Importa mesmo saber se foi a multidão bolsonarista, ou um grupo de infiltrados da esquerda que conduziram os atos? 

Os inimigos da liberdade são sempre magistrais na condução dos “inocentes úteis”, e esse aspecto deve ser reconhecido por nós. Não importa o quanto se busquem culpados, alguém vestiu uma carapuça e serviu, como nenhuma outra força, aos propósitos comunistas. Independentemente de como a história aconteceu, já sabemos quem vai se dar bem com ela, mas é importante entender a forma da coisa

Este texto é uma continuação do texto em destaque: Considerações sobre a invasão do Congresso, do STF e do Planalto

Para mero efeito de comparação, citarei dois casos: o Incêndio do Reichstag em 27 de fevereiro de 1933, e o assassinato de Ernst Eduard vom Rath na manhã de 7 de novembro de 1938. 

A história do incêndio no Reichstag tem alguns pequenos paralelos que podem nos ensinar alguma coisa. Até hoje os historiadores divergem a respeito de quem teria colocado fogo no parlamento alemão; todavia, nenhum historiador diverge sobre quem se beneficiou com isso: os nazistas. 

O incêndio começou na câmara e quando a polícia e os bombeiros chegaram, a Câmara dos Deputados já tinha sido perdida. Minuciosa investigação acusou Marinus van der Lubbe, um ativista, de incendiar o prédio. O fato é que o incêndio foi utilizado pelos nazistas como “prova” de uma “conspiração” contra o governo alemão. Van der Lubbe e quatro líderes foram presos posteriormente. Adolf Hitler, empossado chanceler apenas quatro semanas antes, em 30 de janeiro, graças à comoção criada pelo caso, conseguiu passar justamente um decreto de emergência que tornava a Alemanha um estado policial, dando ensejo à quebra de liberdades individuais, a encarceramentos e inquéritos injustos. Contra os inimigos da Alemanha? Não, contra os inimigos de Hitler. 

Alguns historiadores, creio que corretamente, dizem que os próprios nazistas atearam fogo ao prédio pensando nas medidas duras que poderiam vir em consequência disso, e por isso viciaram a investigação. Isso não lembra algo? Será que importa terem sido “esquerdistas” infiltrados os invasores e depredadores dos prédios públicos em Brasília? A narrativa, verdadeira ou não, já está montada e as medidas mais duras poderão ser tomadas. 

O segundo e emblemático caso é o de Ernst vom Rath, diplomata alemão assassinado em Paris em 1938 pelo judeu polonês Herschel Grynszpan. O caso também nos fornece um paralelo interessante, porque ninguém questiona que o judeu Hershel Grytnszpan foi o autor do atentado e muitos o justificam em face da perseguição aos judeus que na Alemanha se iniciava. Aliás, foi depois de saber da deportação de seus pais para a fronteira polonesa que ele assassinou vom Rath, ferindo-o mortalmente com cinco tiros. 

Mas a ação de Grynszpan não serviu para “impor resistência”. Ao contrário: foi com uma narrativa já montada, um alinhamento de poderes constitucionais com o partido, somado ao apoio da imprensa, que o assassinato serviu para desencadear a chamada “noite dos cristais quebrados”, uma simulação de revolta popular que levou militantes nazistas, muitos deles desuniformizados, a atacar comércios e casas de dissidentes, terminando com um grande saldo de propriedades danificadas, além de vários mortos e feridos. 

Qual a lição? Se a manifestação não tivesse nem um único infiltrado da esquerda, esse ato justificaria as medidas de repressão contra dissidentes diversos, que nada tiveram diretamente a ver com o ato cometido pelos vândalos? Independentemente das motivações, se justas ou injustas, tanto no caso de Grynszpan, como naquele encontrado pelos manifestantes ontem, 8 de janeiro de 2023, a contrapartida, a mobilização das forças de repressão estatal, a convocação de militantes petistas em todo o Brasil para “lutar contra o bolsonarismo”, não serão uma reação generalizante, conveniente ao partidão, injusta, descompensada e fraudulenta? Tratar como “terroristas” todos os descontentes e impor sobre eles a “marca de Caim” não será como realizar a “noite dos cristais quebrados” no melhor estilo tupiniquim? 

Independentemente de se foi a manifestação cooptada ou dirigida por agentes da esquerda ou se foram apenas antipetistas que a realizaram, quando tantas forças de Estado e do sistema de poder já estão em conluio não adianta, pois o ato só servirá para seu benefício. Em ambas as hipóteses, se aplicarão medidas da “lógica”, como nos casos do incêndio do Reichstag e do assassinato de vom Rath.

Como disse em mensagem remetida pessoalmente por mim aos companheiros no dia da invasão:

Se porventura estivessem os manifestantes alinhados com o Exército, não precisariam de nossa participação, e, se precisassem, fariam convocar toda a Nação, e não especificamente a nós, que jamais fizemos parte do movimento. 

Se, por outro lado, estivessem “burramente” sendo manipulados, impelidos ao ato tanto pela esquerda quanto pela inabilidade de Bolsonaro e não estivessem alinhados às forças de segurança, só servindo para dar “munição” ao petismo fanático, nesse caso, nada tínhamos que justificasse o apoio aos atos que seguiam.

De nenhuma forma o vandalismo contra os prédios-símbolo do poder político brasileiro poderia contribuir para o intento dos insatisfeitos. Ao contrário, independentemente das intenções ou manipulações da multidão, essa é uma vitória da esquerda e uma derrota de todos os amantes da liberdade, da paz, do progresso, em suma, de Deus, da Pátria e da Família, e os que realizaram tal ato não poderiam contar, como não contam, com nosso apoio. 

Moisés Lima
Presidente Nacional da Frente Integralista Brasileira

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