6) É ou não verdade que VV. Excelências colaboraram com os alemães no afundamento dos navios brasileiros?

No dia 26 de março, findo, como consta do Diário Oficial do dia 27 do mesmo mês, o Sr. Carlos Lacerda, referindo-se aos Integralistas, deu-me o seguinte aparte:

É ou não verdade que V. Exªs colaboraram com os alemães no afundamento dos navios brasileiros?”. 

Diante de uma insinuação de tal gravidade, qualquer brasileiro medianamente sensato e honesto não poderá calar-se. Atribuir-se a brasileiros dos mais dignos e patriotas, pelo fato de serem integralistas, a colaboração em atos tão repulsivos, representaria verdadeira ausência de qualquer sensibilidade moral.

Esta pergunta, pois, traz no seu bojo a pérfida propaganda feita na imprensa e no rádio pelo famigerado Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), de gloriosa memória. Respondo, pois, frente a frente aos meus nobres colegas desta Câmara, que qualquer brasileiro que se educasse ou se reeducasse nos sagrados princípios de Deus, da Pátria e da Família, jamais poderia assumir qualquer atitude de menos dignidade ou fidelidade ao Brasil. Não quero ser longo nesta resposta. Não necessito prolongar estes esclarecimentos. Dou a palavra aos integralistas mortos gloriosamente nas águas do Atlântico. Antes, porém, relembro o comandante Gerson Macedo Soares, integralista do Estado Maior da nossa esquadra em operações no Atlântico, a quem Roosevelt fez questão de apertar a mão para testemunhar-lhe sua admiração especial, pela bravura dos marujos brasileiros. Entre outros, quero citar alguns nomes de velhos companheiros do glorioso Movimento Integralista, mortos no cumprimento do dever. Desfilam pela minha lembrança, recebendo o calor da minha admiração e do meu permanente entusiasmo:

— João Soares da Silva, comandante do Baependi, conhecido nas rodas da Marinha Mercante, como já o disse desta tribuna, na memorável sessão do dia 8 de maio, como “João Sabe Tudo”;

— Manuel Duarte Cordeiro Filho, imediato do Aníbal Benévolo;

— Pedro Veloso, comandante do Cabedelo, desaparecido em lugar ignorado, provavelmente nas águas do Mediterrâneo;

— Dr. Carlos Ramos de Azambuja, que gozava da estima particular do Sr. Plínio Salgado, médico do Araraquara e, deste mesmo vapor, o 1º cozinheiro Francisco Xavier, o Chico como era conhecido, e o paioleiro Irineu Pereira da Silva;

— Durval Batista dos Santos, 2º comissário do Arará. Entre outros, civis e militares, tripulantes e marujos que se encontravam nos navios torpedeados.

Parte desses nomes consta da entrevista do Deputado Goffredo Silva Telles ao Radical, edição de 25 de dezembro de 1946.

Diante desses integralistas, sepultados para sempre no Atlântico, não há necessidade de palavras. Convém, entretanto, não esquecer o telegrama dirigido ao então Ministro da Guerra, a 22 de agosto de 1942:

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“A gravidade deste momento nacional, tão eloquentemente expressa no manifesto de V. Exª ao Exército, impôs-nos esta atitude de plena solidariedade às classes armadas da Nação, exortando-lhe, na pessoa de V. Exª, a que não nos recusem o direito de ser os primeiros a nos sacrificarmos, sem distinção de classe ou idade, pela soberania nacional. Respeitosas Saudações. — Raymundo D. Padilha. — Gustavo Barroso. — Miguel Reale. — Machado Florence. — Marcos Souza Dantas. — Marcel da Silva Teles. — Milton F. de Carvalho. — Alcebíades Delamare. — Amaro Lanari. — Henrique Brito Pereira. — Rodolfo Josetti. — Sílvio Rego. — Jorge Brisola. — Paulo Lomba Ferraz. — Queiroz Ribeiro. — Filemon Cordeiro. — Severino Rezende. — Aristóbulo Soriano de Melo. — Ordival Gomes. — Custódio de Viveiros. — Nudes da Silva — Alfredo Luiz Greve. — Henry Leonardos. — Maurílio Melo. — Vicente Meggiolaro.”

Convém não esquecer, sobretudo, que telegrama idêntico foi dirigido no dia imediato, 23 de agosto de 1942, ao chefe do governo, Getúlio Vargas, a quem também Plínio Salgado, do exílio, remetera, em 1943, um Manifesto definindo mais uma vez a atitude dos seus correligionários. Nem esse Manifesto, nem aquele telegrama foram dados à publicidade pelo Governo, mas, ao contrário, toda a publicidade girava em torno da desmoralização dos elementos que compunham o Movimento Integralista.

Não devemos também esquecer a contribuição que os integralistas deram à Força Expedicionária Brasileira. Integralista era o bondoso capelão Frei Orlando, sepultado em Pistóia. Antes de partir, Frei Orlando procurou Raimundo Padilha, a quem, ao despedir-se, testemunhou sua quase certeza interior de que não voltaria. Também não voltou o inesquecível e bravo Basílio Zechin Júnior, integralista, nem Moacir Rodrigues, meu particular amigo, desaparecido, no afundamento do Baependi. Integralistas eram também esses que voltaram trazendo medalhas e condecorações, muitos dos quais condecorados cinco vezes, como o Tenente Manuel Machado Santos, Mário Montanha, ferido em campanha, Francisco da Silva Prado e anda José Teixeira Coelho. Destacaram-se ainda na luta integralistas como João Ciríaco, Henry Maia Franco Jesse, Renato Dias Batista, Luís Franca, Júlio de Morais, Anaxágoras de Sousa Dantas, Mauri de Castro, Moacir Miranda, Eugênio Paiva, Osvaldo Monteiro, Nestor Lucio, Floriano da Silveira e muitos outros. Que esses fatos, Srs. Vereadores, sirvam para pôr um ponto final nessas torpes infâmias que atribuem a brasileiros integralistas atitudes indignas contra o Brasil, contra os seus irmãos brasileiros e contra os seus próprios companheiros de ideal.