“Enquanto V. Exªs estavam apodrecendo na prisão, o Sr. Plínio Salgado estava em Lisboa, num cômodo exílio declamando sonetos” (Palavras do Vereador Carlos Lacerda, constantes do Diário Oficial de 27 de março de 1947). Fossem essas palavras verdadeiras e o Sr. Plínio Salgado só nos poderia merecer desprezo. Felizmente, porém, essas palavras não correspondem à verdade. Depois de lançar ao povo brasileiro o Manifesto de 1º de maio de 1939, aconselhando respeito à autoridade, diante da perspectiva próxima de um novo conflito mundial, Plínio Salgado foi preso a 30 de maio e no dia imediato seguiu de São Paulo para o Rio, sendo recolhido à Fortaleza de Santa Cruz, e daí, para o exílio. Sua prisão foi um erro — afirmou uma autoridade da época, mandá-lo para o exílio é um erro mais grave pois nada justifica tal medida. Acometido de grave enfermidade logo ao chegar a Lisboa, teve que ir convalescer na Serra da Estrela, em Castelo de Vide. Os primeiros 5 anos de exílio foram de absoluto retraimento. Em 1944 acendeu a pedidos insistentes de amigos, realizando uma conferência no Mosteiro dos Olivais, mais tarde outra no Teatro D. Maria II e mais tarde ainda, outra na cidade do Porto. O exilado passou então a ser considerado o embaixador da cultura brasileira. Nada mais preciso dizer.

Devo, Sr. Presidente, trazer ao conhecimento da Casa alguns esclarecimentos sobre um dos pontos já abordados por mim e que merece ser novamente focalizado para que fique definitivamente esclarecido.