“Reflexo do Modernismo no plano político”, nas palavras de Miguel de Reale, [1] e “única filosofia política diretamente ligada ao modernismo”, nos dizeres de Lêdo Ivo, [2] o Integralismo deriva desse grande movimento renovador e sintetiza admiravelmente tudo o que de melhor produziu a sua face construtiva, representada, antes de tudo, pelas chamadas vertentes nacionalista e espiritualista da nossa vanguarda literária e artística das décadas de 1920 e 1930, a primeira encabeçada pelo grupo Verde-Amarelo e a segunda, pelo chamado grupo de Festa. Em outras palavras, o Integralismo deriva daquilo que Antonio Arnoni Prado [3] julgava ser uma “falsa vanguarda” dentro do nosso Modernismo e que, na realidade, era e é a única vanguarda verdadeiramente autêntica de tal movimento, e, em particular, daquilo a que Tasso da Silveira denominou “a face profunda do modernismo brasileiro”. [4] E se afirmamos que o Modernismo edificador de que nasceu o Integralismo era e é a única vanguarda realmente autêntica do Movimento Modernista Brasileiro, nós o fazemos por saber que tal Modernismo jamais rompeu com a tradição, podendo seus adeptos dizer, como António Sardinha, que, “como homens de tradição, somos assim renovadores e, como tal, revolucionários”, [5] uma vez que fora da tradição não há autêntica renovação e tampouco legítima revolução.

Em trecho de seu ensaio “Cateretê n. 5 para sanfona e violão”, publicado na revista Festa em junho de 1928 [6] e transcrito na obra Definição do Modernismo Brasileiro, [7] de 1932, Tasso da Silveira comentou que o grupo de Festa, por ele encabeçado, representava, no dizer de Tristão de Athayde, um “modernismo continuador”, sendo seus adeptos, nas palavras de Carlos Chiacchio, “tradicionistas dinâmicos”, explicando, em seguida, que esta última expressão era válida para designá-los, desde que ficassem bem definidos os seus dois termos. [8] Segundo o poeta de A alma heroica dos homens, os membros do grupo de Festa eram “tradicionistas, sim”, porém “não por amor à velharia bolorenta, à poeira morta do passado”, sendo tradição, para eles, “o que exprime o espírito”, “o que indica o rumo próprio”, “o que revela o destino”, assim como “o sentido interior dos gestos que perduraram, das palavras que não se perderam, das atitudes em que o homem apareceu transfigurado”. [9] Do mesmo modo, para o autor de A Igreja silenciosa, eram os membros do grupo de Festa dinâmicos, mas “não tomados do delírio idiota do movimento pelo movimento”, da febril agitação “de quem deseja esquecer-se de si mesmo, por não encontrar em si mesmo o profundo estímulo à vida profundamente vivida”, e sim dinâmicos “por ansiedade criadora”, pelo invencível desejo de se edificar aquilo que por suas mãos devia ser edificado, “por anelo da Realidade mais alta de que em nós mesmos temos a promessa”, “por sede e fome de plenitude”. [10]

Não é preciso dizer que as palavras de Tasso da Silveira sobre os membros do grupo de Festa são válidas para todos os modernistas construtores e para todos os integralistas, que, a exemplo de Plínio Salgado, tinham plena consciência de que o autêntico tradicionalista defende aquilo que há de vivo no passado, ao mesmo tempo em que guerreia tudo aquilo que há de morto no mesmo passado. [11] A propósito, cumpre recordar que, no Manifesto da revista modernista Novíssima, periódico em que Plínio Salgado colaborou desde o primeiro número, está escrito que Novíssima não seria “destruidora do passado e da tradição” e, não abjurando “de um credo renovador”, osculava “as mãos à velhice, cujos ensinamentos encerram a poeira dourada dos séculos, a sabedoria dos milênios, o prestígio da eternidade”, [12] do mesmo modo que vale lembrar que Carlos Drummond de Andrade escreveu, em artigo publicado em A Revista, que “o próprio da tradição é renovar-se a cada época”. [13]

Como escreveu San Tiago Dantas, no artigo “Integralismo e Arte”, publicado no jornal integralista Acção, de São Paulo, em 23 de janeiro de 1937, existem dois tradicionalismos: um refratário a qualquer renovação e que consiste, em última análise, “na perda do poder inventivo, da fecundidade metódica”; outro que, por sua vez, consiste no exato oposto, isto é, “na assimilação de toda a experiência, na fixação de toda riqueza adquirida para sem cessar invertê-la no fluxo da criação”. [14]

O primeiro de tais tradicionalismos é “o tradicionalismo dos colecionadores, dos estilizadores da concepção alheia”, enquanto o segundo é “o tradicionalismo de todas as grandes épocas e todos os grandes criadores”, que assimilaram do pretérito “não as aparências, mas a essência”. [15] Há, na expressão de San Tiago Dantas, “uma Arte Moderna que é tradicionalista, neste último e grande sentido”, e, aliás, “só ela é Arte Moderna”, não sendo a Arte Moderna antitradicionalista senão uma “imbecilíssima pasquinada”. [16] “O Integralismo está de corpo e alma” com esta Arte Moderna autêntica e tradicionalista, [17] rejeitando, evidentemente, no campo artístico, tanto o falso tradicionalismo passadista e imobilista quanto o falso modernismo antitradicional e demolidor.

A FACE PROFUNDA DO MOVIMENTO MODERNISTA

No despertar da ansiedade nova de beleza que teve sua expressão no denominado Movimento Modernista da Literatura Pátria, iniciado no final da década de 1910, aqueles a quem Tasso da Silveira classificou como “primários” viram tão somente “um vão prurido de imitação de movimentos congêneres europeus”. [18] Jamais perceberam esses primários, do mesmo modo, que os grandes períodos da História Literária Pátria — Romantismo, Naturalismo, Simbolismo —, embora oriundos de impulsos iniciais vindos da Europa, representam, para nós brasileiros, algo muitíssimo diferente dos períodos europeus do mesmo nome. [19] Com efeito, nunca se aperceberam eles de que não “refletimos” simplesmente tais movimentos originários de terras d’além mar, porque não podemos simplesmente “refletir” em virtude de não sermos simples superfície, “mas ‘refratamos’ sempre, e com violência, por motivos de extrema densidade do nosso ambiente de alma”. [20]

Assim, o Romantismo, que foi no Velho Mundo “afirmação do indivíduo e ruptura da hierarquia interior”, com a superposição do sentimento à razão e à inteligência, constituiu no Império do Brasil, ainda que conservando muito do seu caráter original, uma autêntica “afirmação de nacionalidade”. [21] Neste sentido, aliás, afirmou Plínio Salgado, em Psicologia da Revolução, que, enquanto na Europa quis o Romantismo afirmar o indivíduo, na América o que ele pretendia afirmar é a Nação, assumindo, em nosso País, uma feição indiscutivelmente nacionalista, ainda que um tanto superficial e não de todo livre do individualismo. [22] Ainda neste diapasão, Cândido Motta Filho, em sua fundamental obra sobre o Romantismo, cuja primeira edição data de 1926, observara que a Europa pregava com o Romantismo sobretudo o individualismo, praticando, pois, o culto incondicional do “eu individual”, enquanto o Brasil pregava com o Romantismo, antes e acima de tudo, o nacionalismo, professando o culto do “eu nacional”. [23]

Gonçalves Dias

Com efeito, os poemas I-Juca Pirama e Os timbiras, de Gonçalves Dias, revelam, na expressão de Tasso da Silveira, “o anseio de heroicidade de um povo”. [24] Do mesmo modo, toda a obra romanesca de José de Alencar é, no dizer do magno aedo curitibano, “uma tomada de posse da realidade física e espiritual brasileira”, e, nas imorredouras páginas de Iracema, “o nosso poema védico”, aparece como tentativa primeira de interpretação simbólica de nosso mistério étnico. [25] Destarte, apesar dos pesares, o nosso Romantismo, precursor, em larga medida, do nosso Modernismo, teve, como fez notar Plínio Salgado, um “caráter nacionalista” e “genuinamente nacional”. [26]

Os naturalistas e parnasianos foram filhos, sem dúvida alguma, do espírito negativista, cético e materialista que caracterizou a geração europeia de que provieram. [27] Coube-lhes, entre nós, todavia, para além de tal negativo sentido ideológico, refundir o idioma pátrio e descobrir melhor a realidade brasileira, com o apuramento do nosso senso de observação. [28] Os simbolistas vieram, inegavelmente, marcados, nos dizeres de Tasso da Silveira, “de muitas das taras lamentáveis” que a obra de grandes poetas como Baudelaire, Verlaine e Rimbaud registrou na Europa. [29] Contudo, o que a obra de um Cruz e Sousa, de um Alphonsus de Guimaraens, de um Emiliano Perneta, um Silveira Neto, um Eduardo Guimaraens ou um Mário Pederneiras “ficou significando, foi o retorno de nossa inteligência à fonte da espiritualidade profunda, a procura do sentido de eternidade do espírito, — o despertar da ansiedade metafísica no Brasil”. [30] Como frisou o autor de Diálogo com as raízes, não repararam os primários que, ao lado dos nossos poetas simbolistas, apareceram autores como Farias Brito, Euclides da Cunha, Alberto Torres, Nestor Victor [31] e Rocha Pombo, do mesmo modo, aliás, que, ao lado do Romantismo, tinham surgido a injustamente olvidada obra filosófica de Gonçalves de Magalhães (Visconde do Araguaia), a obra histórica de Varnhagen (Visconde de Porto Seguro), a obra jurídica de um Teixeira de Freitas e de um Conselheiro Antônio Ribas e as obras jurídico-políticas de um Pimenta Bueno (Marquês de São Vicente), de um Paulino José Soares de Sousa (Visconde do Uruguai) e de um Conselheiro José de Alencar. [32]

Assim, tanto o Romantismo quanto o Simbolismo foram os dois grandes precursores do nosso Modernismo autêntico, o primeiro pelo caráter de estuante nacionalismo que adquiriu em terras brasílicas e o segundo porque, nas palavras de Plínio Salgado, “penetrou mais fundo nas almas, foi buscar mais fundo as raízes recônditas do nosso espírito”. [33]

Da mesma forma que não perceberam o sentido profundo do nosso Simbolismo, não repararam os primários no fato de que o Movimento Modernista — “não obstante o puro caráter estesíaco de alguns dos seus corifeus, e não obstante o ânimo destrutivo de alguns dos seus propugnadores” — surgiu de uma profunda “fermentação de pensamento, não apenas estético, mas, principalmente, político, filosófico, religioso”. [34]

Caso tivessem suficiente capacidade para tal, teriam notado os primários uma ligação subterrânea existente entre o apostolado em defesa da ordem de Jackson de Figueiredo (que em 1921 fundou a revista A Ordem e no ano seguinte, o Centro Dom Vital, e que, no dizer de Tasso da Silveira, “acordou nossa inteligência, com a sua palavra, para o interesse profundo pelo destino coletivo”), e a busca do pitoresco e dos temas originalmente brasileiros, na poesia, e, ainda, o chamado à ordem da campanha restauradora do chamado grupo de Festa ou da Festa, [35] que, aliás, tinha em Tasso da Silveira o seu principal líder e expoente. Teriam eles percebido que havia essa mesma ligação entre os “poemas continentais” de Ronald de Carvalho (que, aliás, morreu decidido a ingressar na Ação Integralista Brasileira) ou o admirável canto de Murillo Araújo em A Cidade de Ouro ou as estrofes do poema Martim Cererê, de Cassiano Ricardo, e o fascínio que arrastou um Tristão de Athayde e muitos de seus companheiros de luta à renúncia de uma “filosofia” própria, “para se darem, com fervor incontido e humildade perfeita, ao pensamento da Igreja”, [36] no que, aliás, seguiram o exemplo de Jackson de Figueiredo, que escreveu que era “um homem que, conscientemente, abdicou do seu individualismo intelectual nas mãos amantíssimas da Igreja Católica”. [37]

Consoante escreveu o bardo dos Cantos do campo de batalha e do Cântico ao Cristo do Corcovado, caso os primários tivessem reparado nessas coisas,

Teriam notado, sobretudo, que na obra de Plínio Salgado havia, não uma dispersiva multiplicidade de direções, como pareceu de começo, mas uma totalização de anseios, desejos e tendências, que forçosamente deveria corresponder, por ser uma totalização — a um qualquer sentimento particular profundo. [38]

Esse sentido que, para irromper, forçava os paredões da edificação estética e filosófica que “uma geração mal consciente dos seus supremos motivos interiores” vinha erguendo, aflorou e, por fim, “explicitou-se, nos escritos políticos do ‘visionário’ de O Estrangeiro”, [39] que, aos 7 de outubro de 1932, lançou, em São Paulo, o chamado Manifesto de Outubro. Este tão importante quanto injusta e criminosamente olvidado documento da nossa História é, como escreveu Tasso da Silveira, “por um lado, a cristalização depurada de toda a vasta experiência e meditação anteriores do fundador do Integralismo”, e, por outro lado, “a prova da estabilidade e da solidez do pensamento do Sigma”, uma vez que as fundamentais disposições de tal Manifesto são, hoje tanto quanto no tempo em que Tasso da Silveira escreveu seu Estado Corporativo, as que dirigem o Movimento Integralista. [40]

LITERATURA E POLÍTICA

No ano de 1926, Plínio Salgado lançou seu livro O estrangeiro, primeira grande obra romanesca do Modernismo Brasileiro e maior poema em prosa de tal movimento, que fez dele um autor nacionalmente consagrado e, como ele próprio escreveu, [41] se constitui em seu primeiro Manifesto Integralista. Por tal obra e seu retumbante sucesso, foi ele homenageado no mesmo ano em uma memorável cerimônia ocorrida no salão do Correio Paulistano, jornal de que, a propósito, fora redator entre os anos de 1920 e 1924 e em que seguia colaborando ocasionalmente, nele defendendo sempre um sadio, equilibrado e construtivo nacionalismo e uma sadia, equilibrada e construtiva renovação de nossas letras e artes. Nessa cerimônia, proferiu o aclamado romancista social e poeta de O estrangeiro a notável conferência A Anta e o Curupira, que acabou por se tornar o documento inaugural do Movimento Verde-Amarelo, tal como seu Manifesto de Outubro se tornaria em 1932 o documento inaugural do Integralismo e da Ação Integralista Brasileira.

Em 1927, Plínio Salgado, no auge da campanha verde-amarelista, deu à estampa o importantíssimo ensaio intitulado Literatura e Política, em cujas páginas encontrou vinte e nove anos mais tarde, para a sua própria surpresa, “todo o processo de formação com que se apresentou em 1932 o Integralismo Brasileiro”. [42]

Se aos dezenove anos de idade, ao ler a mencionada obra de Plínio Salgado pela primeira vez, tivemos alguma surpresa em nela encontrar todo o processo de constituição da tão nobre quanto injustiçada Doutrina do Sigma, hoje, quase dois decênios depois disso, ao reler esse pequeno-grande livro do assinalado escritor e pensador patrício, tal fato já não nos causa surpresa alguma, pois temos plena consciência de que o Integralismo é filho, herdeiro e continuador de tudo o que havia de são, nobre e construtivo no Modernismo dos anos 20 do século passado.

Como bem salientou Plínio Salgado, Literatura e Política “é o maior documento das raízes nacionais da doutrina integralista”. [43] É ele um “livro prenunciador (poderíamos mesmo dizer profético) do grande movimento” cívico-político e cultural surgido oficialmente aos 7 de outubro de 1932 e que desde então muito tem influído na História Pátria, assim como é um testemunho de Brasilidade, de originalidade, de definição doutrinária sem qualquer ligação com teorias políticas estrangeiras. [44]

Ainda conforme ressaltou Plínio Salgado, Literatura e Política é um dos mais importantes livros no conjunto de sua obra. [45] Não é possível, com efeito, perceber a origem do pensamento que está em obras como Psicologia da Revolução, A Quarta Humanidade, O que é o Integralismo, Madrugada do Espírito, Direitos e deveres do Homem, Espírito da burguesia e O ritmo da História sem antes ler Literatura e Política, fonte remota de diversas inquietações, observações, críticas, análises e previsões, “a preparar a ação intelectual do escritor e a ação política do homem público”. [46]

Em Literatura e Política, Plínio Salgado fez ver que os expoentes daquilo a que denominou “Velha Literatura” eram quase todos totalmente individualistas e alheios ao Brasil, a seus problemas e a política, enquanto os corifeus da “Nova Literatura”, em particular aqueles vinculados ao Verde-Amarelismo, opunham-se ao individualismo, defendiam um são nacionalismo, participavam da política e buscavam conhecer e afirmar o Brasil, a Brasilidade e as tradições nacionais.

Segundo observou Plínio Salgado, no prefácio da primeira edição de Literatura e Política, dirigido aos intelectuais do nosso País, o Brasil era uma nação culta, mas jamais havia sido uma nação pensante, uma vez que o pensamento se origina de uma íntima consciência de personalidade e esta somente é possível pela exata percepção das circunstâncias condicionadoras. [47] De acordo com o autor de O estrangeiro, a personalidade é, com efeito, “sensibilidade em função de conhecimento de contingências demarcadoras do ‘eu’”, donde não ser possível “possuirmos uma literatura própria, sem tomarmos conhecimento do que somos, sem sentirmos o anseio da nossa gente, as necessidades do nosso país”. [48] Destarte, não há qualquer desdouro para o intelectual pelo fato de se interessar pelos problemas pátrios. Ao contrário, seu interesse só prova, nos dizeres de Plínio Salgado, “que ele está integrado na vida de sua Pátria e em íntima comunhão com o seu povo”. [49]

Como sublinhou Plínio Salgado, empenhou-se ele na “cruzada brasileira” do Verde-Amarelismo, num meio hostil, repleto de indiferenças, de “reações passadistas”, de negativismo e ironias dos “pequenos conclaves literários”, tendo a fortuna de encontrar em Cassiano Ricardo e Menotti Del Picchia dois excelentes e sinceros companheiros de luta. [50] O grande jornal Correio Paulistano, órgão do Partido Republicano Paulista (PRP), sob a direção de Flamínio Ferreira, possibilitou que ele e os demais arautos do Movimento Verde-Amarelo levassem a cabo uma permanente campanha de renovação. [51]

Ainda conforme salientou o insigne homem de letras e pensador patrício, já então prevendo o Integralismo, o Verde-Amarelismo era um movimento “mais de ação do que de pensamento”, e seria, “por certo, a Grande Véspera de um definido pensamento nacional”, que tomaria com mão forte o lugar que lhe competia na evolução social e política da Nação Brasileira. [52] Segundo ele, uma próxima geração realizadora saberia o que foi o esforço dos escritores brasileiros em tal campanha e julgaria também da sua sinceridade, enquanto na hora que então passava era suficiente explicar que estavam “no início de uma obra de construtivismo”. [53]

Nas páginas estuantes de Brasilidade de Literatura e Política, podemos sentir a impressão que ficou em Plínio Salgado da obra de Alberto Torres, das ponderações de Tavares Bastos, dos depoimentos e comentários de Euclides da Cunha, do novo pensamento nacional, que, com diferentes feições, por vezes mesmo contrastantes, espelhava-se então na literatura social e política de autores como Oliveira Vianna, Pontes de Miranda, Jackson de Figueiredo, Tristão de Athayde, Vicente Licínio Cardoso, Roquette Pinto e diversos outros de igual merecimento, [54] todos, aliás, precursores, em maior ou menor medida, do Integralismo.

Mais importante obra política do Verde-Amarelismo, Literatura e Política pode ser considerada, em nosso sentir, um magnífico prelúdio do Integralismo, que, como não nos cansamos de afirmar e repetir, é um fruto do Modernismo equilibrado, e construtivo. Tal fato, a propósito, se torna patente em passagens como esta, do capítulo intitulado “Pela defesa nacional”:

A nossa obra (…) será de integração espiritual da nacionalidade. É o bandeirismo num sentido novo. (…) Precisamos agir no sentido de fundar sobre a pura tradição brasileira um sentido de independência e afirmação.

Não se pode negar o contingente da ação espiritual na economia dos povos. Essa força, que é inegável na história da humanidade, poderá ser a salvação do mundo contemporâneo. [55]

Tal força, que existe na pessoa humana “sob a forma de virtudes cívicas e privadas e acumula-se, como um patrimônio dos povos, sob a forma de tradições nacionais”, envolve “as próprias condições de existência da dignidade, do altruísmo, da abnegação, da obediência”, sendo tão somente por ela que “se concebe a Humanidade, concebendo-se, ao mesmo tempo, a Pátria e Família”. [56]

Despertar essa força seria, segundo o então futuro autor do Manifesto de Outubro, o grande movimento de meados do século XX e, no Brasil do tempo em que escrevia, despertá-la significava a própria defesa nacional. [57]

Em outra passagem do mesmo capítulo, Plínio Salgado já condenava não só o comunismo, como também o fascismo:

Aparecem duas tisanas para as doenças da Europa: o comunismo e o fascismo. Ambos, materialistas, decretam a falência da democracia: — ou triunfa o imperialismo econômico baseado no “nacionalismo”, no “fascismo”, na “ditadura militar”, ou vence o imperialismo político da Terceira Internacional.

Será esse o dilema para os jovens povos da América? Que rumo devem seguir os países novos, como o Brasil? Se pretendemos empreender a defesa da democracia, em face das prementes realidades econômicas dos povos, devemos colocar o problema sob o ponto de vista retardatário do liberalismo dos nossos partidos oposicionistas? [58]

Em tal trecho, podemos ver que já em 1927 Plínio Salgado entendia claramente que o fascismo e o comunismo não eram regimes adequados para o nosso Brasil e que era preciso salvar a Democracia, afastando-a dos erros e vícios do liberalismo. A posição do eminente escritor patrício no sentido de que o fascismo não era um regime adequado ao nosso País já fora, aliás, sustentada por ele no ano anterior, na magnífica página de seu poema em prosa O estrangeiro em que o personagem Juvêncio, mestre-escola que tem muito do próprio Plínio e mesmo o representa, diante da Cachoeira do Avanhandava, estrangula, um a um, os papagaios de Carmine Mondolfi, que cantavam sem parar o hino fascista Giovinezza. [59]

Isto posto, faz-se mister sublinhar que essa mesma posição seria diversas vezes reafirmada, nos anos seguintes, pelo escritor, pensador e líder político nacionalista brasileiro, em documentos como a famosa carta ao Sr. Manoel Pinto, então tabelião de São Bento do Sapucaí, de 4 de julho de 1930, [60] o igualmente célebre Manifesto da Legião Revolucionária de São Paulo, de 1931, e o livro Despertemos a Nação!, de 1935. No aludido Manifesto, com efeito, afirmou Plínio Salgado categoricamente que “não devemos transplantar para o Brasil nem comunismo, nem fascismo, nem outros sistemas exóticos”, [61] enquanto no referido livro aduziu ele que “o problema brasileiro é muito mais difícil que os da Rússia, da Itália e da Alemanha” e que, portanto, “os modelos de Lenine, de Mussolini e de Hitler, suas estratégias, seus processos não valem nada para o caso do Brasil”. [62] Do mesmo modo, Plínio Salgado, que sempre defendeu a autêntica Democracia Cristã e em 1945 deu à estampa a luminosa obra intitulada O conceito cristão da Democracia, [63] jamais deixou de defender a verdadeira Democracia, não por acaso tendo sido “Salvemos a Democracia!” o nome do discurso por ele proferido no Rio de Janeiro por ocasião da abertura do plebiscito em que foi escolhido o candidato da Ação Integralista Brasileira à Presidência da República, em 23 de maio de 1937. [64]

MODERNISMO E INTEGRALISMO

Mais importante produto do Modernismo construtivo e continuador nos campos político e cultural, o Integralismo é, ao mesmo tempo, a única filosofia política e o único grande movimento cívico-político derivado do Modernismo, [65] e, ademais, realizou uma grande epopeia moderna e modernista no sentido afirmativo e edificador do vocábulo. Daí não ser para nós surpresa alguma o fato de numerosos autores modernistas terem ingressado nas fileiras do Movimento do Sigma, a exemplo do próprio Plínio Salgado, de Tasso da Silveira, [66] Rui Ribeiro Couto, [67] Augusto Frederico Schmidt, [68] Dantas Motta, [69] Gerardo Mello Mourão, [70] Ranulfo Prata, Adonias Filho, Vinícius de Moraes, [71] Francisco Karam, Câmara Cascudo, Carvalho Filho, Francisco Luís de Almeida Salles, [72] Nóbrega de Siqueira, [73] Madeira de Freitas, Jayme de Castro, [74] Júlio César de Mello e Souza (Malba Tahan), [75] Paulo Fleming, De Lima Netto, [76] Brasil Pinheiro Machado, [77] Othon Gama d’Eça, Mansueto Bernardi, [78] Abgar Renault, Miguel Reale, Durval Passos de Mello, [79] Marcus Sandoval, [80] José Mayrink de Souza Mota, [81] Genésio Pereira Filho, Francisco Marins, [82] Nertan Macedo, Carmen Pinheiro Dias, [83] Carlos Matheus [84] e Alfredo Leite, assim como nas mesmas fileiras ingressaram também autores ao menos modernos, como Judas Isgorogota (pseudônimo de Agnelo Rodrigues de Melo), [85] J. G. de Araújo Jorge, [86] Eulálio Motta e Gustavo Barroso, que, aliás, escreveram algumas poesias que bem podem ser classificadas como modernistas, ou, ainda, como Olegário Mariano, Rosalina Coelho Lisboa e Catulo da Paixão Cearense, valendo lembrar também que Mário Chamie, criador da chamada Poesia Práxis, pertenceu, no início da década de 1950, ao chamado Movimento Águia Branca, de orientação integralista e cujo Presidente de Honra era Plínio Salgado. Cumpre sublinhar, ainda, que Ronald de Carvalho, o magistral bardo modernista de Toda a América, morreu, segundo alguns, decidido a ingressar nas fileiras da Ação Integralista Brasileira, tendo tido na véspera do acidente automobilístico que o vitimou uma longa conversa com o Prof. Vicente Rao, então Ministro da Justiça, em que fez a apologia do Integralismo, conforme relatou à revista Anauê! o seu filho Arthur Accioly Ronald de Carvalho, [87] que, aliás, aderiu ao Integralismo.

Além dos diversos autores modernos ou modernistas que militaram nas fileiras do chamado Movimento do Sigma, muitos são os vultos da Moderna Literatura Pátria que foram, ao menos em algum momento de suas vidas, simpatizantes do Integralismo, como Menotti Del Picchia, [88] Guilherme de Almeida, [89] Cândido Motta Filho, [90] Tristão de Athayde (Alceu Amoroso Lima), [91] Octavio de Faria [92], Lúcio Cardoso, [93] Murillo Araújo, [94] Guimarães Rosa [95] e Dinah Silveira de Queiroz. [96]

No artigo “A enxurrada”, estampado na revista Festa em janeiro de 1928 [97] e transcrito em Definição do Modernismo Brasileiro, [98] de 1932, Tasso da Silveira, ao falar da onda renovadora que descera sobre as nossas artes, citou entre os expoentes de tal onda não apenas Plínio Salgado, mas diversos outros futuros integralistas, a saber, Ribeiro Couto, Augusto Frederico Schmidt, Francisco Karam e Abgar Renault, além do há pouco mencionado Ronald de Carvalho. Citou, ainda, Rodrigues de Abreu, que era amigo de Plínio Salgado e possuía ideias próximas das suas e grande admiração por ele, a quem, aliás, dedicou o seu mais célebre poema, “Casa destelhada”, [99] e sobre cujo romance O estrangeiro escreveu um magnífico artigo, [100] em que o saudou como o “Bielinsky e Gogol do Brasil que renasce”, [101] tendo Carlos Lopes de Mattos afirmado que tal artigo “parece indicar que, caso Abreu não morresse tão cedo, tornar-se-ia integralista ardoroso”. [102] Aliás, tendo citado os nomes de Plínio Salgado e de Rodrigues de Abreu, julgamos ser mister salientar que o primeiro escreveu sobre o segundo páginas magníficas, que se encontram em suas obras Despertemos a Nação!, [103] de 1935, e A inquietação espiritual na Literatura Brasileira, [104] de 1956. Seguem as palavras do vate de Canções a Curitiba (Tasso da Silveira) a respeito da aludida onda renovadora:

A onda renovadora — a verdadeira onda renovadora de nossa arte — é um fato! Mais impetuosa nuns, menos impetuosa noutros, ela transmitiu os seus profundos estremecimentos ao espírito comovido de duas a três dezenas de artistas, que são hoje a nossa glória jovem e a consoladora certeza dos nossos destinos espirituais.

A onda renovadora palpita em mais de um poema deslumbrante, em mais de uma cristalina página de alta prosa. Nas estranhas cadências universalistas de Cecília Meireles. Nos puros cristais de ambiente interior e exterior e nas faiscações de imagens de Andrade Muricy. No silvestre sabor do “Meu”, de Guilherme de Almeida. Nas iluminações “a giorno” de Murillo Araújo. No delicioso “ritmo dissoluto” de Manuel Bandeira. Nas almas pisadas e nas folhagens pisadas, rescendentes a trópico, desse admirável Plínio do “Estrangeiro”. Nas bocas erguidas para os beijos ansiados, dos poemas novos de Gilka. Nas vegetais, telúricas nostalgias de Barreto Filho. Na espiritualidade delicadíssima dos versos de Lacerda Pinto. Na fascinante crítica descobridora de Henrique Abílio. No “Toda a América” de Ronald de Carvalho, poema de quem não é poeta, poema feito só de inteligência e decalcado em ritmo whitmaniano, mas em que há uma graça de jogo vocabular que os períodos anteriores de nossas letras não conheceram. Nos incomparáveis interiores e nas frescas paisagens provincianas de Ribeiro Couto. Na alegria de sol amanhecente das páginas jogralescas de Brasílio Itiberê. Nas fundas cadências brasileiras de Jorge de Lima. Nas adivinhações surpreendentes de Adelino Magalhães. Na recolhida, brasileiríssima ternura amorosa de Abgar Renault e Emílio Moura. No messianismo neorromântico de Wellington Brandão. Nas pinceladas largas, a verde e amarelo, de Cassiano Ricardo. No religiosismo lírico de Karam. Na jovialidade garota de Alcântara Machado. Nos bonecos que vivem, de Menotti Del Picchia. Nas revelações da alma infantil, de Guiherme de Castro e Silva. Na ação dinâmica e na individualidade desbordante de Mário de Andrade e nas novelas novas de Oswald. Nas fundas vozes de renúncia dolorosa de Rodrigues de Abreu. No fervor claro de Heitor Alves. No pomar verde que é a poesia de Augusto Meyer. Nos seres opressos de José Américo de Almeida. Nas jeremiadas, de forte acento, de Schmidt… [105]

Tasso da Silveira

Com exceção de Mário e Oswald de Andrade, cujo valor, aliás, não negamos, todos os autores citados por Tasso da Silveira no trecho que acabamos de transcrever podem ser considerados modernistas edificadores. A propósito, havendo mencionado Mário de Andrade e feito alusão aos modernistas edificadores, reputamos ser mister evocar o fato de que, em sua conferência O Movimento Modernista, de 1942, o autor de Macunaíma disse que, a despeito de haver “inúmeros processos e ideias novas, o modernismo foi essencialmente destruidor”, inclusive para os seus próprios adeptos, “arrebatados pelos ventos da destruição” e por eles prejudicados em sua “capacidade de produção e serenidade criadora”. [106] De acordo com o poeta da Pauliceia desvairada, existiam, porém, alguns modernistas que pretendiam construir e não destruir, citando Plínio Salgado como primeiro exemplo desses modernistas edificadores e afirmando que justamente por almejar construir e não demolir, Plínio “era posto de parte” pelos modernistas demolidores como ele, nunca tendo por isso posto os pés nos salões por eles frequentados.[107] Da mesma forma, conforme o bardo da Lira paulistana, Graça Aranha, que igualmente “sonhava construir, se atrapalhava muito” entre tais modernistas, que, ademais, ficavam assombrados quando a “‘gente séria’” do grupo de Festa, do Rio de Janeiro, tomava a sério suas blagues e arremetia contra eles.[108]

Como vimos, Mário de Andrade disse que Plínio Salgado jamais pôs os pés nos salões frequentados pelos modernistas demolidores. Em verdade, porém, ele pisou no mais importante deles, o de D. Olívia Guedes Penteado, embora em seus tempos finais, quando os modernistas destruidores já não o frequentavam tão assiduamente. Aliás, o próprio Mário de Andrade observou, na há pouco aludida conferência, que, nos últimos tempos de tal salão, “o integralismo encontrava algumas simpatias entre as pessoas da roda”, [109] cumprindo salientar que, diversamente do que disse o poeta do Clã do jabuti, o Integralismo não encontrou só algumas simpatias entre os frequentadores do referido salão, mas também adesões como as de Marcel da Silva Telles, irmão do poeta Goffredo Teixeira da Silva Telles, genro de D. Olívia e pai, dentre outros, de Goffredo e Ignacio da Silva Telles, que, como seus tios Marcel e Maurício, vestiram a camisa-verde do Movimento Integralista, que, aliás, contou com a simpatia dessa grande Mecenas do Modernismo que foi D. Olívia. [110]

Conforme afirmou, honestamente, Mário de Andrade, o movimento de Inteligência que ele e outros representavam naquilo que reputava ser sua fase “verdadeiramente modernista” não foi o fator das mudanças político-sociais posteriores a ele em nosso País. [111] Segundo ele, a “normalização do espírito de pesquisa estética, antiacadêmica, porém não mais revoltada e destruidora”, foi a seu ver “a maior manifestação de independência e de estabilidade nacional que já conquistou a Inteligência brasileira”. Nas palavras do autor de O empalhador de passarinho,

como os movimentos do espírito precedem as manifestações das outras formas da sociedade, é fácil de perceber a mesma tendência e conquista de expressão própria, tanto na imposição do verso livre antes de 30, como na “marcha para o Oeste” posterior a 30; tanto na Bagaceira [de José Américo de Almeida], no Estrangeiro [de Plínio Salgado], na Negra Fulô [de Jorge de Lima] anteriores a 30, como no caso da Itabira e a nacionalização das indústrias pesadas, posteriores a 30. [112]

Parafraseando Mário de Andrade, podemos afirmar que é fácil perceber o mesmo espírito tanto nas páginas transbordantes de Brasilidade dos romances O estrangeiro e O esperado, de Plínio Salgado, e Cabocla, de Ribeiro Couto, anteriores a 7 de outubro de 1932, quanto na inigualável obra cívica e social realizada pela Ação Integralista Brasileira a partir de tal data; [113] tanto nos magníficos versos livres de obras como Toda a América, de Ronald de Carvalho, Canto do brasileiro, de Augusto Frederico Schmidt, A alma heroica dos homens, de Tasso da Silveira, e Um homem na multidão, de Ribeiro Couto, antes de 7 de outubro de 1932, quanto na campanha anticomunista realizada a partir de tal data vital no triunfo do Brasil contra os comunistas em 1935 [114] e em 1964 e nos anos seguintes; tanto nos contos de O crime do estudante Batista e Baianinha e outras mulheres e nas crônicas de A cidade do vício e da graça, de Ribeiro Couto, e em fundamentais obras de ensaios como Literatura e Política, de Plínio Salgado, e Definição do Modernismo Brasileiro, de Tasso da Silveira, anteriores ao 7 de outubro de 1932, quanto na posterior elaboração da chamada Lei da Usura, de 1933, [115] e de leis como aquelas da Remessa de Lucros (1962) e do Sistema Financeiro Nacional (1964), dentre inúmeras leis e normas constitucionais aprovadas no Brasil a partir da década de 40 do século passado; tanto na participação de Plínio Salgado na Semana de Arte Moderna de 1922, no Teatro Municipal de São Paulo, quanto na leitura do Manifesto de Outubro, documento inaugural do Integralismo, pelo seu autor, o mesmo Plínio Salgado, no mesmo Teatro Municipal, nos idos de outubro de 1932…

CONCLUSÃO

Como procuramos demonstrar no presente artigo, o Integralismo é produto do Modernismo autêntico, construtivo e continuador no campo político, constituindo a um só tempo a única filosofia política e o único grande movimento cívico-político e cultural derivado do Modernismo, assim como uma verdadeira epopeia moderna e modernista na acepção sadia e edificadora do termo.

Reunindo diversos expoentes do Modernismo equilibrado e edificador de que é fruto, o Integralismo foi, juntamente com este, o fator de inúmeras mudanças políticas e sociais relevantes em nosso País, tendo, ainda, realizado a maior obra cívica e cultural de que se tem notícia em toda a História Pátria.

Esperamos haver realizado, por meio destas linhas, uma contribuição, ainda que modesta, à luta pela restauração da verdade acerca do Modernismo autêntico, construtivo e continuador e do Integralismo, que, como se sabe, há anos têm sido alvo de absurdas mentiras de seus inimigos, muitos deles “viúvas” do Modernismo desequilibrado e demolidor e, por vezes, também do comunismo e de outras nefastas ideologias exóticas e materialistas.

Victor Barbuy
São Paulo Σ SP.

LEIA TAMBÉM  Plínio Salgado, a Semana de 1922 e o Modernismo

Notas e referências:

[1] Entrevista concedida ao programa Roda Viva, da TV Cultura, em 13 de novembro de 2000. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=GXj4DZNCveY. Acesso em 05 de maio de 2022.

[2] CF. IVO, Lêdo. Lição de Mário de Andrade (coleção Os cadernos de Cultura, nº 24). Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Saúde, Serviço de Documentação, 1952, p. 18.

[3] 1922 – Itinerário de uma falsa vanguarda: os dissidentes, a Semana e o Integralismo. São Paulo: Brasiliense, 1983.

[4] Estado Corporativo. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1937, p. 24.

[5] A Teoria das Cortes Gerais. 2ª edição. Lisboa: qp, 1975, p. 283. Grifos em itálico no original.

[6] “Cateretê n. 5 para sanfona e violão”. In: Festa, Ano I, N.º 9, Rio de Janeiro, junho de 1928, pp. 5-8.

[7] “Cateretê n. 5 para sanfona e violão”. In: Definição do Modernismo Brasileiro. Rio de Janeiro: Edições Forja, 1932, pp. 76-88.

[8] Idem, p. 84.

[9] Idem, p. 85.

[10] Idem, loc. cit.

[11] Como escreveu Plínio Salgado, “o que é vivo no Passado identifica-se com o que é vivo no Futuro”, enquanto “tudo o que é resíduo, o que é morto, o que é inutilidade do Pretérito atravanca o Presente, gerando os miasmas da morte”. Daí, segundo ele, os integralistas combaterem o Passado (naquilo que este tem de morto, evidentemente) e serem, ao mesmo tempo, tradicionalistas [Prefácio à obra Democracia Integralista, de Jaime Regalo Pereira (1936). In: Críticas e prefácios. 2ª edição. In: Obras Completas. 2ª edição. Volume 19. São Paulo: Editora das Américas, 1959, p. 245].

[12] Manifesto de Novíssima. In: GUELFI, Maria Lúcia Fernandes. Novíssima: Estética e ideologia na década de vinte. São Paulo: Universidade de São Paulo: Instituto de Estudos Brasileiros, 1987, p. 226. Texto originalmente publicado na revista Novíssima (Ano I, nº 1, São Paulo, Rossetti & Rocco, Dez. de 1923).

[13] A Revista, Ano I, Nº 1, Belo Horizonte, Jul. de 1925, p. 32.

[14] “Integralismo e Arte”. In: DANTAS, San Tiago (Autor); DUTRA, Pedro (Organizador). Escritos políticos, 1929-1945. Posfácio de José Casado. São Paulo: Singular, 2016, p. 411.

[15] Idem, loc. cit.

[16] Idem, loc. cit.

[17] Idem, pp. 411-412.

[18] Estado Corporativo. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1937, pp. 24-25.

[19] Idem, p. 25.

[20] Idem, loc. cit.

[21] Idem, pp. 25-26.

[22] Psicologia da Revolução. 6ª edição. In: Obras Completas. 2ª edição. Volume 7. São Paulo: Editora das Américas, 1957, p. 118. Obra originalmente publicada em 1933.

[23] O Romantismo: Introducção ao estudo do pensamento nacional. 2ª edição. São Paulo: Editorial Política, 1932, p. 125.

[24] Estado Corporativo. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1937, p. 26.

[25] Idem, loc. cit.

[26] “A ‘Semana de Arte Moderna’ no seu cinquentenário” (discurso proferido na sessão da Câmara dos Deputados de 10 de maio de 1972). In: Discursos parlamentares (Volume 18 – Plínio Salgado), Seleção e introdução de Gumercindo Rocha Dorea. Brasília: Câmara dos Deputados, 1982, p. 574. Também disponível em: https://integralismo.org.br/documentos/a-semana-de-arte-moderna-no-seu-cinquentenario/. Acesso em 05 de maio de 2022.

[27] Cf. SILVEIRA, Tasso da. Estado Corporativo. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1937, p. 26.

[28] Idem, loc. cit.

[29] Idem, pp. 26-27.

[30] Idem, p. 27.

[31] Idem, loc. cit.

[32] Vale lembrar que o Conselheiro José de Alencar não foi apenas um notável romancista, dramaturgo, jornalista e poeta, como também um ilustre estadista e jurisconsulto, tendo exercido os cargos de Deputado Geral do Império e de Ministro da Justiça e publicado obras como O sistema representativo e A propriedade, além das célebres Cartas de Erasmo.

[33] Aparte a Menotti Del Picchia, proferido na Câmara dos Deputados, em Brasília, durante a sessão de 22 de fevereiro de 1962, em que Menotti fez um discurso em celebração dos quarenta anos da Semana de Arte Moderna de 1922. In: Diário do Congresso Nacional, Ano XVII, N.º 25, Rio de Janeiro, 17 de março de 1962, p. 814. Cumpre ressaltar, ademais, que muitos simbolistas brasileiros reagiram contra o formalismo excessivo dos parnasianos, alguns deles, como Guerra Duval, Alberto Ramos e Mário Pederneiras, tendo sido pioneiros do verso livre no Brasil, o que faz com que, também no quesito da forma, possam os simbolistas ser considerados precursores do Modernismo no Brasil, como, aliás, bem frisou Plínio Salgado em artigo sobre o “Modernismo literário no Brasil”, publicado em 19 de setembro de 1968 no Diário de São Paulo, no Diário do Paraná e em outros jornais da cadeia dos Diários Associados.   

[34] Cf. SILVEIRA, Tasso da. Estado Corporativo. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1937, p. 27.

[35] Idem, p. 28.

[36] Idem, loc. cit.

[37] Pascal e a inquietação moderna. Rio de Janeiro: Centro D. Vital, Annuario do Brasil; Lisboa: Seara Nova; Porto: Renascença Portuguesa, 1922, p. 9.

[38] Estado Corporativo. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1937, p. 29.

[39] Idem, loc. cit.

[40] Idem, p. 30.

[41] Despertemos a Nação!. 3ª edição. In: Obras Completas. Volume 10. 2ª edição. São Paulo: Editora das Américas, 1959, p. 9.

[42] “Notas à margem desta edição de 1956”. In: Literatura e Política. 2ª edição. In: Obras Completas. Volume 19. 1ª edição. São Paulo: Editora das Américas, 1956, p. [11].

[43] Idem, loc. cit.

[44] Idem, loc. cit.

[45] Idem, p. [15].

[46] Idem, pp. [15-16].

[47] Literatura e Política. 2ª edição. In: Obras Completas. Volume 19. 1ª edição. São Paulo: Editora das Américas, 1956, p. 20.

[48] Idem, pp. 20-21.

[49] Idem, p. 21.

[50] Idem, pp. 21-22.

[51] Idem, p. 22.

[52] Idem, p. 23.

[53] Idem, loc. cit.

[54] Idem, p. 22.

[55] Idem, pp. 68-69

[56] Idem, p. 69.

[57] Idem, loc. cit.

[58] Idem, pp. 64-65.

[59] O estrangeiro. 8ª edição. Desenhos de Poty. Nota de Monteiro Lobato. Rio de Janeiro: Editora José Olympio, 1972, p. 197.

[60] In: VV.AA. Plínio Salgado. 4ª edição. São Paulo: Edição da Revista Panorama, 1937, p. 19.

[61] Manifesto da Legião Revolucionária de São Paulo. Disponível em: https://integralismo.org.br/documentos/manifesto-da-legiao-revolucionaria-de-sao-paulo/. Acesso em 05 de maio de 2022.

[62] Despertemos a Nação!. 3ª edição. In: Obras Completas. Volume 10. 2ª edição. São Paulo: Editora das Américas, 1959, p. 93. Cumpre frisar que o texto “Fisionomia”, de que extraímos essa citação, foi originalmente escrito em 1931.

[63] O conceito cristão da Democracia. 1ª edição. Coimbra: Edições Estudos, 1945.

[64] “Salvemos a Democracia!”. In: O Integralismo perante a Nação. 3ª edição. In: Obras Completas. 2ª edição. Volume 8. São Paulo: Editora das Américas, 1959, pp. 179-200.

[65] Não negamos os méritos do movimento “Bandeira”, que, fundado em 1936, teve em Menotti Del Picchia e Cassiano Ricardo os seus principais doutrinadores e líderes e de que fizeram parte também, dentre outros, intelectuais e homens de letras como Valdomiro Silveira, Monteiro Lobato, Guilherme de Almeida, Paulo Setúbal, Plínio Barreto, Cândido Motta Filho, Alcântara Machado, Vicente Rao, Paulo Prado, Rubens do Amaral, Alfredo Ellis Junior, Guilherme Figueiredo, Pero Neto e Mário de Andrade, ainda que este último logo tenha se arrependido de assinar o manifesto da “Bandeira” e inclusive pedido a Cassiano que riscasse o seu nome dele, o que este, evidentemente, não fez (Cf. RICARDO, Cassiano. Viagem no tempo e no espaço (memórias). Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1970, pp. 105-107). Segundo movimento cívico-político e cultural que mais reuniu vultos ilustres de nossas letras em toda a História Pátria depois do Integralismo, ao contrário deste, o grupo “Bandeira” não conseguiu, porém, empolgar as chamadas “massas”, ficando praticamente restrito a parte dos meios intelectuais e artísticos de São Paulo e não sendo, pois, um grande movimento, e, da mesma forma, novamente ao contrário do Integralismo, não desenvolveu verdadeiramente uma filosofia política própria. A propósito, cabe ressaltar que, embora os dois principais líderes e doutrinadores da “Bandeira” e, em particular, Cassiano Ricardo, afirmassem que condenavam o Integralismo, não deixaram de sofrer clara influência deste e, sobretudo, de Plínio Salgado, defendendo diversas posições já defendidas antes pelo Integralismo e com um discurso bem semelhante ao deste, como, aliás, bem observou a pesquisadora Maria Lúcia Fernandes Guelfi (Novíssima: Estética e ideologia na década de vinte São Paulo: Universidade de São Paulo: Instituto de Estudos Brasileiros, 1987, pp.185-186), tendo mesmo plagiado Plínio Salgado em seu programa, conforme salientou Gustavo Barroso (A Sinagoga Paulista. 3ª edição. Rio de Janeiro: Empresa Editora ABC Limitada, 1937, p. 93). Aliás, o próprio lema adotado pelo movimento “Bandeira” não foi senão o lema integralista “Deus, Pátria e Família”.

[66] Na Coletânea de poetas integralistas, que se encontra no volume VII da Enciclopédia do Integralismo, organizada por Plínio Salgado e Gumercindo Rocha, encontra-se a bela “Saudação a Plínio Salgado” (Coletânea de poetas integralistas. In: Enciclopédia do Integralismo. Volume VII. Rio de Janeiro: Edições GRD, Livraria Clássica Brasileira, s/d, pp. 212-215), de Tasso da Silveira, ilustre vate e doutrinador integralista que também teve poesias publicadas em periódicos integralistas como a revista Anauê! e dois poemas transcritos no Poemário da vida heróica, organizado por Gumercindo Rocha Dorea e que faz parte da Coleção Águia Branca (Poemário da vida heroica. Rio de Janeiro: Livraria Clássica Brasileira, 1955, pp. 6-7 e 10-12).  

[67] Ribeiro Couto aderiu ao Integralismo logo nos primeiros tempos da Ação Integralista Brasileira e, como disse o Dr. Genésio Pereira Filho, seu sobrinho por afinidade, permaneceu fiel aos seus princípios essencialmente cristãos e brasileiros por toda a vida. Ademais, o autor de Cabocla e de um Homem na multidão defendeu o Integralismo em artigos publicados em diversos periódicos, como o Jornal do Brasil, onde, aliás, deu à estampa o célebre artigo “O cavaleiro do Brasil Integral”, sobre Plínio Salgado, depois transcrito na obra Plínio Salgado, editada pela revista Panorama, de São Paulo (In: VV.AA. Plínio Salgado. 4ª edição. São Paulo: Edição da Revista Panorama, 1937, pp. 95-103). Em entrevista concedida, em meados da década de 1930, ao Diário de Notícias, de Lisboa, e parcialmente transcrita por Milton Teixeira em Ribeiro Couto, ainda ausente, o autor de O jardim das confidências e de O crime do estudante Batista proclamou que os integralistas, entre os quais se incluía, queriam “o Brasil integrado na tradição, dentro dos moldes do Império”, combatendo o federalismo de estilo estadunidense, importado em nosso País pela Constituição de 1891. Em seguida, defendeu o Estado Corporativo e a denominada Democracia Orgânica, condenando a liberal-democracia, que, em seu sentir, representaria, em última análise, uma “ditadura de simples manipuladores de forças eleitorais”. Ainda na aludida entrevista, declarou Ribeiro Couto sua adesão ao Integralismo, que era, em seu entender, “uma ideia necessária” para o País, ressaltando que os integralistas mobilizavam “as forças do espírito brasileiro” e estavam “com as portas abertas” a todos aqueles que sentiam “a urgência de uma reconstrução total e corajosa”. (In: Ribeiro Couto, ainda ausente. São Paulo, Editora do Escritor, 1982, pp. 258-260).

[68] Muitos não sabem que Augusto Frederico Schmidt não apenas foi amigo de Plínio Salgado e editou diversos livros integralistas, como também foi, ele próprio, integralista. Com efeito, Miguel Reale escreveu, em suas memórias, que bem se lembrava de Schmidt de camisa-verde (Memórias. Volume I. Destinos cruzados. São Paulo: Saraiva, 1987, p. 82) e foi o poeta, ademais, um dos oradores da imponente sessão em homenagem aos heróis da Alcazar de Toledo, na Espanha, promovida pelo Departamento Provincial de Estudantes da Ação Integralista Brasileira do Rio de Janeiro, no Instituto Nacional de Música, na então Capital da República, em 31 de setembro de 1936 (Cf. A Offensiva, Anno III, nº 298, Rio de Janeiro, 30 de setembro de 1936, p. 1). Ademais, há no Arquivo Público e Histórico do Município de Rio Claro, no interior de São Paulo, uma carta em que Schmidt se refere a Plínio Salgado como “nosso Chefe” (Pi 33.00.00/1) e outra, dirigida a Plínio Salgado, em que se refere ao Integralismo como o “nosso movimento de redenção” (Pi 33.07.00/1.). No número 13 da revista Anauê!, do Rio de Janeiro, foi publicado o poema “A invisível presença”, de Augusto Frederico Schmidt, escrito especialmente para aquele periódico integralista (“A invisível presença”. In: Anauê!, Nº 13, Rio de Janeiro, março de 1937, p. 19).

[69] Na Coletânea de poetas integralistas (volume VII da Enciclopédia do Integralismo), podemos encontrar o belo poema “A voz do século: Anauê!” (Coletânea de poetas integralistas. In: Enciclopédia do Integralismo. Volume VII. Rio de Janeiro: Edições GRD, Livraria Clássica Brasileira, s/d, pp.68-69), desse grande poeta, considerado “o grande poeta de Minas” por Carlos Drummond de Andrade (In: DOREA, Gumercindo Rocha. Breve memória crítica da obra de Gerardo Mello Mourão. São Paulo: Edições GRD, p. 97), que, aliás, classificou o também ex-membro da AIB Gerardo Mello Mourão como “o grande poeta do Brasil”, afirmando que dizia “’o’ Gerardo, como se diz ‘o Dante’” (Idem, loc. cit.).

[70] Poeta de grandeza comparável à de seu amigo Ezra Pound e autor de uma epopeia, Invenção do Mar, já comparada a Os Lusíadas, de Camões, e à Mensagem de Fernando Pessoa, não se considerava um modernista, mas pensamos que assim possa ser classificado. Gerardo Mello Mourão teve poesias e textos em prosa publicados na revista Anauê! e, ademais, há três magníficos poemas de sua autoria na Coletânea de poetas integralistas, intitulados “Os três dias”, “A ronda da Pátria” e “Canto àquele que veio” (Coletânea de poetas integralistas. In: Enciclopédia do Integralismo. Volume VII. Rio de Janeiro: Edições GRD, Livraria Clássica Brasileira, s/d, pp. 83-94), dois deles publicados anteriormente na revista Anauê! (“Os três dias”. In: Anauê!, Ano II, Nº 12, setembro de 1936, p. 2; “A ronda da Pátria”; In: Anauê!, Nº 17, Rio de Janeiro, julho de 1937, p. 5).

[71] Cumpre lembrar que foi dado à estampa, no número 15 da revista integralista Anauê!, o “Soneto a Katherine Mansfield”, de Vinícius de Moraes, escrito especialmente para aquela importante revista integralista (In: Anauê!, Ano III, Nº 15, Rio de Janeiro, maio de 1937, p. 37).

[72] Na Coletânea de poetas integralistas (volume VII da Enciclopédia do Integralismo), encontra-se o “Poema do braço verde”, de Almeida Salles (Coletânea de poetas integralistas. In: Enciclopédia do Integralismo. Volume VII. Rio de Janeiro: Edições GRD, Livraria Clássica Brasileira, s/d, pp.55-58), que, embora paulista, chegou a ser Chefe Provincial da Ação Integralista Brasileira de Minas Gerais.

[73] O seu poema “Ciclo”, dedicado a Plínio Salgado, foi publicado na revista Anauê! (Anauê!, Nº 22, Rio de Janeiro, dezembro de 1937, p. 5) e depois transcrito na Coletânea de poetas integralistas (Coletânea de poetas integralistas. In: Enciclopédia do Integralismo. Volume VII, cit., pp. 167-169).

[74] Jayme de Castro escreveu, dentre outros, o célebre poema “A Noite dos Tambores Silenciosos”, lido todos os anos em todos os núcleos da Ação Integralista do Brasil no dia 7 de outubro, em celebração do aniversário do lançamento do Manifesto de Outubro, na cerimônia denominada “Noite dos Tambores Silenciosos”, e transcrito na Coletânea de poetas integralistas (Coletânea de poetas integralistas. In: Enciclopédia do Integralismo. Volume VII, cit., pp. 97-99) e também o poema “Lendo ‘Elevación’ de Amado Nervo”, transcrito no Poemário da vida heróica (Poemário da vida heroica. Rio de Janeiro: Livraria Clássica Brasileira, 1955, p. 13).

[75] Muitos veteranos da Ação Integralista Brasileira testemunharam a participação nela de Júlio César de Mello e Souza (mais conhecido pelo inicialmente heterônimo e depois ora heterônimo, ora pseudônimo de Malba Tahan), e cumpre ressaltar que ele citou diversos autores integralistas no monumental livro A sombra do arco-íris, o seu predileto e sem dúvida o mais belo e poético, escrito na década de 1930 e que contém versos e citações de inúmeros autores brasileiros e estrangeiros. Dentre os autores integralistas citados em A Sombra do arco-íris, podemos destacar Gustavo Barroso (citado mais de vinte vezes ao longo da obra), Tasso da Silveira, Augusto Frederico Schmidt, Judas Isgorogota, Abgar Renault, Francisco Karam, Dantas Motta, Gerardo Mello Mourão, Ribeiro Couto e, é claro, Plínio Salgado, de quem Júlio César de Mello e Souza transcreveu na íntegra a poesia “Canção das Águias” (A sombra do arco-íris. 11ª edição. São Paulo: Conquista, 1961. 3º volume, p. 639). Cumpre lembrar, por fim, que Júlio César de Mello e Souza afirmou, em entrevista dada a Silveira Peixoto e transcrita no livro Falam os escritores, que Gustavo Barroso era um de seus autores brasileiros prediletos (In: PEIXOTO, Silveira. Falam os escritores. São Paulo: Conselho Estadual de Cultura, 1976. Volume III, p. 175).

[76] Cumpre recordar que o criminosamente esquecido poeta Joaquim Eugênio de Lima Netto, mais conhecido como De Lima Netto ou Lima Netto, autor de obras como Mosaico (1929) e Lâmpada votiva (1933), foi Chefe Municipal da Ação Integralista Integralista Brasileira da cidade de São Paulo e fundador da Academia de Letras da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco e era neto do engenheiro Joaquim Eugênio de Lima, idealizador e realizador da Avenida Paulista.

[77] Foi transcrito na Coletânea de poetas integralistas o poema “Aquilo não era Brasil!”, de Brasil Pinheiro Machado (Coletânea de poetas integralistas. In: Enciclopédia do Integralismo. Volume VII, cit., p. 65).

[78] O inspirado poema “Embalo para um infante”, de Mansueto Bernardi, foi transcrito no Poemário da vida heroica (Poemário da vida heróica, cit., p. 8). Preso em 1938, pela ditadura do Estado Novo, em virtude de suas convicções integralistas, Mansueto Bernardi tratou dessa prisão em sua “Elegia do cárcere”, composta em 1940 (“Elegia do cárcere”. In: Terra convalescente. 3º edição. Porto Alegre: EST, Sulina, 1980, pp. 148-150).

[79] Cumpre lembrar que foram publicados na revista Anauê! a poesia “Ressurreição” (Anauê!, Ano I, Nº 1, Rio de Janeiro, página sem número)e o “Poema para Nossa Senhora Aparecida”(Anauê!, Ano III, Nº 16, Rio de Janeiro, junho de 1937, p. 49), de Durval Passos de Mello.

[80] Foram publicados na revista Anauê! os seus poemas “No jongo” (Anauê!, Nº 18, Rio de Janeiro, agosto de 1937, p. 7), “Palavras ao Mar” (Anauê!, Nº 19, Rio de Janeiro, setembro de 1937, p. 16), enquanto na Coletânea de poetas integralistas foram transcritos seu poema “O som da inúbia” (Coletânea de poetas integralistas. In: Enciclopédia do Integralismo. Volume VII, cit., pp. 159-160), escrito em Fernando de Noronha em 1939, quando se encontrava ali preso por ser integralista, e dedicado a Plínio Salgado, e a marcha “Brasil”, com letra e música de sua autoria (Idem, p. 161).

[81] Cumpre ressaltar que o grande poeta e orador integralista José Mayrink de Souza Mota, mais conhecido como Mayrink deu à estampa, em 1934, o livro de poemas integralistas Anauê! (Anauê! São Paulo: Editora Star, 1934) e teve várias de suas poesias transcritas na Coletânea de poetas integralistas (Coletânea de poetas integralistas. In: Enciclopédia do Integralismo. Volume VII, cit., pp. 129-158).

[82] Conforme nos disse Genésio Pereira Filho, que era muito próximo de Francisco Marins, este grande escritor paulista e brasileiro não foi apenas um grande admirador da obra de Plínio Salgado, como também um adepto da Doutrina essencialmente cristã e brasileira do Integralismo, e que sempre se dirigia a ele como “companheiro”.

[83] Foi transcrito no Poemário da vida heroica o poema “Exortação”, de Carmen Pinheiro Dias (Poemário da vida heroica. Rio de Janeiro: Livraria Clássica Brasileira, 1955, p. 20).

[84] Foram transcritos no Poemário da vida heroica o “Poema da grande noite” e a poesia “Cristo”, de Carlos Matheus (Poemário da vida heróica, cit., pp. 14 e 38).

[85] Foi transcrito na Coletânea de poetas integralistas (volume VII da Enciclopédia do Integralismo), o poema “A voz que tudo leva de vencida”, desse inspirado e injustamente esquecido poeta e jornalista (Coletânea de poetas integralistas. In: Enciclopédia do Integralismo. Volume VII, cit., pp.111-112).

[86] O seu poema integralista “Século de treva… século de luz…”, escrito especialmente para a revista Anauê! e nela publicado em seu primeiro número (Anauê!, Ano I, Número 1, Rio de Janeiro, janeiro de 1935, página sem número) foi transcrito na Coletânea de poetas integralistas (Coletânea de poetas integralistas. In: Enciclopédia do Integralismo. Volume VII, cit., pp. 102-103.

[87] In: Anauê!, Ano I, Nº 2, Rio de Janeiro, maio de 1935, p. 60. A afirmação de que Ronald de Carvalho havia feito a apologia do Integralismo ao Ministro Vicente Rao, na véspera do desastre automobilístico que ceifou sua vida, precede o artigo de Arthur Accioly Ronald de Carvalho intitulado “A Economia Liberal e o Integralismo”. 

[88] Faz-se mister salientar que, antes de criar o movimento A Bandeira, chegou Menotti Del Picchia a colaborar no jornal integralista A Offensiva, do Rio de Janeiro.

[89] Vale recordar que Guilherme de Almeida publicou em 1933, no jornal O Imparcial, da Bahia, um artigo intitulado “Defesa do Integralismo” (“Defesa do Integralismo”. In: O Imparcial, Ano XIII, N.º 727, Bahia (Salvador), 5 de agosto de 1933).

[90] Cabe lembrar que Cândido Motta Filho participou também da Sociedade de Estudos Políticos, fundada em 1932 por Plínio Salgado e por este encabeçada e que se constituiu na autêntica cellula mater do Integralismo, assim como é relevante rememorar os fatos de que Plínio Salgado e ele foram grandes amigos e de que Plínio prefaciou, em 1931, a sua obra Alberto Torres e o tema da nossa geração, publicado em 1931 pelo então futuro integralista Augusto Frederico Schmidt (Schmidt, editor).

[91] Como muitos sabem, Tristão de Athayde recomendou, na década de 1930, a adesão ao Integralismo a todos os católicos que tivessem vocação política e não ocupassem cargos de liderança na Ação Católica [Cf. LIMA, Alceu Amoroso (Tristão de Athayde). Indicações políticas: da revolução à constituição. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1936, p. 197].

[92] Cumpre ressaltar que Octavio de Faria colaborou nas revistas integralistas Anauê!, do Rio de Janeiro, e Panorama, de São Paulo, e também no jornal integralista A Offensiva, do Rio de Janeiro.

[93] Cabe sublinhar que Lúcio Cardoso publicou na revista Anauê! o artigo “O Norte e o Sul ou a falta de assunto” (In: Anauê!, Ano III, Nº 16, Rio de Janeiro, junho de 1937, p. 11), escrito especialmente para tal periódico.

[94] É mister assinalar que Murillo Araújo foi também um grande admirador de Plínio Salgado e de sua obra literária, havendo escrito sobre seu romance O estrangeiro uma página belíssima, transcrita na obra Plínio Salgado (Dedicatória tirada do livro A iluminação da vida. In: VV.AA. Plínio Salgado. 4ª edição. São Paulo: Edição da Revista Panorama, 1937, p. 271).

[95] Faz-se mister salientar que foi Guimarães Rosa também amigo de Plínio Salgado, como inclusive observou Juscelino Kubitschek, amigo de ambos, em carta a Plínio Salgado datada de 23 de julho de 1974 (In: VV.AA. Plínio Salgado: “In memoriam”. Volume I. São Paulo: Voz do Oeste/Casa de Plínio Salgado, 1985, p. 223).

[96] Gumercindo Rocha Dorea, que publicou, em 1960, a obra de ficção científica Eles herdarão a Terra: e outros contos absurdos, de Dinah e muito conviveu com ela, era testemunha de sua admiração por Plínio Salgado e sua obra literária, religiosa e política, assim como Genésio Pereira Filho, que também conviveu com a autora de A Muralha e Floradas na Serra. Vale lembrar, ainda, que Dinah era amiga de D. Carmela Patti Salgado, esposa de Plínio Salgado (temos, aliás, um exemplar de Floradas na Serra com dedicatória a D. Carmela), e era filha do grande intelectual e polígrafo brasileiro Alarico Silveira, amigo de Plínio Salgado e seu companheiro nos movimentos verde-amarelista e da Anta e autor da monumental Enciclopédia Brasileira, que infelizmente se perdeu na sede do Instituto Nacional do Livro (INL), segundo alguns destruída em decorrência de infiltrações de água, só havendo dela restado o primeiro volume, publicado em 1958 pelo INL, com coordenação de Américo Jacobina Lacombe, e que contém um honesto verbete sobre a Ação Integralista Brasileira.

[97] “A enxurrada”. In: Festa, Ano I, N.º 4, janeiro de 1928, pp. 4-7.

[98] “A enxurrada”. In: Definição do Modernismo Brasileiro. Rio de Janeiro: Edições Forja, 1932, pp. 49-61.

[99] “Casa destelhada”. In: Casa destelhada. 2ª edição. In: Poesias completas de Rodrigues de Abreu. Com uma introdução de Domingos Carvalho da Silva. São Paulo: Companhia Editora Panorama, 1952, pp. 215-216.

[100] Tal artigo, intitulado “O Estrangeiro”, se encontra transcrito na obra Plínio Salgado, de autoria coletiva, editada pela revista Panorama, dirigida por Miguel Reale (Plínio Salgado. 4ª edição. São Paulo: Edição da Revista Panorama, 1937, pp. 246-247.

[101] Idem, p. 247.

[102] Vida, paixão e poesia de Rodrigues de Abreu. 2ª edição. Capivari, SP: Gráfica Editora do Lar/ABC do Interior, 1986, p. 229. Lamentavelmente Carlos Lopes de Mattos em seguida afirmou que essa ardorosa adesão de Rodrigues de Abreu ao Integralismo talvez não ocorresse por conta de seu amor à liberdade, mostrando, assim, desconhecer o fato de que os autênticos integralistas amam a liberdade e defendem todas as liberdades concretas, que querem ver asseguradas numa autêntica Democracia Orgânica. Com efeito, todos os verdadeiros integralistas têm consciência de que, como aduziu Miguel Reale, no ensaio “Amor à liberdade”, publicado na revista Panorama, “erram aqueles que atribuem ao Integralismo o propósito de sufocar as liberdades populares”, desejando os integralistas, ao contrário, organizar o povo em suas associações ou grupos naturais “a fim de que ele possa ser de fato livre”. Ainda como expôs Reale, o Integralismo defende a garantia “de uma verdadeira e concreta liberdade, liberdade integral que consiste em poder de querer com conhecimento e consciência, e em poder de fazer com altivez e dignidade”. Consoante frisou o autor de O Estado Moderno, “na ordem política, em verdade, o objetivo da doutrina do sigma é realizar a representação popular na verdadeira democracia que tão somente é aquela que se institui sobre bases sindicais e corporativas” e o conceito de liberdade de tal Doutrina é integral e realista, visando a defesa dos direitos naturais do ente humano, sem sacrificar o direito do Estado, que é o de coordenar e dirigir, sem ofender os princípios morais, para o Bem Comum da Nação e o bem particular de todos [“Amor à liberdade”. In: Panorama: collectanea mensal do pensamento novo, Ano I, N. 3, São Paulo, março de 1936, pp. 1-4. Os trechos citados se encontram na página 4. O texto “Amor à liberdade” foi também transcrito, com algumas ligeiras modificações, na obra Atualidades brasileiras, de Miguel Reale, dada à estampa em 1937, nela passando a fazer parte de um ensaio maior intitulado “O problema da liberdade e a Revolução necessária” (Atualidades brasileiras. 2ª edição. In: Obras políticas (1ª fase – 1931/1937). Brasília: Universidade de Brasília, 1983, pp. 79-85].

[103] Despertemos a Nação!. 3ª edição. In: Obras Completas. Volume 10. 2ª edição. São Paulo: Editora das Américas, 1959, pp. 18-19 e 69-75.

[104] A inquietação espiritual na Literatura Brasileira. 2º edição. In: Obras Completas. Volume 17. 2ª edição. São Paulo: Editora das Américas, 1959, pp. 334-336.

[105] “A enxurrada”. In: Definição do Modernismo Brasileiro, cit., pp.54-55.

[106] O Movimento Modernista. Rio de Janeiro: Edição da Casa do Estudante do Brasil, 1942, pp. 39-42.

[107] Idem, p. 40.

[108] Idem, pp. 40-41.

[109] Idem, p. 38.

[110] Em belo artigo intitulado “São Paulo de 1920-1930” e publicado em O Jornal, no Diário de São Paulo, no Diário do Paraná e em outros jornais da cadeia dos Diários Associados em 2 de dezembro de 1964, Plínio Salgado evocou as “reuniões em casas fidalgas como a daquela Mecenas do nosso tempo, que assinalou uma época de requintes intelectuais: D. Olívia Guedes Penteado”. Segundo ele, “ali, numa atmosfera dos salões do Império”, estavam o poeta Goffredo Teixeira da Silva Telles, seu irmão Marcel e as distintas Maria e Carolina, filhas da anfitriã. 

[111] O Movimento Modernista, cit., p. 42.

[112] Idem, pp. 64-65.

[113] Com efeito, o Integralismo, na década de 1930, soprou fortemente a brasa do patriotismo e do mais sadio e edificador nacionalismo aparentemente adormecidos no povo brasileiro e constituiu o mais fulgurante grupo de intelectuais de toda a história da Inteligência Brasileira. Ensinou o povo a cantar o hino nacional, promoveu o culto das datas históricas e dos heróis da nossa História, realizando grandes festividades em sua memória; abriu cerca de três mil escolas de alfabetização para adultos, ensinando dezenas de milhares de brasileiros a ler e escrever e empreendendo a primeira grande campanha de alfabetização de nosso País; criou cerca de mil lactários para a infância e milhares de ambulatórios médicos, além de diversas farmácias, caixas de socorro e escolas de enfermagem, tendo sido o primeiro movimento cívico-político do Brasil a organizar uma assistência; organizou inúmeras bibliotecas e fez dar cursos de História do Brasil, Geografia, Instrução Moral e Cívica e elementos de Filosofia e de Direito Público; realizou diversos concertos musicais, exposições de artes e cursos de Cultura Artística e fez diversas outras coisas, que seria fastidioso enumerar aqui.

[114] Cumpre recordar que Luís Carlos Prestes reconheceu o papel fundamental do Integralismo na derrota da Intentona Comunista de 1935 em uma circular secreta publicada no jornal A Batalha, do Rio de Janeiro, em 18 de janeiro de 1936.

[115] O projeto que culminou na chamada “Lei da Usura” (Decreto 22.626, de 7 de abril de 1933) foi redigido pelo integralista João Carlos Fairbanks a pedido de Plínio Salgado, que o revisou, e entregue a Osvaldo Aranha, então membro da Ação Integralista Brasileira e Ministro da Fazenda, que, depois de fazer algumas alterações no documento, tratou de fazer com que Vargas o assinasse, conforme relatou Fairbanks em artigo publicado no jornal A Marcha, do Rio de Janeiro, em 23 de outubro de 1953 (“Agricultores do Brasil, uni-vos”. In A Marcha, Ano I, nº 36, Rio de Janeiro, 23 de outubro de 1953, p. 3).

Inscrever-se!
Acompanhar
guest
0 Comentários
Inline Feedbacks
Ver todos os comentários
0
Este texto aceita comentários!x
()
x