Mais uma vez tenho a grata oportunidade de escrever aos companheiros de todo o Brasil por ocasião da magna data natalícia que se aproxima. Que reflexões devemos extrair no presente Natal para que possamos preencher nosso espírito das mais nobres virtudes? Quero refletir com vocês sobre trevas e luz!

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O presente ano, infelizmente, foi amargo a todos quantos fazem de Deus o fundamento da sociedade e desejam o melhor para o Brasil. E, assim como o mal não é uma novidade no seio das sociedades humanas, menos ainda nos surpreende que a vida pública seja instrumentalizada em prejuízo do homem, afinal, “certamente o homem pode organizar a terra sem Deus, mas sem Deus só a pode organizar contra o homem” (Paulo VI, Populorum Progressio, nº 42).

Não poucos são os adversários que desejam arrancar tudo de nós. Até mesmo esta data não escapa ao ímpeto arrasador; querem-na arrancar ao coração dos homens, apagando definitivamente qualquer menção do nome de Jesus Cristo. Portanto, antes de mais nada, é em Jesus Cristo que devemos alicerçar nosso pensamento e somente nEle nos concentramos.

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Nenhum camisa-verde, em nenhum lugar do Brasil e até mesmo fora dele, tem o direito de esmorecer diante da tragédia. Nenhum camisa-verde, que carrega a esperança, encontra dignidade em lamúrios! Estamos a exatos 2023 anos do grande milagre, e a humanidade continua a se arrastar pesarosa sob o esmagamento de seus vícios, mas agora, não mais estamos como condenados, mas como penitentes, no rumo da Pátria celeste, através da porta estreita, aberta pelo Rei dos reis.

Nos dias que hoje seguem, pouco mudou, em termos antropológicos, das misérias e aflições humanas do tempo do Imperador Octávio Augusto; o poder político continua, de tempos em tempos, caindo sob as garras dos mais nefastos e perversos homens.

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Como uma criança que no campo se afaste da casa e suba um monte, divisando do alto a sua própria terra, eu os convido agora a se afastarem da aparência dos problemas, subirem a montanha para a olharem largamente: vamos juntos contemplar o transcorrer dessa noite escura.

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Em todos os tempos a brutalidade e os ódios recíprocos aparentam ser marcha condenatória contra a qual não há o que se fazer; o mal nasce da mediocridade de espírito, e se irradia fazendo terra arrasada.

Não é de hoje que homens bons sejam perseguidos enquanto os maus encontram conforto, até mesmo luxo e honrarias, que usam de alicerce para descer a vergasta sobre os infelizes. Este azorrague, no entanto, tal como o instrumento de punir, tem múltiplas pontas que convergem num só objetivo: fazer sofrer aos humildes.

O azorrague tem múltiplas pontas que convergem num só objetivo: fazer sofrer

Uma de suas pontas é a mentira; a outra, a corrupção. Há, ainda, as pontas da ilusão, do medo, da brutalidade e da injustiça, e todas elas se encontram, atualmente, num só instrumento, o Estado, seguro pelas mãos da injustiça que dele faz não um instrumento para o bem do homem, mas amo e senhor dos homens. Não é de hoje que morrem no cárcere homens sem crimes, e se deitam em almofadas de seda os déspotas da humanidade.

Referindo-se a uma noite qualquer de antes de Cristo, Plínio Salgado diz:

 “Dorme a humanidade sofredora: os vencidos, os humilhados, os pobres, os doentes, os desamparados, os ofendidos, os iludidos, os tristes e os santos.

“Pelas estradas desertas estendem-se as sombras ermas dos barrancos e das árvores. Pelos campos, nenhum rumor. Só o pecado está desperto. Nas casernas da Tetrarquia, militares bêbados jogam os dados. Nos triclínicos romanos de Tiberíades e de Cesareia, corpos enlaçam-se voluptuosamente. Nos pátios dos quartéis, tramam-se assassínios. E, defendido por muralhas, ao longo das quais os mercenários batem, compassadamente, as lanças e os passos, entre reposteiros de púrpura, inebriado de aromas esquisitos, Herodes sorve, na taça de ouro, o vinho capitoso, reclinando a cabeça vacilante no seio de uma escrava.

“E tudo isso é a humanidade degrada, não somente no sofrimento, mas até no prazer. Esse espetáculo, que se estende pelos quadrantes do mundo, torna mais maravilhoso o milagre de Nazaré: o Verbo, que se fez carne e habitou entre nós.”

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É mesmo necessário, me pergunto, traçar um paralelo entre as enfermidades sociais daquele tempo antes de Cristo, com as de hoje? Talvez muitas delas tenham ficado mais graves, como são os Herodes modernos, dispostos a matar crianças inocentes pelo aborto, e que não precisam enviar batedores atrás de seus desafetos, nem se informar com sua rede de espias, já que há todo um aparato sofisticado para vigiar as populações; mas há algo que, como naqueles tempos de trevas, também devemos enxergar…

Aconteceu que, no meio das trevas, surgiu uma estrela.

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Eu disse antes que “em todos os tempos a brutalidade e os ódios recíprocos aparentam ser uma marcha condenatória e inescapável”, e assim seria se seguíssemos a lógica seca e pérfida da natureza humana ferida pelo pecado original, incapaz de separar plenamente o “dia da noite”. Mas você se lembra de que estamos sobre um monte, olhando o transcorrer da noite? Então, agora, sei que você pode também, como eu, ver a estrela que nasceu na escuridão… Ela é diferente de todas quantas existem no céu… E, para quem achava que a noite era eterna, o Eterno veio manifestar que a escuridão não vence a luz.

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Naquele tempo, ela guiou os sábios caldeus pela inteligência, e aos humildes pastores fez soar uma trombeta seguida das palavras de anjos; aos verdadeiramente sábios pela inteligência e pelo sentimento, Deus os conduziu para um encontro com a divindade e a salvação.

Santo Agostinho, sobre o acontecimento, disse:

Eram muitos os reis que haviam nascido e morrido em Israel; era, porventura, algum destes a quem os magos buscavam para prestar adoração? Certamente não, porque de nenhum deles havia falado o céu. Estes reis, estrangeiros, e de um país tão remoto, não se julgavam obrigados a prestar uma homenagem tão grande a um rei dos judeus, da classe e condição à qual pertenciam em seu país; mas haviam aprendido que a condição do que havia nascido devia ser tal que, adorando-o,  não poderia haver dúvida alguma de que conseguiriam a salvação, que é conforme Deus. De outra parte, tampouco sua idade era tal que servisse à adulação dos homens, não estavam cobertos de púrpura os membros do recém-nascido, nem brilhava uma diadema em sua cabeça; nem pôde ser a pompa dos escravos, nem o terror dos exércitos, nem a fama de gloriosos combates o que atraía estes varões de tão remotas terras com fé tão grande e votos tão ardentes. Deitava-se no presépio um menino, recém-nascido, pequeno de corpo, de pobreza desprezível. Mas, sob estas aparências, oculta-se algo tão grande que aqueles homens, primícias dos gentios, haviam compreendido, não por testemunho da terra, mas do céu. Por isso diziam: vimos a sua estrela no Oriente. Anunciam e perguntam, creem e buscam, como imagem daqueles que caminham pela fé e desejam a vista.

Ai daqueles que buscaram ou ainda buscam destruir o Reino de Deus — que está entre nós — com a opulência dos seus poderes materiais. Todos passaram e caíram, e quem debaixo de suas bandeiras e estandartes estava, deve ter tido a impressão de uma hecatombe; mas olhando daqui, do alto do monte, vemos que foi uma trivialidade, culpa da cegueira do homem que não viu a estrela anunciadora, que só não é maior do que a cegueira dos que hoje, em meio às trevas, ainda não podem vê-la ali, brilhando acima das contingências humanas!

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Se puséssemos na ponta do lápis quantas vezes o louco humano pensou que poderia, ao custo do esmagamento dos homens, permanecer no poder eternamente ou usá-lo como arma de vaidade e terror contra os simples, faltaria grafite para tantos registros… Nunca olharam, me pergunto, quando crianças, um presépio? Esses homens loucos e cegos, jamais entenderam a mensagem ali contida?

Linda e doce é a mensagem do presépio; nasceu Aquele no qual somos e pelo qual encontramos o caminho da salvação, mas a doçura do presépio, contrastada com a loucura dos que desafiam o poder de Deus, costuma se converter em formas que só aos homens de fé permanecem lindas. E a vitória do Cristo representa sempre a derrota do mal, e os maus vão ranger os dentes quando o dia chegar, e acreditem, com fé, ele vai chegar.

A treva terminará no novo arrebol. Muitas vezes na história experimentamos essa sensação: o frio vai embora quando o sol chega.

Quando estamos sitiados é difícil ver com os olhos da razão; é, por todos os lados, o movimento do mal que parece avançar — e isso costuma atordoar os que são cheios de “planos próprios”.

Isso me lembra do cerco de Viena pelas tropas do Império Otomano em 1683. Um pavor sombrio deve ter consumido, durante os meses de cerco, aqueles sitiados. Mas, quando começou a batalha final, as forças invasoras de Kara Mustafá, na fatídica manhã, tão logo as trevas se foram, ficaram aterrorizadas com o brandir das espadas, e a luz que reluzia sobre as armaduras dos homens da imprevista carga que vinha em sua direção, comandada por Sobieski à frente de 3 mil pesados lanceiros, os “hussardos alados”. E, Viena foi salva!

A libertação de Viena, por Bacciarelli

Agora desce desse monte que antes te convidei a subir; olha para trás, veja-o! Você estava sob a Cruz, ao lado dos que disseram “Primeiro, Cristo!” no grande monte. E nos ombros de gigantes conseguiu enxergar mais longe, não foi? Volta comigo agora, para sua casa, sua Pátria. Vamos ali cear humildemente do pão da vida. Esses grunhidos de feras que escuta, passando pelo parapeito da janela, esses rugidos macabros, sim, são o mal que espreita na noite escura… Mas deixa passar… Deixa…

Ainda esta noite, irmão, deixa que brilhe a estrela sobre todos. Você consegue vê-la? Mantenha seus olhos nela! Quando o arrebol nascer por trás das montanhas, oh, sitiados, o que é que vamos ver reluzir debaixo do sol? Preparem os seus corações, os seus espíritos, porque Cristo nasceu! E, não o poderão jamais matar, pois Ele venceu a morte, Ele venceu o mundo!

Pelo bem do Brasil,

Anauê!

Moisés Lima
Presidente Nacional da Frente Integralista Brasileira

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