Economista e empresário da construção civil. É uma das pessoas mais ilustres da história de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, onde foi sempre o principal líder integralista.

Em 1942, teve sua casa invadida e objetos pessoais queimados, na perseguição ao Integralismo. Quando policiais estavam prestes a atirá-lo pela janela, foi salvo, sendo arrastado pela Avenida Rio Branco para servir de exemplo aos “maus brasileiros”.

Tornou-se vereador do PRP em 1952, assumindo a presidência da Câmara Municipal em quase todos os anos. Com o falecimento de Wolfram Metzler, em 1957, Cechella passou a substituí-lo na presidência do Instituto Nacional de Imigração e Colonização, sob o acordo firmado pelo PRP com Juscelino Kubitschek. Ocupou o cargo até 1960. Ao tomar posse, recebeu ordens expressas de Plínio Salgado para que não aceitasse injunções políticas de ninguém, a começar por ele mesmo. Reorganizou o Instituto partindo da conexão administrativa com o conjunto dos Ministérios, do recrutamento exclusivo de técnicos, desagradando até a elementos do PRP, e da organização contábil, que acabou com os desvios de dinheiro público no órgão. Tanto para a construção de Brasília quanto para a implantação da indústria automotiva no Brasil, sua gestão foi responsável por toda a mobilização e formação de mão-de-obra. No primeiro caso, foi responsável também por organizar núcleos agrícolas para o abastecimento. Entre 1957 e 1960, realizou para 36 mil famílias a primeira e mais bem-sucedida reforma agrária na história do Brasil. Em seus núcleos agrários, amparou principalmente o Nordeste, no qual tomou a frente do combate à Grande Seca de 1957. Pelo seu apoio à comunidade japonesa de Santa Maria no comando da autarquia, recebeu a comenda de Grande Oficial da Ordem do Sol Nascente, do governo do Japão, em 1961.

Walter Cechella foi um líder nacional e regional do cooperativismo, não só como diretor gerente da Caixa Rural de Santa Maria por 25 anos, mas ainda diretor técnico da União Nacional das Cooperativas e vice-presidente da Aliança Brasileira Cooperativa, além de diretor presidente da Cooperativa Central das Caixas Rurais do Rio Grande do Sul por 10 anos. Era professor de Economia da Universidade Federal de Santa Maria, onde chegou a ser Coordenador do Curso de Economia.

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O Morro do Cechella, que era de sua propriedade, é batizado com seu nome.

Mais informações

Walter Cechella nasceu em 25 de agosto de 1915, em Santa Maria, filho de Luiz Cechella e Amantina Izabella Dietrich Adamy. No Colégio Santa Maria cursou Contabilidade, iniciando como professor no curso de sua formação escolar, no mesmo Colégio. Já trabalhava como estudante, na atividade imobiliária, fazendo diversos desmembramentos e loteamentos em Santa Maria. Formou-se em Ciências Econômicas na Faculdade de Economia da PUC de Porto Alegre, em 1935. Casou-se em 20 de junho de 1942 com Lucy Abaide, então com 20 anos. Foi presidente da Associação Comercial de Santa Maria de 1957 a 1967, e presidente da Câmara de Comércio e Indústria de Santa Maria em 1982. Faleceu em 22 de agosto desse ano.

Referências biográficas

  • DALMOLIN, Cátia Regina Calegari. Em nome da Pátria: as manifestações contra o Eixo em Santa Maria, no dia 18 de agosto de 1942. Programa de Pós-Graduação em História do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade de Passo Fundo. Passo Fundo, novembro de 2006.
  • FAMÍLIA CECCHELLA. Netos de Luigi Cecchella — A 2ª geração. S. d.
  • SOARES, André Luís; SOUZA, Cristiéle Santos. Imigração japonesa em Santa Maria através do jornal A Razão: 1956-1958. IX Encontro Estadual de História da Seção da Associação Nacional de História (ANPUH) do Rio Grande do Sul.