No dia em que tudo acontecia, preocupados com a situação, ouvimos de alguma comentarista na TV que a democracia não nasce do terror. É uma ilusão, como apontou, que dos Robespierres tenha um dia saído a democracia.

Refletimos bastante sobre isso, enquanto víamos as cenas da destruição sistemática dos prédios do Poder Público em Brasília. Mas bem mais fundo tem isto calado em nós enquanto assistimos à reação, com atos de uma tirania que assusta todos os brasileiros. Sabemos que não assistimos a qualquer renascimento democrático.

O novo governo, coerente com suas raízes marxistas-leninistas, age de forma amadora, desumana e ilegal”, disse corajosamente o Senador-eleito General Hamilton Mourão. Os assessores radicais de Lula, revanchistas e comunistas — se bem que vitoriosos por uma “frente ampla” de “conciliação nacional” —, quiseram aproveitar o triste momento para centralizar a força contra seus inimigos políticos, instaurando um estado de sítio não-oficial no Brasil. Deposições e prisões, investigações absurdas, decisões injurídicas, se não fosse por levarem às cenas tristes de centenas de idosas e crianças em condições precárias ilegalmente nos galpões da Polícia Federal, teriam já sua inacreditável luz autoritária na suspensão e exclusão social do juiz Wauner Batista Machado, da 3ª Vara da Fazenda Pública Federal de Belo Horizonte, pelo “crime” de, dois dias antes das depredações, permitir um direito constitucional aos populares bolsonaristas na capital mineira…

Para todos os efeitos, o Brasil, em nome da democracia, entrou agora em uma ditadura. Esta, como instituto jurídico, vem de Roma, exatamente na forma de uma concentração de poder em situações excepcionais. O sentido, porém, desse estado foi bem definido por Lula em seu primeiro discurso de reação. Não se trata de um combate de exceção a criminosos, mas a tudo que, na ótica do atual governo e seus batedores, seja, direta ou indiretamente, causa, ainda que remota, dos crimes. É evidente que toda organização de uma força de contrariedade ao atual Governo será interpretada como “causa” de atos contrários ao mesmo Governo… Nessa engrenagem, fácil será a cada vez maior concentração da força, a supressão de todas as liberdades, o silenciamento de inimigos políticos e a perseguição implacável, em incrível holocausto aos “deuses da democracia” de Luís Roberto Barroso.

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O novo estado de sítio, portanto, não se manterá estático. Cremos que uma ação política inteligente pode contê-lo, ainda que sem ser capaz de extirpar o cancro dos candidatos a autocratas que dominam as altas esferas de Brasília. É, porém, possível que ele se intensifique, levando todo o país a uma era de terror e vingança.

Nesta hipótese, não nos preocupamos. O brasileiro é um dos povos mais valentes de quantos têm passado pela história. Ele saberá defender seus direitos, tão avesso ao crime, à depredação e ao caos quanto à tirania, como poderão facilmente descobrir os que queiram dominá-lo.

Matheus Batista
Ipatinga Σ MG