Sacerdote e psicólogo. Foi deputado federal e um dos líderes do Partido de Representação Popular. Era um professor e intelectual reconhecido, na Filosofia, Sociologia e Direito Canônico. A partir da doutrina integralista e do catolicismo, criou o próprio método psicológico, que lhe deu fama nacional e o tornou um símbolo popular nos anos 60.

Após a fundação da Ação Integralista Brasileira, Padre Ponciano não ingressou nela, acreditando ser uma cópia do fascismo e do nazismo. Familiarizando-se, porém, com o movimento, ao longo de dois anos, percebeu que o Integralismo não era exótico, sendo “menos italiano do que a democracia brasileira é inglesa”, além de muito distante do totalitarismo.

Em 1935, preocupado com as adesões de católicos à Aliança Nacional Libertadora e o crescimento do comunismo em sua cidade, começou uma série de conferências anticomunistas noturnas na Catedral de Vitória. Prestes a dar a quarta conferência, uma comissão de senhoras foi à sua casa implorar que não falasse, porque elementos comunistas planejavam assassiná-lo. Ponciano encarou o fato como o cúmulo da audácia, uma vez que comunistas não podiam impor silêncio a um sacerdote cumprindo seu dever. À noite, realizou sua conferência, falando com ainda mais veemência contra o comunismo e a ANL. O templo estava lotado, com mais de três mil ouvintes. Do púlpito, Ponciano observou muitos elementos duvidosos; mas percebeu, ao lado, integralistas com olhares atentos para defendê-lo se preciso. Ora, ele não havia pedido nenhum auxílio de proteção. Impressionado, decidiu-se, finalmente, a abraçar o Sigma.

Foi eleito vereador de Vitória pela AIB, em 1936. Era membro da Câmara dos 400. No Estado Novo, ficou preso por 45 dias. Com a fundação do Partido de Representação Popular, em 1945, foi um dos seus principais articuladores nacionais, e o principal no Espírito Santo, de cujo Diretório Regional era presidente. Em 1947, foi eleito vereador do PRP em Vitória, e, em 1949, em Cachoeiro do Itapemirim. No ano seguinte, foi eleito deputado federal, iniciando um proativo mandato parlamentar, que durou até 1958. Lutou pelo ensino profissional rural, pelo municipalismo e pelo desenvolvimento econômico, assim como por uma política para o petróleo, o café e a agricultura. Defendeu o Integralismo, fez discursos doutrinários e combateu o burocratismo, o divórcio, o comunismo e a demagogia social. Foi um dos principais próceres da campanha presidencial de Plínio Salgado, em 1955, tendo formado seus mais sólidos redutos eleitorais. Com o fim do segundo mandato, tentou ser eleito para o Senado, sem sucesso. Afastado da política, salvo por tentar novamente a eleição para deputado federal em 1962, resolveu se dedicar exclusivamente ao sacerdócio e à psicologia.

Com isso, fundou, em 16 de setembro de 1960, o Instituto Psicológico de Pesquisas e Assistência (IPPA), na Igreja de Nossa Senhora da Piedade, da qual era pároco. Era presidente natural do IPPA, sendo auxiliado por uma equipe de psicólogos integrada por Aquiles Leão, Osmar da Rocha Pimentel, Arlípio Resende e Osílio Marques França. Em menos de 4 anos, já tinha atendido mais de 20 mil pacientes, desde pessoas muito pobres, que atendia gratuitamente ao longo do dia, até oficiais militares de alta patente e políticos, que atendia à noite, cobrando um valor razoável. Pelo sucesso estrondoso da iniciativa, ganhou o apelido de “padre milagroso”, recebendo caravanas de pacientes de todos os Estados do Brasil.

Padre Ponciano em sua clínica no IPPA

O IPPA usava um método elaborado a partir do Integralismo, que fundia psicossíntese e psicologia tomista. Entendia o psiquismo como a raiz principal dos distúrbios psiconeuróticos, que deveriam ser tratados por meios naturais. Após oração, levava o paciente ao sono hipnoidal ou crepuscular seguido de sugestão verbal para correção dos mecanismos psíquicos, em um fundo musical suave de compasso quaternário, encaminhando-o ao sono natural. Um dos aspectos mais icônicos do tratamento de Ponciano era sua cadeira eletrônica, desenvolvida por especialistas da Universidade de Tóquio, que conheceu em Hiroshima, onde havia sido fundamental na cura de dezenas de milhares de afetados pela Little Boy. No IPPA, criando no paciente um novo imaginário, em substituição do antigo, tratava só os quatro mecanismos fundamentais: sono, apetite, euforia e coragem, buscando pela amnésia a cura dos impulsos contrários, reflexos da fadiga psíquica ou estresse: insônia, fastio, angústia e medo. Todo o resto, a seu ver, era irradiação de distúrbios fisiopsicológicos. Tentou aplicar a psicologia grupal, mas não teve o aval das autoridades. Iniciou um processo para criação de um curso universitário, sem sucesso. Em especial, o IPPA se dedicou ao combate aos charlatães e embusteiros místicos, com uma proposta psicológica científica e racional.

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Ponciano Stenzel dos Santos nasceu em Conceição do Arroio, atual município de Osório, no Rio Grande do Sul, em 30 de julho de 1902, filho de Avelino dos Santos Stenzel e de Maria Cecília Stenzel.

Cursou o Seminário Provincial do Rio Grande do Sul, em São Leopoldo e, após ser ordenado, foi professor de filosofia do Instituto Rio-Grandense de Letras e fiscal do ensino secundário.

Era tio de Clóvis Stenzel, também integralista, que se elegeu deputado federal em 1967.

Faleceu no Rio de Janeiro em 14 de novembro de 1987.

Artigos disponíveis

Referências biográficas

  • BARROS, GETÚLIO. Taumaturgo eletrônico. Manchete nº 710, 27 de novembro de 1965.
  • DIÁRIO CARIOCA. Padre gaúcho no Rio cura gente com cadeira atômica. 9 de novembro de 1965.
  • MANCHETE. Padre Ponciano além da alma. Nº 635, 20 de junho de 1964.
  • SANTOS, Ponciano Stenzel, Padre. O Integralismo e os Católicos. A Offensiva nº 283, 12 de setembro de 1936.
  • SANTOS, Ponciano Stenzel, Padre. Warum bin ich dem Integralismus beigetreten. Der Kampf, 3 de fevereiro de 1937.