Todos estamos consternados, olhando a situação drástica da província gaúcha. As enchentes têm arrastado várias vidas, arrasando casas e despedaçando famílias. Todos do Brasil têm visto isso com uma tristeza tremenda e diversos meios estão sendo movidos para atenuar o sofrimento dos nossos irmãos pátrios.

Nesses momentos não cabe à gente qualquer discurso pessimista, qualquer desdém ou atitude facciosa política. Há muitos agora se aprazendo das desgraças que incidem sobre nossos irmãos gaúchos, por conta dos resultados das eleições de 2022, como se o voto que alguém deposita numa urna definisse a sua dignidade.

Não é o momento de se apegar a facciosismos ideológicos; este é um momento que requer ação, que requer força, que requer caridade, que requer soma.

Observamos certas mídias nas redes sociais escarnecendo da atividade das Forças Armadas durante esta crise. Eis um desserviço lamentável! Primeiro que não sabemos quantas dessas gafes supostamente cometidas pelas FA são verdade. Todavia, não são poucas as ajudas que as FA têm prestado para as populações arrasadas do RS, e quase nada disso está sendo falado. Muitos dos salvamentos foram graças a essa ação.

É um crime de consciência, num momento como este, ficar amesquinhando nossos soldados. Já é uma crise dificílima, e o trabalho para contorná-la se torna muito pior sob a hostilidade e a ingratidão nacionais. Este é um momento de apoiarmos incondicionalmente nosso Exército, de exaltá-lo!

Os brasileiros comuns demonstram empatia ao Sul e se esforçam para fazer doações, mover mantimentos, localizar pessoas perdidas, ou mesmo unir as almas com preces a Deus para que tudo termine da maneira menos trágica possível.

O Governo não tem feito seu papel, mas a quem isso impressiona? Vivemos num Estado de tamanha desorganização que não há qualquer preparo mínimo para momentos como esses. Não havia preparo mínimo nem para a pandemia do Covid-19, muito menos há preparo mínimo para uma calamidade dessa magnitude. É antes de tudo um problema de Estado.

Dizer isso não exime o atual Governo de suas responsabilidades. Não é o momento de se movimentar para que alguém de prestígio governamental vá prestar veneração a uma estrangeira que escarnece da fé cristã, em visita ao nosso País. Não é o momento de se prestar contas diante do sentimentalismo das massas, com a adoção de cachorros. Não se deve se aproveitar de uma situação tão sensível para emplacar as pautas alarmistas do globalismo, como um abutre se alimenta de cadáveres.

Mas fiquemos com uma lição preciosíssima. Não devemos esperar nada desse Estado. Não devemos mendigar nada desse Governo. O que quer que faça será sempre o mínimo do que poderia ser feito e jamais passará de sua obrigação.

Há pessoas más que se aproveitam dessa calamidade para tentar fazer dinheiro sujo? Há quem crie “vaquinhas” falsas, querendo ludibriar pessoas de boa intenção, arrecadando o dinheiro para si mesmo? Realmente há quem esteja se aproveitando dessa infelicidade na satisfação de seu próprio interesse, e isto é inegável.

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Não podemos, porém, perder tempo com escandalizações vazias, como se o pecado, o erro e o mal só tivessem sido descobertos agora nas enchentes. Sempre existiram canalhas em toda a história da humanidade, e, obviamente, mesmo num momento como esse, também apareceriam.

Mas se esses casos ainda são capazes de nos chocar tanto, de nos fazer tão revoltados, é porque o número de pessoas decididas pelo bem comum é muito maior. Se ainda temos uma sensibilidade, se ainda vemos tudo isso com tremenda ojeriza, isto significa que ainda existe o Bem, que as tentativas de nos fazer indiferentes a ele não funcionaram.

Que lição de resiliência e de perseverança o Rio Grande do Sul tem dado a todo o Brasil! Quantos moradores estão se ajudando, quantos laços de caridade pulsam neste momento tão tenebroso! Todo o Brasil estende a mão aos gaúchos; nossa Nação, que não pode ser confundida com o Estado nem muito menos com o Governo, agora está unida, está operante, está disposta.

É um momento terrível como este que vemos passar com os gaúchos que nos faz perceber o quanto é desumana a defesa do separatismo. Os separatistas querem o mal de sua província e todo bom gaúcho tem o dever de se opor a esse intento divisor. A Nação Brasileira está unida e padece pelo Rio Grande do Sul, ajudas de todo o Brasil lhe vêm; quando uma província padece assim, são as outras que podem lhe ajudar a se reerguer, visto que não é possível levantar-se sozinha. Se agora, com a ajuda nacional, é tão difícil lidar com essa crise, imaginemos como seria lidar com ela sem nenhuma ajuda, imaginemos como seria lidar com ela através da separação, ao invés da soma!

Que não sejam apenas momentos tenebrosos assim que nos unam; que levemos sempre essa lição: quanto mais o povo brasileiro, mesmo que alheio ao Estado, busque se unir, busque colaborar, busque a caridade, mais nos veremos livres das amarras burocráticas, das indiferenças humanitárias, dos rancorismos regionalistas, dos sentimentalismos que no final das contas são inúteis e levam ao menosprezo da dignidade humana.

Se há algo a ser dito e a ser feito, especialmente agora, deve sê-lo com base no amor e na caridade que Nosso Senhor Jesus Cristo nos anuncia. Continuemos unidos pelo bem do Rio Grande do Sul, pelo bem da Nação Brasileira.

Jonas de Mesquita
Rio Grande do Norte

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