Economista, historiador, contador, geógrafo, político e professor. Foi considerado por Gustavo Barroso “um dedicado cultor da história cearense”. Era um dos principais intelectuais do Ceará.

Ainda adolescente, foi um dos principais líderes da Ação Integralista Brasileira no Cariri, à qual se inscreveu em junho de 1933, tendo alcançado grandes postos na administração local do movimento e na Milícia Integralista. Filiou-se em 1945 ao Partido de Representação Popular, pelo qual foi eleito vereador de Fortaleza. Lutou, principalmente, pelo municipalismo e pelo desenvolvimento econômico. Era um dos nomes mais famosos do PRP. De 1975 a 1978, foi Secretário de Cultura do Ceará.

Era membro do Instituto do Ceará, da Sociedade Cearense de Geografia e História, do Conselho Estadual de Cultura e da Academia Cearense de Letras, tendo chegado a ser presidente dos dois últimos. Lecionou na Escola Preparatória de Cadetes e posterior Colégio Militar de Fortaleza, no Instituto de Educação, na Faculdade de Ciências Econômicas (onde chegou a ser vice-diretor) da Universidade Federal do Ceará (UFC), da qual foi vice-reitor, na Faculdade Católica de Filosofia, na Escola de Serviço Social e em várias escolas de ensino secundário.

Deixou em seu testamento: “Lamento não possuir de uma camisa-verde para me amortalhar, mas quero que, sendo possível, meu esquife seja coberto pela bandeira do Sigma e pela bandeira do Império, que se encontra em meu gabinete doméstico”.

José Denizard na Ação Integralista Brasileira

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José Denizard Macedo de Alcântara nasceu em 1º de setembro de 1921, no Crato, filho de Júlio Teixeira de Alcântara e Corina Macedo. Era descendente de Tristão Vaz Teixeira, escudeiro do Infante Dom Henrique, e de Caramuru e Paraguaçu. Fez o curso primário e o início do secundário no Externato Santa Inês, passando para o Ginásio do Crato e formando-se no Liceu do Ceará. Entre 1937 e 1938, exerceu o magistério no Seminário do Crato, no Ginásio do Crato e na Escola de Comércio. Formou-se contador pela Academia de Comércio do Ceará em 1942, e conseguiu o bacharel em Ciências Econômicas pela Faculdade de Ciências Econômicas do Ceará em 1945, chegando a atingir o Doutorado. Era especializado em Geografia Econômica.

Como vereador, José Denizard Macedo de Alcântara propôs o Plano de Fomento das Atividades Rurais (que chegou a ser aprovado, mas não foi aplicado), para realizar um cinturão alimentar ao redor da capital, a criação de uma Comissão Permanente de Tomada de Contas do Município e medidas urbanas, além de combater a situação política local e convocar o Congresso das Câmaras Municipais do Ceará, um dos primeiros no Brasil. Em 1951, foi candidato à Prefeitura de Fortaleza.

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Entre suas principais influências, destacam-se Manoel Lubambo e o Visconde de Cairu. Era um leitor assíduo de Alberto Torres, Oliveira Vianna e Charles Maurras, tendo profunda influência dos autores tradicionalistas hispânicos. Interessava-se profundamente pelos estudos corporativistas, seguindo, nesse aspecto (como em outros, a exemplo do ensino), a linha de Lubambo e Vianna, em que o desenvolvimento econômico deve ser a base prévia do regime corporativo. Defendia a monarquia como única forma de governo possível no Brasil. José Denizard tinha uma linha religiosa tradicionalista, vinculado à revista Permanência. Praticava trabalhos voluntários de conversão e conforto espiritual a presidiários.

Versou vários assuntos, inclusive a filosofia, baseado no realismo aristotélico-tomista. Raimundo Girão o definiu como um “inesquecível intelectual”, forrado de “legítima cultura, nos domínios da História, da Economia e dos estudos filosóficos”.

Segundo seu irmão, Nertan Macedo, José Denizard “vivia o passado de forma muito intensa, quase sobrenatural e mágica”, com verdadeira e profunda devoção aos fatos e lendas da história do Brasil e da civilização cristã.

Apesar de anticomunista e apoiador da Revolução de 1964, protegeu alunos de esquerda, alertando-os do perigo iminente de sequestros e tortura.

Faleceu de infarto fulminante, em 11 de novembro de 1983.

Livros publicados

  • A Universidade na Defesa Nacional e outros, 1941;
  • Fundamentos da Administração Cearense, 1946;
  • A Conjuntura Histórico-Geográfica da Industrialização Brasileira, 1948;
  • Racionalização da Competência Administrativa do Município, 1950;
  • Geografia da América, 1952;
  • Cultura e Universidade, 1957;
  • Vida do Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro, 1957;
  • Ascensão e Declínio do Magistério Brasileiro, 1971;
  • Ensino de Filosofia no Ceará, 1972;
  • Roteiro da História da Independência, 1972.

Referências biográficas