O que salvará o Brasil da decadência política, espiritual e moral que o castiga é a dignidade da vida privada, e não, sob nenhuma hipótese, o Estado.

E quem espera qualquer solução mágica para o problema do Brasil, seja através do Congresso Nacional, seja na Suprema Corte ou por qualquer outro órgão público, não fará mais que avolumar a velocidade da degeneração do nosso País.

Não quer isso dizer que o Estado não seja fundamental força subsidiária para o crescimento do Brasil. Todavia, ele já não dispõe de nenhuma saúde, digamos assim, para enfrentar sem reservas a dura jornada, e, como bateria velha de celular, consome muita energia e não entrega.

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Eu não sei você, mas com frequência encontro pessoas que acreditam que ser integralista é o mesmo que ser “estatista”, e até mesmo totalitário, dizendo que nós não acreditamos que qualquer coisa boa logre sem um Estado forte; por tal perspectiva equivocada, julgam alguns que os integralistas “parecem mesmo com os socialistas”, e isso para dizer o mínimo.

Mas Estado forte, para nós, muito diferentemente do que pensam nossos detratores, não é nem de longe o Estado obeso, sentado sobre o povo.

Como um exorcista, é importante retirar, do possesso, o espírito imundo que o aliena, o domina, sem com isso desejar a morte do possesso. Eis aí o verdadeiro inimigo: o espírito imundo que manipula. A vítima? O Estado, e em consequência, o povo.

Mas a moçada do “8 ou 80”, do “preto ou branco”, enfim, a galera do “ou ou”, ignora todas as nuances entre os extremos opostos. Convenhamos: entre os pés e a cabeça de um homem, acredite se quiser, é importante tudo que existe no ignorado ou rechaçado “meio”.

O problema do Estado doente não é originalmente um problema de política. Quando nos perguntamos o que vem primeiro, “o ovo ou a galinha”, na degeneração da vida socio-político-econômica, é forçoso admitir que o realmente podre e fedorento, mais do que os “homens públicos”, mais do que isso que se convencionou chamar “sistema”, é na verdade, a vida privada.

E constatar isso nos leva à grande missão da Frente Integralista Brasileira: contribuir com a Revolução Interior. De nada adiantam reformas administrativas enquanto o material para a reforma, isto é, o próprio homem, permanecer num caminho de desintegração moral.

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Precisamos fugir do simplismo e principalmente da turba dos “ou ou” para encontrarmos um caminho seguro nos conturbados dias em que vivemos. O Estado se encontra possesso pelo mal, travestido de partido político, que mantém os poderes públicos adoecidos, fazendo do Estado não mais o melhor instrumento para o bem comum, mas um apoteótico monstro devorador da dignidade humana, nas suas mais lídimas expressões.

O Estado, na atual conjuntura, é um monstro que se alimenta não apenas de todas as más vontades, do famoso espírito de porco, mas também das “boas vontades” (aquelas mesmas que enchem o inferno, segundo o dito popular).

Quem, neste momento da vida histórica, acredita no Estado como o agente solucionador das agruras do povo, definitivamente está correndo na direção do monstro do qual deveria fugir.

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A ciência política não é uma receita de bolo. Por isso Plínio Salgado alertou, no seu livro O Integralismo na Vida Brasileira, que não deveríamos preconizar a formação do Estado pelos sindicatos enquanto a força que os anima fosse o perverso comunismo, pois, afinal, o socialismo é uma doença social que, entre outras coisas, se apoderou do sindicato, instrumentalizando-o, e colocando-o a serviço de muitas coisas perversas, jamais se lembrando da dignidade do trabalhador, pelo essencial fato de trabalhar.

Com isso, Plínio Salgado constatou coisa óbvia: qualquer instrumento é “meio” para a consecução de algo; por isso, está sujeito a ser empunhado por homens perversos.

Desta feita, a mesma medicina obstétrica que serve para trazer vidas ao mundo nas mãos de um médico, pode servir para assassinar cruelmente nas mãos abortistas.

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Essa doença social que se apoderou do Estado não o fez sem antes contaminar os corpos intermediários da Nação, tais como o já mencionado sindicato, mas também as universidades, e até significativa parte da religião: é um vírus letal que confunde as defesas do organismo, se apresentando como antídoto, quando é o mais fino veneno. Você, leitor, consegue imaginar um método mais eficiente que este para contaminar e destruir?

Se o comunismo é uma doença, as comorbidades sociais que permitem seu deslimitado poder de expansão e destruição, são justamente os vícios morais, os pecados capitais, que, agravados por um messianismo atroz e um oportunismo grosseiro, infestam, infelizmente, o ethos brasileiro, sendo o Brasil a “bola da vez” dessa praga mundial materialista.

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Nessas circunstâncias, o primeiro alvo dos comunistas para o grande efeito dominó de capitulação gradual do sistema sob suas garras foi justamente a família, primeiro grupo natural atacado e único que ainda, vira e mexe, age como anticorpo contra a doença.

Entretanto, por mais que o fluxo do rio possa ser desviado por barragens artificiais, assim que elas implodam, o rio voltará ao seu curso, embora não, infelizmente, sem prejuízos.

Por mais que os meios de comunicação tenham ampliado à estratosfera a mediocridade humana, tão logo desabe, por sua oposição à natureza e à realidade, esse status quo pútrido, as coisas tendem a voltar à sua harmonia. Desta sorte, os grupos naturais recuperarão sua dignidade e florescerão no seu poder construtor. Mas quando isso vai acontecer? Podemos contar com isso apenas cruzando os braços? Bem, assim como não estou construindo um “bunker”, apesar de saber que o sol se tornará uma crescente vermelha e destruirá a vida na terra (caso não já tenha acabado por si) sei que isso não acontecerá na minha curta peregrinação terrena, desta forma, por mais óbvio que algo seja, não adianta ficar esperando mudanças naturais.

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É a falência, portanto, da vida privada, que emerge e se propaga através da família contaminada pelo mais atroz materialismo cegante, o que produz a caterva de hienas que ocupa o Estado, atualmente sustentado por arcobotantes da mentira midiática, da ignorância popular e da exploração do suor dos trabalhadores, que mantém o sistema retroalimentado.

Mas não se engane, caríssimo leitor: o “motor perpétuo” ainda não foi inventado. Não se trata de uma máquina indestrutível; ao contrário, está mais para o símbolo pagão da cobra engolindo a própria cauda.

A vida pública contemporânea atrai da privada os piores espécimes entre o povo, e estes, uma vez no poder, tratam de piorar o povo para que sua mediocridade pareça sabedoria. Afinal, para confundir um anão com um gigante, é preciso ser ainda menor, razão pela qual insistem em nos martelar a cabeça.

Acontece que a vida privada, e a gama de externalizações que lhe acompanham, isto é, os já mencionados “grupos intermediários”, por piores que sejam os agentes individuais que os compõem, não serão jamais capazes de se deteriorar até a implosão total. E isso porque, por mais imoral que seja um sujeito, por exemplo, ao dirigir seus negócios, ele não pode esperar que todos sejam como ele, sem que isso implique em ruína; e, ao menos entre os seus, não pode ser completamente desleal, sem pagar por isso um alto custo, que bem pode ser a falência.

Ele, nosso imoral homem, pode achar a mentira uma ótima ferramenta, mas não defenderá, por exemplo, que seja frequente entre os filhos; nada se constrói com relações fraudadas. Assim, no caos da vida pública, é a vida privada que, forçosamente, disporá dos meios para salvação da pública.

A mesma lógica, no entanto, não vale para o Estado. Infelizmente, este pode abarcar um sem-número de mediocridades, pois, enquanto detiver de forças coercitivas capazes de arrancar recursos do povo para manutenção de seus “esforços”, sempre poderá subsistir em negociatas e falcatruas: hoje, ele é um monstro gigante sugando através de tubos a vitalidade do povo, que, infelizmente, só não está mais fraco para reagir hoje do que estará amanhã.

O bandido que ame ao menos sua própria família, se roubar o caixa de sua firma para sanar seus apetites de luxo, condena a si mesmo e aos seus.

Grosso modo, não sendo a vida econômica das famílias marcada por grandes empresas ou grandes negócios, muito ao contrário, sendo seu labor destinado a pequenos negócios, e precisamente nestes que mais dignidade é exigida no estabelecimento de acordos entre as partes: é entre os humildes que a justiça é mais fundamental.

Como um Estado corrupto, geralmente, quase como de praxe, fomenta grandes monopólios artificialmente, estes tendem a implodir junto com o Estado inflado.

É que o Estado hipertrofiado, que grita no megafone contra a escravidão, quando faz coisa análoga ao submeter sua população a elevada tributação com baixa eficiência de emprego e corrupção, é como um barco que navega só porque os marinheiros ficam tirando com baldes a água que penetra pelos cada dia maiores buracos.

Quando este imenso navio-fantasma afundar, cada grupo que se salvou precisará restaurar uma ética de convívio, que gritará do fundo de todas as atitudes: “Loucos! Por que tinha que ser pela dor?”

Não é à toa que, em seu livro Introdução à Economia Moderna, Alceu Amoroso Lima insiste, logo no começo, em demonstrar que períodos difíceis ajudam a fortalecer os valores e estes, por sua vez, levam ao apogeu e à fartura, e este, por seu turno, à relaxação e ao caos.

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Veja se não é exatamente o que concluiu o ganhador do prêmio Nobel de Literatura, Alexander Soljenítsin, a respeito do que considerou a razão primeira por onde o comunismo conseguiu dilacerar o povo russo.

Alexander Soljenítsin

Soljenítsin é o autor do memorável livro Arquipélago Gulag, em que conta sua terrível experiência debaixo do regime comunista.

Ele concluiu que uma das principais “comorbidades” que favoreceu o avanço da doença comunista foi a facilidade com que o povo renunciou à sua fé, ao conjunto de valores em que acreditava, passando para a leniência com promessas vazias, utópicas e mentirosas, de líderes políticos que foram, as mais das vezes, tidos por “salvadores”, o que culminou, em suas próprias palavras, na “morte espiritual” do povo russo.

Fala, também, da falsa vida “coletiva” que substituiu a vida nacional, portando ao esquecimento da noção de pátria e de vida privada, pois, afinal, segundo o autor, o povo russo abandonou suas tradições milenares em benefício das ideias fugazes que os líderes comunistas iam lhe impondo gradativamente, o que teve um enorme custo humano, material e espiritual.

E concluiu que “a vileza dos meios gera a vileza dos resultados”. Portanto, “fiquemos de mãos limpas”: “a violência persiste somente através da sua aliada, a mentira”.

Se Soljenítsin diagnosticou bem a doença, ninguém compilou melhor remédio do que Plínio Salgado, ao afirmar: “Deus, Pátria e Família”.

Manter a fé em Deus, lutar pela Pátria e através da revolução da família, mantendo dignas as relações da vida comum, da vida privada, é o único meio de reerguer o pavilhão nacional, quando soçobrar em ruínas o edifício roído, nos alicerces, por tantos ratos.

Moisés Lima
Presidente Nacional da Frente Integralista Brasileira

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Juan Brites

Isso é verdade. Uma nação é formada pelos indivíduos e pelos seus povos, cujas virtudes e culturas refletem a base de um bom estado. Tomemos os Estados Unidos como exemplo: apesar das questões morais atuais, a liberdade individual é uma de suas virtudes. Mesmo sendo individualista, essa virtude uniu a nação na defesa e proteção dela. No entanto, nos tempos modernos, o declínio da moralidade, em grande parte influenciado pelo declínio da influencia da Santa Igreja no continente, e isso levou as nações ocidentais a adoecerem. O marxismo, antes temido e repudiado, encontrou espaço na fragilidade e tornou-se uma das… Read more »

CAIO FACUNDO

A sociedade ultimamente se encontra cega, escolas e instituições públicas como faculdades sem ética e moral.

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