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Diário Nacional

As opiniões expressas nos textos e comentários aqui postados  não representam  opiniões da Frente Integralista Brasileira; a responsabilidade é de seus respectivos autores.


Notas: A Reconstrução do Homem – Plínio Salgado*

As notas que se seguem são apenas breves comentários meus sobre alguns pontos tratados na obra A Reconstrução do Homem, de autoria do escritor e politico brasileiro Plínio Salgado. Tais pontos não configuram um resumo, nem tampouco substituem a leitura do livro (que recomendo avidamente).

***

 

1. Plínio Salgado observa que a crise civilizacional vivida é antes uma crise do homem. O homem, o “rei da criação”, a maior das criaturas de Deus,  foi reduzido a uma mera ferramenta.

2. Ora, como é que o homem quer ter eficiência na governança da nação se não é capar de governar-se a si mesmo? Assim antes de se falar em restaurar a civilização, faz-se antes necessário restaurar o homem.

3. Para bem ilustrar como se manifesta essa degradação do homem cita o autor diversos exemplos. Um deles o caso de uma família, onde o patriarca “desvirilizado” sequer é capaz de opor-se aos gastos supérfluos da esposa que comprometem o orçamento familiar. Concluindo o caso, o autor afirma imperativamente a necessidade de se restaurar a autoridade do patriarca no seio da família.

4. Comentando sobre a educação, constata que atualmente, a educação busca formar farmacêuticos, advogados, engenheiros….Seres que dominem a técnica e exerçam certas funções sociais e não homens integrais capazes de explorar todas as suas múltiplas potencialidades humanas.

5. Certos neodireitistas reféns deste pensamento tecnicista adoram resmungar a respeito das aulas de história, artes e sociologia no ensino fundamental e médio. Para eles estas aulas deveriam ser suprimidas em benefício de outras mais importantes como matemática, física e química. É inquestionável que no modo como hoje são ministradas, tais disciplinas hoje têm apenas servido a doutrinação ideológica. Mas, erra aquele que sugere suprimir tais matérias, o caminho está em ministrar as aulas da forma correta, a fim de que ensinem a verdade, e não a ideologia do partido A, B ou C.

6. Outro manifestação desta deformação moral do homem que se faz necessário destacar é a visão moderna da profissão. O homem moderno não encara a profissão como um serviço, uma troca entre ele e a coletividade, ele não busca ao realizar determinado serviço ser útil a sociedade mas, tão somente lucrar mais e o mais rápido possível. Quando a “função social” da profissão sai de perspectiva, aumenta-se o número de charlatões, e decai a qualidade dos serviços.

7. Salgado também é assertivo ao desmascarar a artimanha liberal de confundir a civilização moderna ou também chamada de Civilização Ocidental com a Civilização Cristã. Ora, a civilização cristã encontrou seu fim com os duros golpes da Revolução Francesa e da maligna (De) Reforma (Herética) Protestante. A tal civilização ocidental está estabelecida sob princípios agnósticos e materialistas, tendo a sociedade como fim em si mesma.

8. O autor também nos alerta sobre da falsa oposição entre capitalismo e comunismo, e mostra como um gesta o outro, como o liberalismo semeia o comunismo-totalitarismo. Quando o homem não é mais capaz de controlar a si mesmo, precisa de um Estado super-poderoso para fazer isso por ele.

9. Em uma breve reflexão teológica a respeito da inteligência, Salgado reafirma seu duplo aspecto:  a liberdade que o saber proporciona, e a responsabilidade que acarreta esta liberdade. Sem inteligência não há liberdade, sem liberdade não há responsabilidade. Assim, quanto mais sábio é o homem, mais livre o é,e deverá responder com maior responsabilidade pelo seus atos.

10. O autor também toca no assunto da idiotização dos brasileiros e da perda da “cultura do estudo”, e anos antes é capaz de prever exatamente o ambiente de hoje, que foi minimamente planejado pelos figurões por trás da NOM.

No caminho em que vamos, serão as futuras gerações constituídas de homens e mulheres autômatos, dirigidos despoticamente por uma elite exploradora de seus instintos. Esses homens e mulheres formarão a massa amorfa das coletividades stadartizadas, que se moverão, como aparelhos mecânicos, ao arbítrio de alguns indivíduos conhecedores de técnica de formação da opinião pública.

11. Continuando a linha de raciocínio que a crise do homem, é antes de tudo uma crise moral, o autor descreve com ainda mais exatidão e realismo o problema:

Em vez de perguntar: ‘qual das soluções consulta o pensamento que mo norteia a vida’, o individuo sem convicções pergunta, ‘qual das soluções me será mais rendosa?’

12. O homem moderno é materialista e mesquinho. Põe-se a ajoelhar-se ao dinheiro, a Mamon e pautar-se tão somente pela busca da fortuna do lucro e não pelo certo.

Que valem no mundo as riquezas, se elas não impedem as enfermidades do corpo ou da alma, a perda de entes queridos, os desgostos oriundos de tantos fatos da vida doméstica ou da vida social? Que vale o êxito na carreira ou nos negócios, se esse êxito não foi obtido pelos legítimos caminhos da honradez e por isso, traz um gesto amargo, que precisa ser disfarçado pelos prazeres entontecedores? Que valem as glórias, os triunfos e os aplausos, se eles provem das multidões volúveis, sopradas pelos ventos das emoções ocasionais ou dos caprichos de um momento e se, ainda quando deliciosos, não impedem ocultos sofrimentos do homem virtuoso?
Não quero dizer que o homem deva se privar desses bens terrenos, desde que eles não advenham ilegitimamente, o que quero dizer é que nenhum deles constitui a verdadeira, a perfeita felicidade, e tanto isso é certo que a geração atual, sequiosa deles, é uma geração e agitados e atormentados.

A mensagem não é um ódio à riqueza, mas, a insistência na verdadeira hierarquia dos valores. O homem deve primeiro buscar os bens espirituais, a virtude, o caráter e não sacrificá-los em prol dos bens voláteis desta terra.

13. Salgado notou o problema logo no inicio, os grandes figurões que puxam as cordas da política mundial, tem levado a cabo uma gigantesca operação usando de meios culturais, químicos e psicológicos para “desconstruir” a ideia dos sexos, e deformar os seres humanos.

Todos são irresponsáveis. Ninguém pode confiar em ninguém. Um plano diabólico acelerou nos últimos tempos a dissolução das responsabilidades e da própria consciência das personalidades. A tal ponto que rapazes se afeminam em exibições plásticas de Ganimedes praianos e as moças se masculinizam na desenvoltura holiudesca de garçonas despreconceitualizadas(…)

14. Ainda sobre a crise moral continua o autor:

Todas sabem tudo e ninguém sabe nada. Todos são autoridade, mas ninguém é respeitado. Todos assumem ares de responsáveis e ninguém cumpre os deveres da arrogada competência. Todos governam e ninguém obedece. Todos criticam e ninguém faz. É a desordem, a desonestidade , a loucura.

15. Além de uma crise moral, vivemos também uma crise de Fé. O homem entorpecido pela busca da matéria vai aos poucos apagando a chama de sua Fé:

Principiamos esfriando a nossa crença em Deus, porque não tínhamos tempo de pensar n´Ele, ou de dedicar-Lhe alguns minutos de meditação, no meio do tumulto da vida praticável; em assim acabamos frigorificados espiritualmente, com a consciência endurecida como gelo. (…)

Se o autor vivesse ainda em nossos dias, teria um novo fenômeno a analisar, o advento do protestantismo no Brasil em que pastores de ocasião como Macedo, Valdomiro, etc; fazem da fé uma mercadoria, prometendo uma “prosperidade terrena” e roubando rios de dinheiro de fiéis incautos.

16. Ainda tratando dos problemas que influem sobre o homem, fala o autor daquilo a respeito da tecnologia:

O Homem avita-se, destrói-se. Julga ser um gigante porque produziu a Máquina, o vasto instrumental do experimentalismo e da pesquisa cientifica, os meios de construir e destruir. Mas na realidade torna-se um títere que não exerce governo sobre os seus próprios movimentos. Quanto mais domina a natureza exterior, menos orienta, administra e governa a si mesmo.

Este mesmo ponto também é tratado pelo Sumo Pontífice na Laudato Si’, a tecnologia tem representado não um empoderamento da humanidade como um todo, mas, daqueles que detém o domínio sobre a técnica. (maiores detalhes ver subtítulo “O Paradigma Tecnocrático” na Encíclica Laudato Si’)

17. Pois bem, e diante de tantos problemas o que fazer?Além de combater o que é mal, faz-se ainda mais importante trabalhar para “construir” o que é bom:

Não basta destruir o que é mal; é preciso construir o que é bom. A formação da consciência de um povo não se processa pelo incitamento das forças negativas, mas pelo cultivo e pelo estimulo das energias afirmativas.

18. E essa construção se dá primeiro de modo individual…

O jovem deve construir-se primeiro para depois pensar em construir a sociedade. A autoconstrução não se faz nas praças públicas, nem no fragor das manifestações coletivas; pelo contrario, forja-se no estudo, na meditação, na discussão, na troca de ideias

…para, por fim, passar ao âmbito coletivo.

19. Mas o que fazer? O que construir? O que ensinar?

O essencial é ensinar o povo a ser idealista; a reputar as exclusivas e mesquinhas preocupações materiais; a dedicar-se ás nobres causas do bem comum; a dar valor aos homens de virtude; a considerar mais importante o caráter e a moralidade do que o dinheiro e as posições brilhantes; a amar a sobriedade, a austeridade; a enaltecer os que se sacrificam, na pobreza, nas adversidades e no infortúnio, para sustentar o pendão dos altos sonhos arrebatadores; a estimar mais o trabalho do que os proventos, mais a honra do que a comodidade ou a ostentação; a desprezar o luxo e as fátuas grandezas; a detestar a ociosidade; a execrar a sensualidade; a repugnar a inutilidade; a repelir a irresponsabilidade; a proscrever a covardia, a preguiça a moleza, a indiferença, o fatalismo; a apegar-se ás tradições da Pátria e pela Pátria cultivar as virtudes vivificadoras.

20. O autor não deixa de registrar um fenômeno comum na natureza do povo brasileiro, certa sanha pela destruição:

Esse prazer se encontra em todas as manifestações da vida quotidiana, desde a volúpia com que se rasgam a gilete os estofos das poltronas nos cinemas, ou a canivete escalavram os bancos das praças públicas, ou se riscam os elevadores , ou se emporcalham os trens e bondes, até a volúpia mais refinada com que, nas rodas elegantes ou plebeias , ás mesas dos bares ou das boates, no transito das lotações ou nas salas fidalgas, se comentam reais ou hipotéticos desfalques, negociatas, adultérios, malversações de dinheiros públicos, protecionismos vergonhosos ou indignidades políticas

21. E volta a insistir na necessidade de corrigir estes e outros vícios através da educação. Essa educação não partiria inicialmente do Estado, mas de um movimento político cultural (o Integralismo por ele idealizado) que tomaria a responsabilidade de educar a nação, produzir ideias, fundar escolas e institutos a fim de se ensinar a virtude e os valores da pátria e etc.

Pode-se dizer que de certa forma isso se iniciou, décadas atrás a AIB tinha uma pujante produção intelectual, bem como administrava várias escolas, institutos e jornais. Hoje em dia, porém, este “aparato cultural” foi perdido, e a influência do movimento na cultura nacional perdeu muita de sua força e vigor.

22. Destaca ainda Plínio que: o homem integral não é um conformista bem adaptado ao presente, mas pelo contrário alguém que bebe na sabedoria do passado em busca de construir o futuro:

O Homem que vê o Futuro não convive com o Presente, antes integra-se no Passado. Só o Passado nos dá as coordenadas do Futuro e todo aquele que vive exclusivamente ‘atual’, é incapaz de construir o ‘porvir’.

E que inevitavelmente, este homem encontrará resistência dos seus contemporâneos:

Em todos os tempos, entretanto, os ‘homens novos’ encontram a resistência dos ’homens velhos’, não no sentido cronológico, mas no sentido dos maus costumes que não querem ser substituídos pelos bons.

23. Concluindo agora estas breves notas, retomo e destaco os principais pontos do livro:

  • A crise civilizacional que vivemos é antes uma crise do homem;
  • Tal crise é de natureza principalmente moral, e sua principal causa é o espírito burguês, cujo principal sintoma é um apego desmedido à matéria;
  • Diante de tal cenário, faz-se necessário ao homem operar em si uma revolução interior, para expulsar de si tais influências. As armas desta revolução interior seriam a educação, a mística cristã, e o nacionalismo;
  • Feito isso, cabe ao indivíduo ajudar aos demais na sua revolução interior, criando assim novos homens para realizar um novo Brasil.

Edmundo Noir

 

* Texto originalmente publicado no portal do Instituto Shibumi (www.institutoshibumi.org)


05/11/2016, 19:33:24



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