de qualquer agitação política, inibem-me de me alistar na fileiras da campanha integralista. Sou como o soldado que, por invalidez e ferimento na refrega, ficou à margem, impedido de acompanhar a marcha de seus irmãos de armas, mas solidário com eles, segue-os com vivas, brados de animação, preces e bênçãos. Exulta entusiasmado, feliz, quando vê a bandeira ascender aos cimos do ideal”. — (Rio de Janeiro, 1936).

O Sr. General Pantaleão Pessoa assim se exprimiu em janeiro de 1935: — “O Integralismo, fazendo pública e leal propaganda da sua doutrina, exerce um direito e cumpre um dever moral patriótico; longe portanto de incorrer em condenação, merece louvor e incitamento”.

Do Deputado Cirilo Júnior, líder da maioria na Câmara Federal, são as seguintes palavras em fevereiro de 1935: — “A meu ver, digo-o sinceramente, apesar de não ser seu sectário, a doutrina integralista não aprova e nem pratica qualquer postulado que não vise fortalecer a Nação, moral e economicamente”.

Finalmente, Srs. Vereadores, ouçamos as palavras eminente jornalista Sr. Costa Rego, em dezembro de 1935, em seu artigo “Escola e Violência”, no Correio da Manhã: — “É um erro fundamental confundir na mesma designação genérica de ‘extremista’ — a ação do Integralismo e do comunismo. Começa que a ação de Integralismo é nacional, a do comunismo internacional. O comunismo é um estado de conspiração. O Integralismo, ao contrário, declara-se inimigo de todas as conspirações e de todas as sedições. Sua campanha é cultural, moral, educacional e social. O Integralismo quer a Pátria forte para que dentro dela viva o indivíduo garantido. O comunismo subordina o indivíduo ao senso coletivo do Estado — do Estado e não da Pátria. O Integralismo ampara a liberdade com a disciplina. O comunismo mantém a disciplina pela extinção da liberdade”.

Depois de opiniões como essas, desnecessário quase seria insistir no assunto já perfeitamente esclarecido. A mediocridade que revelam esses que falam em extremismo da direita e extremismo da esquerda, é mais para lamentar que para censurar. Quero, porém, concluir esta parte do meu discurso, trazendo ao conhecimento da Câmara de Vereadores e ao conhecimento do povo carioca as palavras com que Plínio Salgado terminou um dos seus últimos artigos no jornal Idade Nova. Ei-las:

“Só existe um extremismo — o materialista. Porque o materialismo é determinista e baseia-se no impositivo das forças materiais. O determinismo justifica o predomínio do forte sobre o fraco, predomínio da massa sobre o indivíduo, a utilização da violência como criadora de direitos. É doutrina da força bruta, livre da interferência do espírito. O conúbio do determinismo histórico e da dialética materialista produziu o extremismo marxista.

Não há dois extremismos, há apenas o extremismo. Porque o chamado extremismo da direita é o mesmo da esquerda. Tanto assim que o nazismo denominava-se nacional-socialismo. A palavra socialismo foi consagrada definitivamente por Marx. Era já uma doutrina materialista e Marx pretendeu dar-lhe fundamento científico. Aplicou, então, os princípios do evolucionismo materialista ao desenvolvimento do capital. O seu socialismo tem caráter internacional e o de Hitler tem caráter nacional e racial. Ambos, porém, procedem da mesma fonte: o materialismo. Por isso, não há extremismo da direita e nem da esquerda. O que há é o extremismo. E todo o homem, e todo partido que for espiritualista e proclamar a fé em Deus e na imortalidade da alma humana, a liberdade do homem como consequência do seu livre arbítrio e dos seus deveres para com Deus, esse homem não pode ser qualificado de extremista. E quem disser ‘extremismo’ no plural, não sabe o que está dizendo”.

Devo concluir, esperando que os meus nobres colegas desculparão o haver sido talvez um tanto extenso. Desejava encerrar o assunto, vasto e complexo por sua própria natureza. Numerosos problemas atraem nossa atenção e estudo. Ao terminar porém, responderei a uma das interpelações que foram erguidas neste recinto, resposta com que encerrarei este discurso, no qual procurei demonstrar que, no ano da graça de 1947, a defesa do Integralismo, a defesa do ideário pelo qual lutavam os seus componentes, não só é coisa fácil e possível, como está ao alcance de qualquer dos antigos membros desse grande movimento político-social, bastando para tanto recorrer aos fatos, aos livros e aos documentos.