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Diário Nacional

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Não é de hoje

Hoje muito se fala da doutrinação nas escolas e se apresentam, por aí, projetos contra esta tal doutrinação, mas não para cortar o mal pela raiz.

A raiz da doutrinação não está na pessoa do professor explicando a matéria de História, de Filosofia, de Geografia, está em onde o professor aprendeu e como ele aprendeu a História, a Filosofia, a Geografia. A raiz do problema, em suma, está na falsificação da História, promovida, a maioria das vezes, pelos historiadores marxistas e carimbadas com louvor e aprovação pela direita. Mas como assim? Carimbadas pela direita? Não vem deles o suposto bom projeto?

A direita, sempre apoiada no Cosmopolitismo, que é um mal de morte para o nosso Nacionalismo, veio a se formar como militância de relativo peso apenas recentemente e perceber a necessidade e valor disso, de fato, ainda mais recentemente buscando no estrangeiro, em David Horowitz, o que pensadores nacionais já, desde cem anos atrás, vinham nos alertando. Como sempre, os valores legítimos, as tradições legítimas, os pensamentos legítimos de brasilidade, são esquecidos por esta gente cosmopolita que, vendo a faca já fincada em seu peito, só acreditará quando um do exterior o disser, e isso porque se dizem patrióticos. Por isso levamos cem anos para nos capacitarmos de que, realmente, Carlos Gomes fora um gênio! Só depois de muito tempo descobrimos que Alberto Torres havia sido um sociólogo eminente; Farias Brito, um filósofo de valor, e Caxias, um grande general...” [1]. São essas palavras do à época Major Affonso de Carvalho, no ano de 1937, e aquele olhar para trás da década de trinta, em busca dos valores brasílicos e do povo brasileiro, foi rapidamente esquecido por esta gente cosmopolita, sempre a carimbar os preconceitos e falseamentos históricos, quando não os praticando e fazendo.

A direita vê só agora essa necessidade de revisar o que ela mesma já havia carimbado, só agora, porque agora há programas de governo dela que se tornam plausíveis, e, assim, esperançosos, seus adeptos revisam, como sempre, somente o que lhes é útil e necessário, isso quando não falseiam a História também, seguindo a mentalidade do Interesse como regra das ações, em vez de a Verdade como regra das ações, que nos ensinava Farias Brito ser o fundamento de todo o Direito.

E esses falseamentos e preconceitos de Filosofia e História não são recentes no Brasil, tendo começado com a rejeição à brasilidade feita por certos brasileiros cosmopolitas e, sobretudo, materialistas. Conta-nos Plínio Salgado que:

Ao chegarmos aos fins do século XIX, o panorama intelectual brasileiro pode resumir-se da seguinte forma: uma zona de influência de Haeckel e dos monistas alemães; outra de influência positivista, esgalhando-se em duas seitas: a de Augusto Comte e a de Herbert Spencer. Do outro lado, a corrente espiritualista cristã, quase sem atuação no mundo da inteligência, vivendo mais pelo sentimento nacional do que pelo pensamento e ação. Para os idealistas neo-hegelianos pode dizer-se que ainda não havia lugar.

As grandes figuras do positivismo de Comte e de Litré eram Benjamim Constant de Magalhães, Silva Jardim, Miguel de Lemos, Teixeira Mendes, que exerceram influência, principalmente no Exército, formando na Escola Militar, sob os olhos complacentes do Imperador, a mentalidade da geração que mais tarde fundou a República. O Brasil foi o único país do mundo onde o positivismo de Comte, além da filosofia e método pedagógico, constituiu-se em religião, instalando a sua igreja em que era praticado o ritual do culto da Humanidade.

Quanto ao monismo haeckeleano, foi divulgado principalmente por Tobias Barreto, que inaugurou na Faculdade de Recife o ensino do Direito segundo as teorias reformistas de Darwin, tão intimamente ligadas à concepção de Haeckel. Por outro lado, um amigo de Tobias, o professor Sílvio Romero, fez-se apóstolo do evolucionismo de Spencer, que ele aplicou na orientação dos estudos jurídicos, na Escola do Rio de Janeiro, e na crítica literária que exerceu com sectarismo intransigente.

Como consequência do predomínio de tais doutrinas, andavam na moda as filosofias afins e aquelas que lhes serviam de fonte: o kantismo, o spinozismo, o associacionismo de Stuart Mill, o utilitarismo inglês. Nas escolas superiores estavam banidas todas as doutrinas com base no sobrenatural. Mesmo antes da proclamação da República e em plena vigência da união da Igreja com o Estado, união sob todos os pontos de vista nociva ao catolicismo, como se viu em 1870 com a prisão dos bispos de Olinda e do Pará pelo regalismo ao serviço das sociedades secretas, já a cátedra vinha sendo gradativamente conquistada pelos adversários da Religião. Nunca me esquecerei dos relatos que me fazia minha mãe de suas lutas como aluna da Escola Normal de São Paulo, querendo sustentar a fé que levara do lar, diante de professores como Silva Jardim, Cipriano de Carvalho, Júlio Ribeiro, João Pinheiro, Godofredo Furtado, todos positivistas, que impunham a classificação das ciências de Comte e exigiam rigorismo sectário nas definições e nos enunciados das leis físicas. Minha mãe soube resistir, conservar a religião e, mais tarde, transmitir-me a flama da sua fidelidade à crença dos nossos maiores, o que prova ser o lar, o primeiro e verdadeiro reduto das nacionalidades que não querem desaparecer, ainda quando um governo, como o da Monarquia brasileira, tenha aberto aas portas do país, em nome de uma falsa liberdade, a todos os agentes de destruição da Pátria. [2]

Esses preconceitos podem ser observados nas próprias obras dos mencionados autores, Sílvio Romero, em seu livro A Filosofia no Brasil, precipita torrentes de críticas contra todos que eram espiritualistas ou tratavam quaisquer que fosse o objeto de análise como força. Certas críticas podem até ser válidas, mas “todos nós, brasileiros, estamos profundamente eivados de tendência para o personalismo; falamos, quase sempre, sob sugestão do temperamento; tendemos a ver, nas obras alheias, o homem, com suas contingências e fraquezas, em lugar das ideias que representa” [3] e obedecendo à análise de Alberto Torres, vem Sílvio Romero, materialista e positivista em sentido amplo, tratando do Visconde do Araguaia, um dos primeiros filósofos brasileiros, e dizendo: “Os Factos do Espírito Humano do Sr. Domingos José Gonçalves Magalhães aparecem em Paris em 1858; o autor, hoje titular, é um poeta de algum merecimento; como filósofo só tem essa obra de valor muito avultado. [...]” [4]. Continua Sílvio Romero mais à frente, após críticas não menos indignas “[...] O Sr. Magalhães é um romântico e um espiritualista católico. Dotado de pouco vigor de imaginação, não tem brilho de estilo; pouco profundo, não devassou seriamente nenhum dos segredos da ciência.” [5] E ousa mais: “O autor, que, desde muito, vivia na Europa, devendo estar em dia com a ciência de então, e afirmando estar, afigura-se-nos ali muito débil” [6]. Ora, pobre Romero, não conhecia a filosofia da simplicidade e felicidade, só a tagarelice da dita ciência e dos ditos filósofos de seu tempo, e suas críticas são a confissão do preconceito com o nacional. E que não vejam nessas páginas qualquer rejeição ao saber, ao que é produzido no estrangeiro, mas uma rejeição ao só saber e só aceitar o que é produzido intelectualmente e fisicamente no estrangeiro, tornando-se mera maritaca dos seus empreendimentos. 

Continuando, o positivismo foi arauto da destruição e alteração da História Nacional, inclusive de nossos mais grandiosos feitos heroicos, tendo   criado inúmeros preconceitos, muitos dos quais mantidos até hoje pela historiografia apátrida. Como o já citado Major Affonso de Carvalho nos explica num trecho do capítulo intitulado Servidão Política, do seu livro O Brasil não é dos brasileiros,

Para cúmulo da desgraça do Brasil e do Exército, surge logo após a terminação da guerra a primeira manifestação comunista no sei das classes armadas: o positivismo. Os Comtistas pregam a sabotagem da "Guerra do Paraguai": — a deturpação das suas causa; a desmoralização dos seus chefes; a desvalorização dos seus esforços e das suas glórias, a ponto de apresentá-la como "um rolo", quando foi perfeitamente conduzida, mormente sob o comando de Caxias; o não aproveitamento das suas lições, etc. Cito a propósito, pela insuspeição do testemunho e pela autoridade do autor — Tasso Fragoso — as seguintes palavras pronunciadas pelo ilustre general, no encerramento do Curso da Escola de Estado Maior em 1931, perante as altas autoridades do Exército e o chefe da Nação:

Nada lucrou o ensino militar depois de uma guerra de cinco anos, levada a efeito no estrangeiro e a que levamos mais de cem mil homens e uma poderosa esquadra; em que surgiram os problemas estratégicos mais interessantes e tanta experiência se granjeou do ponto de vista tático.

A razão é simples. O ensino das escolas continuou a ser feito em geral por oficiais que não haviam participado da peleja.

Destarte perdeu-se um tesouro e viemos aprender, 48 anos depois, coisas que a peregrinação pelos banhados, pelas coxilhas e pelas florestas paraguaias de há muito nos tinham revelado.

Os positivistas são responsáveis por isso. Amesquinham a guerra e o Império, pois o Positivista se bate pelas "Pequenas Pátrias", não podendo, assim, admitir uma Pátria de mais de 8.000.000 de quilômetros quadrados como o Brasil...

A guerra fora feita pelo Império. "Logo", continua o general Tasso, "era uma indignidades e os seus agentes uns criminosos imperdoáveis".

Doem-nos ouvir essas palavras: "Conheci esse período e lembro-me como os veteranos de campanha escondiam as medalhas, temerosos de que a nova geração as considerasse símbolos de opróbrio!”

Em confirmação a essa mentalidade, citemos o fato do positivista Benjamim Constant — que veio da guerra com parte de doente e para lá não voltou — negar-se, como membro do Governo Republicano, a fazer uma distribuição de condecorações no dia 24 de Maio, data da Batalha do Tuiuti, adiando-a para o dia seguinte, festa da Independência Argentina, para que coubesse ao representante desse país essa incumbência, que ele considerava antipática e anti-humanitária...

Mas o positivismo não se limita a destruir o patrimônio de ensinamentos militares da Guerra do Paraguai. Trava o desenvolvimento do espírito nacionalista no Exército, o qual se devia estimular com o culto dos nossos heróis, a devida consagração das suas glórias militares e das suas tradições.

Primeira manifestação comunista no seio das classes armadas — repitamos — o positivismo, inimigo de Deus, com o seu materialismo científico; inimigo da Pátria, com a idéia da humanidade, em geral, sobrepondo-se as coletividades e pregando as pequenas pátrias; sem autoridade para falar em família, atendendo-se ao exemplo do amor clandestino de Clotilde de Vaux, arvorado em simbolo... — o positivismo chegou ao cúmulo de pretender a cloroformização do nacionalismo pátrio, e de impulsionar a idéia do não pagamento da dívida do Paraguai e até a restituição dos troféus, conseguidos com o sangue dos nossos antepassados. E não compreender-se como se vem verificando a despersonalização do Brasil, quando, dentro da própria Pátria, e no Exército, se conspira contra o verdadeiro nacionalismo e o seu patriótico fortalecimento!

Fica, assim, logicamente compreendido porque, quando da recente comemoração do centenário do nascimento de Benjamin Constant, certos elementos comunistas do Rio de Janeiro se associaram de forma tão entusiástica aos festejos, servindo-se da oportunidade para atacar os adeptos do Sigma. [7]

 

E bem sabendo que Comunismo e Capitalismo são lados opostos de uma mesma moeda, que é o materialismo, podemos logo chegar à conclusão do porquê de nossa história ser tão falseada, do porquê fora necessário que figuras como Gustavo Barroso ressuscitassem figuras tão maiores como Luís Alves de Lima e Silva, Manuel Luís Osório, Emílio Mallet e tantos outros, dando mesmo cursos de História e Geografia e fazendo pesquisas históricas e produções históricas para a divulgação de tais nomes mesmo dentro do Exército. E hoje, mais do que nunca, precisamos novamente nos erguer, e ressuscitar tais figuras heroicas, seus feitos políticos e militares e não só eles, mas também os nossos grandes pensadores nacionais, buscar a riqueza da nossa verdadeira tradição, das nossas verdadeiras origens, saber a verdadeira História e a divulgar.

O Integralismo, todos nós, verdadeiros Integralistas, bem sabemos, tem uma luta contra as calúnias travestidas de trabalhos acadêmicos que se realizam dia e noite, que se espalham dia e noite sem nenhuma base e pesquisa séria, constituindo apenas reproduções e reproduções, mas, graças a Deus, que dirige o Destino dos Povos, a todo momento também se levantam de nossas fileiras e se juntam oficialmente, pois no espírito já estavam conosco, aqueles que aprenderam no primeiro e verdadeiro reduto das nacionalidades que não querem desaparecer, o lar, o valor de nossos maiores, a eterna fidelidade à crença, que não desaparecerá; se levantam e dizem que somos irmãos, que veem a calúnia com que somos diariamente açoitados, porque não podendo combater no livro e na tribuna, nossos inimigos têm de se servir da facada nas costas do Brasil; dizem que somos irmãos, reitero, e que estamos lado a lado nesta batalha pela Nação, pelo povo da Nação, pela tradição da Nação, pela terra da Nação, em suma, pelo sangue fluindo e o já derramado pela Nação.

Irmãos, vossos peitos, vossos braços, são muralhas do Brasil!

Quem não conhece o imortal provérbio de Salomão que diz: “Ensina a criança no Caminho em que deve andar, e até quando envelhece não se desviará dele!” (Provérbios 22.6)?

De fato, o dever de ensinar, educar a criança é, sobretudo, dos pais, mas a escola deve sim, não só instruir, mas também, em parte, educar. Instruir conforme a Verdadeira História e Educar conforme os valores integrais atribuídos ao homem. Se, por exemplo, diz-nos Aristóteles que a felicidade se alcança pelo exercer das virtudes absolutas, da beleza e da honestidade, então a criança deve ser ensinada a praticar as virtudes absolutas da beleza e da honestidade como atributo moral para complementar o atributo material da instrução, e não só o atributo moral, mas também o atributo espiritual, já que somos constituídos de corpo e alma, mesmo que tal concepção ofenda a muitos, e se ofende tanto assim, que haja a interseção: “O objetivo da vida humana não é um objetivo material, é um objetivo psíquico” [8] e a criança deve reconhecer no mínimo isto, ou então para sempre nos manteremos numa sociedade em que o Interesse é o único critério das ações e não a Verdade.

Urge, portanto, desfazer todos os malabares da história, feitos pela esquerda ou pela direita, urge reler o pensamento e a tradição nacional, por de lado o cosmopolitismo que só tem atrasado a nossa Nação, tudo isso no livro e na tribuna, tendo a Verdade como regra das ações, fundamento do conhecimento, que foi o que nos disse Farias Brito, assim como o próprio Visconde do Araguaia, nas páginas de Factos do Espírito Humano, tão rudemente criticado pelos autores apátridas.

Estancando-se a fonte de onde provêm as calúnias, que atende só ao seu interesse historiográfico, a luta de classes, o materialismo, a destruição e omissão da crença em qualquer virtude civilizada... que não cabe aqui abranger, estancando-se, portanto, as feridas de onde jorram o sangue do nosso Brasil, aí sim, acreditamos, e temos de acreditar, esses tão preocupados na doutrinação ou na "antidoutrinação" dentro das escolas, verão que elas não só sofrem com as jogatinas políticas, mas com a falta de infraestrutura e da própria instrução.

Enquanto nossas escolas carecem de tudo, esses supostos patriotas, ao invés de focarem no último reduto das nacionalidades que não querem desaparecer, preferem passar os seus deveres para a escola e culpá-la pelo desando de seus filhos, e ela certamente tem sua grande parcela de culpa, mas, da forma como têm sido feitas as críticas e as propostas atuais, a escola tem servido apenas de bode expiatório para esses eivados de espírito burguês que relutam em reconhecer sua irresponsabilidade e mediocridade.

Irmãos, brasileiros! Vossos peitos, vossos braços, vossos lares, são muralhas e sustentáculos do Brasil! Firmes, mesmo em minoria, pois sempre fora o nosso destino mostrar valor com poucos.

Por Cristo, pela Família e pela Nação: Anauê!

Lucas Gustavo Boaventura Martins, 06/08/2016

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[1] [CARVALHO, Affonso De. O Brasil não é dos brasileiros. Ed. Revista Panorama; São Paulo, 1937; pp.11]

[2] [SALGADO, Plínio. A Mulher no Século XX. Ed. Guanumby; São Paulo, 1949; pp. 121-123]

[3] [TORRES, Alberto. A Organização Nacional. Ed. Imprensa Nacional; Rio de Janeiro, 1914; pp. 50]

[4] [ROMERO, Sílvio. A Filosofia no Brasil, Ensaio Crítico. Ed. Deutsche Zeitung; Porto Alegre, 1878; pp. 22]

[5] [Idem, loc. cit.]

[6] [CARVALHO, Affonso De. O Brasil não é dos brasileiros. Cit., p. 23]

[7] [Idem , pp. 21-23]

[8] [TORRES, Alberto. A Organização Nacional. Cit., pp. 95]


27/09/2016, 15:05:42



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