Na segunda-feira, o Brasil recebeu uma notícia curiosa. Um partido médio, ao qual alguns nomes nacionalistas aderiram nas últimas semanas, empossou no seu Diretório Nacional um conhecido político travesti, proprietário de uma ONG e famoso por sua defesa de pautas desmoralizantes em Minas Gerais. O mais surpreendente foi o que veio em seguida: o partido logo o nomeou a vice-presidente.

Esse caso, na politicagem da pseudo-democracia de partidos políticos, quase não chamaria a atenção. Mas chamou. Por dois motivos: o marketing do partido vende-o como um símbolo de nacionalismo, de trabalhismo, de plano nacional de desenvolvimento, o que tem atraído nacionalistas; e o novo filiado, em seu Twitter, após ser parabenizado por subir à Direção Nacional, escreveu: “Conte comigo nessa difícil tarefa de trazer novamente para a política o debate sobre grandes temas nacionais e sobre o projeto de um país soberano”.

Quer dizer que o novo dirigente, após tanto defender a corrupção moral do Brasil, está querendo que ele seja forte e soberano?

É um engano sociológico. As nações não são apenas comunidades políticas e econômicas, isoladamente, estanques dos seus aspectos morais e sociais. Toda nação é como uma “constelação polifatorial de causas”, para usarmos a expressão do companheiro Prof. Acacio Vaz de Lima Filho. Elas são uma realidade estrutural integrada, refletindo as estruturas de base (familiar, profissional, religiosa, etc.) e de enquadramento (psicológica, demográfica, moral, etc.), no dizer de C. J. de Assis Ribeiro. Por isso, todo fato social é total: quer dizer, todo fato social repercute como elemento sociológico em todas as múltiplas estruturas da sociedade. Essa é a visão orgânica da sociedade, entendida (ao menos desde Sorokin e, no Brasil, o ISEB) por todos os que levam a sério as Ciências Sociais.

O que resta é pensar se é possível existir coesão social e autoridade política em uma nação a partir de puros critérios políticos e econômicos, abstraídos os substratos sociais e morais, ao menos no que possuem de mais grave. A princípio, se se adota o método orgânico e estrutural (quer dizer: integralista) da sociedade, parece claro que não. Soberania, coesão não são fatos estanques; estão ligados a uma conexão de motivos e hábitos. Não podem existir isoladamente.

E é, de fato, o que se dá. Benjamin Kidd mostrou que o fenômeno da unidade e soberania dos Estados Nacionais (que é moderníssimo, vem do fim da Idade Média) é um resultado do espírito de sacrifício, chave de fecho do progresso das civilizações. A humanidade evolui à medida em que é tomada, não tanto do sacrifício em si, mas do espírito de sacrificar-se espontaneamente: de renunciar aos prazeres, aos bens, aos instintos, etc. por algo maior. Como se cria esse espírito? Por artifício, instantaneamente? O espírito de sacrifício, também, não é exclusivo e fechado. Seu desenvolvimento está ligado às restrições sexuais, à sensibilidade moral, aos laços de confiança, à lealdade, etc.

Essas considerações de psicologia social se somam a um outro problema. É que a sociedade não é um conjunto mecânico de indivíduos que aderem, automaticamente, a planos de desenvolvimento e a princípios ou leis falando em voz alta da soberania nacional. Cada homem, em uma sociedade, tem uma vontade e uma liberdade, não digo já como fato sociológico, mas como realidade ontológica, quer dizer, natural, ainda quando constrangida pela força externa. Não se pode consentir com um grande plano nacional e com a soberania nacional sem um profundo senso de Nacionalidade. Mas o senso de Nacionalidade não existe no ar. Ele nasce do amor aos pais e aos irmãos, na família; e daí que seja mais perfeito em uma sociedade onde a família seja estável, fecunda, moralmente sadia, etc. O senso de Nacionalidade nasce do viver as tradições, porque a Nacionalidade, considerada no que tem de interior, é um conjunto de tradições espirituais, morais, sociais; e daí que não seja possível cultivá-lo plenamente sem o cultivo desse legado da história. O senso de Nacionalidade nasce do senso de dever e responsabilidade: e o dever se cultiva nos preceitos morais e religiosos, na revolução interior, no amor monogâmico ou filial, na estabilidade familiar enfim, e na unidade de finalidades morais de um povo.

Politicamente, “Deus, Pátria e Família” não são três pautas diferentes. Cada uma depende de todas as outras. Não se defende os valores transcendentais da Divina Razão sem a defesa do Seu Direito Natural, que instituiu a Pátria e a Família; não se defende a Família sem a defesa da comunidade nacional em que ela vive, nem sem defender os valores que a solidificam e a Fé que lhe dá sentido; finalmente, não se defende a Pátria, a Nação, o Brasil sem defender os valores, a fé e a família. Somos extremados pela soberania nacional. Não toleramos interferência imperialista em nosso País, nem as fórmulas falidas do liberalismo econômico ou do socialismo internacional. Queremos o maior desenvolvimento de nossa Nação, em um profundo e consistente plano nacional, não demagogicamente, mas sim abrangendo uma rede de planos articulados em todos os setores (e elaborados em conjunto com as forças da sociedade): energia e combustíveis, transporte ferroviário, minérios, álcool, cacau, óleo, borracha, etc. Mas isso não se atinge isoladamente. A tarefa política é delicada, complexa, não negamos. Mas ela é real. Está acima de todos os sistemas ideológicos. O verdadeiro nacionalismo, ainda quando não se entenda isso, só pode existir — na prática: na fantasia, não importa — com a defesa de Deus e da Família.

Lembramos que já ocorreram movimentos “nacionalistas” e tradicionalistas, no Brasil (como um ligado a esse partido do qual falamos agora), que publicaram textos sobre como o “terceiro sexo” (o hermafrodita, o travesti, etc.) seria uma realidade tradicional e sagrada de vários povos, que deveria ser respeitada. E lembramos de tantos que, insistentemente, dizem aos integralistas há vários anos: “é preciso nos unir a todos os nacionalistas, deixando de lado nossas diferenças, para termos uma Nação soberana e desenvolvida!”. Aí está a “união nacionalista” real que esperavam. E temos um segredo: não é por usar as palavras certas, que ela fará do Brasil uma nação forte e soberana…

Matheus Batista
Ipatinga Σ MG

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