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Diário Nacional

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Agoniza mas não morre

Ao falar sobre o povo brasileiro, muitos metidos a historiadores, antropólogos e sociólogos focam em questões marginais e as tomam como aquilo que não são: o centro – mais ou menos como alguém que descreve o Rio de Janeiro simplesmente como um lugar violento. Sobre estes deficientes Euclides da Cunha diz que começam excluindo em grande parte os materiais oferecidos pelas circunstâncias mesológicas e históricas (ou seja, do meio e do período) e assim tiram conclusões precipitadas sobre seu objeto de estudo: o povo brasileiro.

Falar do “povo brasileiro” de fato é fazer uma abstração, porque “o povo” não existe em si, quem existe é o Zé, o João, a Maria, a Iracema e tantos outros. Não obstante, tal abstração é válida para entender o elo que une a tantos indivíduos isolados a pesar de suas culturas regionais e períodos históricos. A este elo chamamos brasilidade, aquilo que nos torna brasileiros.

Que há em comum entre a Iracema do Norte, a Maria do Nordeste, o Zé do Sul, o João do Centro-Oeste e o Pedro do Sudeste? Um ouve baião, o outro o vanerão, o outro dança catira, o outro o samba... cada um tem uma reação própria ao meio em que vive. Haveria unidade entre tais povos? Com toda certeza. Uma das coisas que têm em comum é o gosto em dançar “agarrados”.

José Bonifácio, Machado de Assis, Euclides da Cunha, Monteiro Lobato, Ariano Suassuna e tantos outros patrícios enxergam que muitas outras coisas tornam o Brasil uma autêntica comunidade de brasileiros. Do Monte Caburaí ao Arroio do Chuí, da Ponta do Seixas à Nascente do Rio Moa perpassa o espírito da brasilidade, da unidade nacional, do sentimento de pertença à mesma terra.

Machado de Assis diz que no Brasil existem dois países diferentes: o Brasil Oficial e o Brasil Real. O primeiro é o Brasil da mídia, do governo, das grandes capitais, o Brasil falso; o segundo é o Brasil Real, do povo, do sertanejo, o palco onde a brasilidade atua. O primeiro é o único ensinado nas escolas, o segundo só é conhecido por quem vive nele ou por aventureiros que o descobrem pela sorte (ou Providência).

Ariano Suassuna diz que a universidade brasileira ensina de costas para o Brasil (real) e para o povo. Isto é a mais pura e triste verdade. Somos ensinados desde cedo que aquilo que é genuinamente popular e nacional é ultrapassado e tosco – a única “cultura popular” que vale é aquela importada dos Estados Unidos ou da Europa; muitos professores há muito tempo não se dignam nem em importar coisas boas do exterior, somente lixo e ideologia vem de fora para nós.

Ora, quem é, então, o genuíno brasileiro? É um iluminado ou talvez um velho sábio que compartilha os segredos da brasilidade com alguns séquitos? Jamais.

Euclides da Cunha nos ensina em Os Sertões que o povo brasileiro surgiu num grande encontro de raças: o índio, o negro e o branco (português). “O índio” compreende todas as etnias e culturas indígenas que aqui já estavam em 1500, com todas as suas qualidades e defeitos comuns e próprios.

“O negro”, de igual modo, compreende todas as etnias e culturas dos negros africanos trazidos aqui como cativos. “O Branco”, por outro lado, compreende majoritariamente os portugueses que para cá vieram e trouxeram a parte boa da civilização europeia (cultura, música, educação, arquitetura, etc.) e uma parcela de maldade também (como a cultura escravista renascida em Itália e França). É claro que muitos outros povos vieram para cá logo após, como os desgraçados holandeses no Nordeste e franceses no Sudeste, e também alguns polacos e alemães no Sul, seguidos dos italianos, japoneses e demais povos: cada um colaborando com o Brasil de algum modo.

Porém, já no Século XIX tínhamos uma cultura e modo de vida mais ou menos bem assentado. Muitas guerras nos uniram num permanente elo de amizade (vez ou outra esquecido por alguns). Ainda como território português, nosso país foi invadido por holandeses e ganhamos da coroa somente o desprezo, mas nosso povo lutou bravamente, se não com a noção clara de quem somos, pelo menos com a vivência de termos uma cultura diferente do resto do mundo. Depois foram os franceses a nos invadir – fisicamente os expulsamos, mas, por ironia do destino, eles viriam a colonizar nossas capitais com seus ideais assassinos. Nossa independência foi conquistada a bala e sangue e nos trouxe heróis como Maria Quitéria. Em seguida foi a vez do Paraguay nos reconhecer como povo livre e nação forte – hoje somos povos amigos, mas ontem nos matamos mutuamente numa triste e sangrenta guerra, onde quem prosperou foi o povo brasileiro como um todo.

Tião Carreiro, o Rei do Pagode, personifica numa de suas músicas o povo brasileiro do seguinte modo:

Eu sou igual um rochedo

Onde a bala bate e volta

O punhal que tem dois cortes

Batendo no peito entorta

Eu nunca fui empregado

Eu mesmo sou meu patrão

Sou filho da liberdade

Que matou a escravidão

O perigo não me assusta

Para trás não dou um passo

Duas feras mato à bala

Uma só eu vou no braço

Pra ter paz tem que ter guerra

Precisando guerra eu faço

Para o medo e a covardia

Eu não vou deixar espaço

Viva meu Brasil amado

Eu estou de sentinela

Sendo filho desta terra

Morro lutando por ela

Foi na Guerra do Paraguay que o Magnânimo (Dom Pedro II) uniu de vez todos os brasileiros. Naqueles conflitos nordestinos e sulistas, negros e brancos, lutaram lado a lado contra o inimigo invasor; o expulsou e o reduziu à humilhação de perder a guerra “para um bando de macacos”.

Muitos nos chamaram e nos chamam ainda assim. “Bando de macacos” porque somos (em esmagadora maioria) resultado da mistura autêntica do nativo com o estrangeiro. Herdamos de nossos antepassados a força do negro, a resistência do índio e a coragem do português.

Batalha de Guararapes, de Victor Meirelles

Por outro lado, a terra em que nascemos é uma mãe bondosa em demasia que nos mimou. Nosso pai, o Governo, após a expulsão de Pedro II (nas palavras de Lobato, “exilado por ser bom, justo e sábio”), nos deixou de lado e sem educação, transformando o povo, de modo geral, avesso à cultura e entregue à própria sorte. Isto fez com que, por muito tempo, boa parte de nossa cultura fosse deixada de lado pelos intelectuais aqui nascidos, gerando uma “síndrome de vira-latas” generalizada.

Por muitos anos nossa cultura foi esquecida e teve seu lugar ocupado pela escória francesa, inglesa e alemã (aqui me refiro às ideologias e à língua). Os intelectuais daqui, de modo geral, nem se preocuparam em filtrar o que vinha de fora. Aceitou tudo e o ruim vingou.

Porém, o povo brasileiro é, antes de tudo, um povo forte. Carregamos em nossa alma o negro, o índio e o português. Que não me acusem de idealista: desgraça há em nosso meio. Pessoas aqui são assassinadas cruelmente, morrem de fome, com a seca, sofre o flagelo das doenças e da incultura – e o pior! – aquele que deveria ser nosso pai, o Governo, é nosso maior algoz. Mas o povo brasileiro é vaso ruim, agoniza, mas não morre. A Graça Divina, por algum motivo, vem ao nosso socorro com extremada freqüência.

 

Diversos (des)governos tentaram mudar o povo que aqui vive; os meios de comunicação tentam a todo custo nos impor outras culturas (quanto mais decadente, maior a imposição) que por muito tempo não cuidamos de combater, mas resistimos bravamente sem notar. Lutamos guerras, resistimos juntos dia após dia como autênticos irmãos e triunfaremos em algum momento. Eu creio na fertilidade espiritual de meu país e não compreendo que ela não corresponda à prodigiosa fertilidade da terra.

Seja no semiárido nordestino, nas matas do norte, nos pântanos do centro-oeste, nos pampas, nos morros, nas vielas, nas vilas, nos sítios, onde estiver um brasileiro do Brasil Real, ali estará nossa imortal cultura autêntica.

Termino este escrito citando “Agoniza mas não Morre”, de Nelson Sargento, mudando uma palavra:

Brasil

Agoniza mas não morre

Alguém sempre te socorre

Antes do suspiro derradeiro

Brasil

Negro, forte, destemido

Foi duramente perseguido

Na esquina, no botequim, no terreiro

Brasil

Inocente, pé-no-chão

A fidalguia do salão

Te abraçou, te envolveu

Mudaram toda a sua estrutura

Te impuseram outra cultura

E você nem percebeu

 

- Igor Andrade*

 

·       * Igor Andrade, que não pertence à FIB ou ao Movimento Integralista, é professor de Filosofia e articulista.


08/11/2018, 00:43:03



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