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Diário Nacional

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07 de Setembro: Ruptura ou Continuidade?

Outro dia estava lendo as críticas muito bem colocadas do grande tradicionalista católico americano Christopher Ferrara acerca do mito da "revolução conservadora" que teria sido a independência dos Estados Unidos. Coloquei-me a pensar a respeito do processo de independência do Brasil.


Certamente houve uma ruptura, mas esta ruptura não foi causa nossa, nem da velha e tradicional classe política portuguesa. Tal ruptura se deu pelo jacobinismo liberal de uma claque muito abaixo do valor da verdadeira lusitanidade que de assalto tomou Lisboa, e exigiu impiedosamente que o povo que recebera de braços abertos a côrte portuguesa, que dera homens a invadir a Guiana Francesa, em represália ao imperialista Napoleão, fosse submetida a vil condição de colônia. Dom João VI, vindo para cá, trouxe consigo mais que a sede do governo, trouxe prosperidade e uma nova esperança aos brasileiros.


Os outrora colônos e membros de uma província escanteada do curso da história - não obstante suas titânicas dimensões territoriais - eram agora súditos de um reino e de uma civilização. Não só por questões geopolíticas, mas também pelo amor que adquiriu por essas terras meridionais, no dia 16 de novembro de 1815, decidiu Sua majestade fidelíssima elevar o Brasil ao posto de Reino Unido, trazendo o Brasil para o palco da história.


 José Bonifácio de Andrada e Silva, posteriormente "o patriarca da Independência", já pouco tempo depois sugeriria Dom João VI proclamar-se Imperador do Ocidente, e com aplausos de toda côrte instalada no Rio de Janeiro, pensava-se um gigante geopolítico como nunca visto na Terra. Um Império unificado, espalhado por todos os cantos do mundo, cuja sede estivesse segura no além-mar, e tivesse peso e poder de influência na Europa pela antiga metrópole. Não fosse por aqueles vis jacobinos do Porto... Que teria sido a Portugalidade?


Conquanto não se possa falar em "se" na historiografia, importa lembrar que embora fora mesmo uma ruptura o 7 de setembro, ele não foi algo revolucionário como o 4 de Julho de 1776. O rei Jorge III não era um tirano, seus impostos não eram fardos pesados, a revolução americana fora fruto de uma classe maçônica, jacobina e aristocrática que se insuflava contra um rei justo, para estabelecer o monstro moderno de um Estado sem transcendência.


Na nossa portugalidade, nem o rei e nem o povo brasileiro almejavam a separação. Não se circulou nos jornais brasileiros qualquer menção a independência ou clamor por tal coisa até algumas semanas antes de ser efetuada tal danosa ruptura. Quem almejava essa vil separação? Uma claque jacobina e torpe, formada por velhos alcoviteiros em suas lojas maçônicas, que levantaram-se com ideias universalistas e francófilas a trair o glorioso futuro com que o rei e seus súditos sonhavam. O rei sabia disso, por isso, em 1818, seu catolicismo e seu amor pelo destino que planejava o levara a fechar as lojas maçônicas em todo o reino.


"Tome para si esta coroa antes que algum aventureiro o faça!" - teria sido a frase quem Sua Majestade Fidelíssima mandara a seu filho, o príncipe regente Dom Pedro I (IV de Portugal), simbolizando os laços que se desejavam manter, a despeito de revolucionários ímpios. Uma ruptura que mais pareceu um acordo familiar para evitar um mal maior, e assim, da ruptura, percebe-se nascer um mar de continuidades. Aqui, continua a reinar a casa de Bragança, com Dom Pedro I e seu magnânimo filho, Dom Pedro II, e teríamos Dona Isabel I não fosse - por ironia do destino - uma nova claque francófila e golpista, com positivistas e liberais mancomunados a derrubar um esclarecido Império e estabelecer um autoritária e falida república.



Vemos na bandeira, o verde da casa de Bragança, a cruz da Ordem de Cristo, a esfera armilar, um Estado confessional, uma aristocracia pujante e com muitos laços com a antiga metrópole. Vemos um reconhecimento da independência mediado e negociado, uma carta constitucional baseada nos mesmos princípios com o mesmo legislador. As continuidades são tamanhas e tantas, que não seria estranho perguntar: Houve mesmo ruptura? O hino nacional brasileiro tinha já após 1831 trechos melódicos extraídos do antigo himno patriótico.


O 7 de Setembro não deveria ser lembrado pelo que ele rompeu com Portugal, mas por aquilo que ele manteve de Portugal, pois ele foi a justa defesa por de um rei corajoso (Dom João VI) de seus súditos amados no além-mar, quando já prisioneiro das côrtes, permitindo a seu filho tomar as rédeas do destino de uma nação, protegendo do autoritarismo de uma turba revolucionária. O 7 de Setembro deveria simbolizar não os conflitos armados entre brasileiros e portugueses, mas um rei que se recusou a mandar seus irmãos nascidos em solo europeu a atirar em seus irmãos nascidos em solo americano, razão pela qual foi necessário ás côrtes liberais exigir isso.


O 7 de Setembro é celebração da continuidade, não da ruptura. De uma língua, de uma única nação, separada no tempo, na história, mas unida na língua e no coração. Se há uma independência que pode ser considerada conservadora, com certeza não é a americana, mas sim a brasileira.


 Athur Rizzi



 


07/09/2018, 22:47:32



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