Lula vai regulamentar a imprensa. Está convicto disso. No ano passado, começou a falar de um “novo marco regulatório dos meios de comunicação”. Desde que foi solto, já soltou a voz 11 vezes. Quer regulamentar a imprensa — e já fez até um projeto para isso, no passado, segundo ele.

No meio de tudo, a resposta da imprensa é essa: palmas. Os profissionais da imprensa parecem hipnotizados pelo dinheiro estatal que um “molusco marxista” (a expressão é de Plínio Salgado, em 1933) poderia jorrar das torneirinhas, talvez, de um novo Petrolão. Há 86 anos, o Integralismo imaginava que essa aberração pudesse acontecer. Estava no seu Manifesto-Programa: “Assegurar a liberdade à imprensa, pois, de há muito, as dificuldades materiais tiraram à maior parte dos seus órgãos a possibilidade do exercício da liberdade. Para que um jornal possa ter uma opinião livre, precisa estar a salvo de ‘amigos’ cujas injunções nem sempre consultam os anseios de liberdade que vibram dentro de uma redação”. O amigo está aí, com o fim certo da sua liberdade. Também estão aí a calúnia, a imoralidade das manchetes; como também há 86 anos disse o Integralismo (Código de Ética Jornalística), “a imoralidade da redação procede sempre da penúria da gerência”… Hoje, se não penúria, ao menos carestia de caviar…

Ao debater o projeto de Lei de Imprensa, em 1956, Plínio Salgado deu-lhe adjetivo. Fascista.

Lula tem um plano nacional muito claro. Até hoje, não apresentou ministros, nem quis divulgar o plano de governo. Mas seu plano está claro para todos: controlar este país, vingar-se dos que o tiraram do poder e ser lembrado como quem não era lícito desaforar. Toda a sua campanha é de poder, ódio e vingança. Qualquer que seja seu discurso amenizante para os jornalistas, essas paixões são a única régua que podemos esperar de seu governo. Tudo deve ser medido daí.

Isso, porém, é exatamente o que hoje em dia se chama de fascismo… Isso é o que todo esquerdista acha que é fascismo; é o uso corrente da palavra fascismo; é a definição social de “fascismo”. 

O Integralismo, certamente, não é fascista. E, se para defender Lula, a imprensa faz questão de falar mal do Integralismo, deveria saber o quanto o Integralismo faz questão de se vingar dela, pela plataforma do seu velho Manifesto-Programa:

O estudo dessa regulamentação, longe de ser feito por estranhos à classe jornalística, como até agora tem sido em todos os assuntos referentes à imprensa, […] ao contrário, no Estado Integral, será executado pelos próprios órgãos representativos da imprensa brasileira.

As associações de imprensa do país, constituindo uma corporação de caráter cultural, não somente terão representantes políticos muito mais numerosos e eficientes no Senado da República e nos Conselhos Provinciais, como assumirão um papel relevantíssimo na vida do país, no qual se acha incluída a sua função autodiretiva, a capacidade da própria classe governar-se e decidir de seus destinos, sem necessidade de interferência de estranhos.

Livre da interferência dos políticos, a classe jornalística elaborará, ela própria, leis visando seus interesses, sua moralização, seu prestígio, para as levar à apreciação do Presidente da República.

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O Integralismo condena toda espécie de censura diretamente exercida pelo Governo, preferindo, antes, pela elevação da dignidade da Imprensa e reconhecimento dela como um real poder, identificá-la ao Estado, sobre o qual ela influirá com a honestidade e o patriotismo que criarão uma atmosfera de mútua confiança entre Imprensa e Governo. Pois a Imprensa, entrosada no mecanismo do Estado, não absorvida ou escravizada, mas guardando os lineamentos próprios de sua personalidade livre e sua posição nitidamente definida, torna-se, ela também, parte integrante da direção do Estado. Isso lhe dará uma gravíssima consciência de responsabilidade, porque ela também responde perante a Nação pelos supremos interesses da Pátria.

Em 1956, o PRP, partido integralista, condenou a Lei de Imprensa. Na Câmara Federal, Ponciano dos Santos mostrava como a liberdade de imprensa é uma das bases da civilização e da democracia; Luís Compagnoni, em nome da bancada, dizia que só aceitaria uma lei feita pelos próprios diretores de jornais, reunidos, para a responsabilização individual dos jornalistas — submetida, então, à discussão do Poder Legislativo. 

A imprensa precisa de regulamentação. Mas ela tem que vir da sociedade. Não das mãos sujas de um demagogo e parasita controlador no Planalto.

Lula pode ser fascista. O Integralismo, não.

Matheus Batista
Ipatinga Σ MG

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Luys

Muito bom

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