Precisamos de sua ajuda para manter nossas atividades.
Atualmente, além das inúmeras despesas fixas, são também centenas de metas, projetos e desafios a conquistar que dependem de sua colaboração direta. Escolha abaixo como pode nos ajudar:

Ação voluntária

Atue junto aos núcleos, participe de cursos, panfletagens, manifestações e divulgue a doutrina para outras pessoas.
Ação voluntária
OU

Contribuição financeira

Ajude a manter nossos projetos. Para colaborações financeiras, escolha aqui a opção mais adequada a você: boleto ou depósito.
Colabore



Pedro Baptista de Carvalho

Escritor e articulista. Bacharel em Direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e advogado. Mestre em Direito Civil, na área História do Direito, pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Presidente da Frente Integralista Brasileira e 1º Vice-Presidente da Casa de Plínio Salgado.


A propósito do Vovô Índio

Criado em 1932 pelo escritor, poeta e jornalista Christovam de Camargo, o Vovô Índio, que, na intenção de seu criador, deveria substituir o Papai Noel, teve muitos adeptos na década de 1930, e alguns no decênio seguinte, havendo mergulhado desde então nas águas do mais absoluto esquecimento.

Em fins do ano de 1932, Christovam de Camargo abriu um concurso, entre pintores e escultores patrícios, promovido pela Sociedade dos Artistas Brasileiros e destinado, em suas palavras, “à escolha do tipo de Vovô Índio e Vovô Índio de Natal”,[1] distinguindo-se este último do primeiro por portar presentes natalinos para as crianças.

No entender do criador do Vovô Índio, que daria à estampa, em 1935, a obra Fabulário do Vovô Índio, prefaciada pelo escritor, poeta, teatrólogo e jornalista Luís Edmundo, o enraizamento do personagem do Vovô Índio nos costumes pátrios seria “o primeiro passo da grande campanha pelo ‘Abrasileiramento do Brasil’”, ardorosamente pregada por ele nas páginas do livro  O grave problema da instrução popular no Brasil,[2] de 1931.

Segundo afirmou Christovam de Camargo, este, ao criar o Vovô Índio, não pretendeu estabelecer um “tipo emblemático de brasileiro”, a exemplo do John Bull inglês ou do Tio Sam da pátria de Washington - tipo esse que só poderia ser de um homem branco”, - mas tão somente “encontrar um símbolo nativista, simples motivo folclórico”, que viesse “conquistar a posição intrusamente ocupada por Papá Noel”.[3]

Não havendo o júri do concurso que deveria escolher o tipo de Vovô Índio e de Vovô Índio de Natal chegado a um veredito, abriu Christovam de Camargo, no mês de janeiro do ano de 1933, um novo concurso para a escolha da figura do Vovô Índio.[4] Neste segundo concurso, foram premiados os senhores Euclydes Fonseca, Henrique Cavalleiro e Humberto Nabuco dos Santos.[5]

Entre os numerosos adeptos que o Vovô Índio teve no alvorecer da década de 1930, figuram alguns integralistas, como Oswaldo Gouvêa, autor de Brasil Integral (1935), que escreveu o poema Vovô Índio,[6] e o célebre pintor Oswaldo Teixeira, que desenhou a fantasia Vovô Índio de pau-brasil, reproduzida no jornal Correio da Manhã, do Rio de Janeiro, em 25 de dezembro de 1934.[7]

Ao contrário do que julgam alguns, porém, a Ação Integralista Brasileira (AIB) e os seus principais líderes jamais seguiram a ideia de Christovam de Camargo, ou, em outras palavras, nunca advogaram a substituição do Papai Noel pelo Vovô Índio, figura que sequer é mencionada, aliás, em nenhum dos diversos jornais e revistas integralistas por nós consultados.

Não defendemos a substituição do Papai Noel, ou Pai Natal, como se diz em Portugal, pelo Vovô Índio, mas sim a devolução do Natal ao seu verdadeiro dono, que é o Nosso Senhor Jesus Cristo, o Divino Mestre, Rei do Universo e Divina Fonte de Água Viva. E consideramos salutar que também sejam lembrados, no dia da Natividade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Nossa Senhora, São José, os pastores que viram o Anjo do Senhor a anunciar, nos céus, que o Salvador nascera em Belém e, em seguida, a multidão de anjos dos exércitos celestiais a proclamar “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade” (LUCAS. 2,14), tendo então acorrido à gruta para adorar o Messias; os três magos do Oriente, que, naquela santa noite, seguiam a estrela em direção ao Cristo e à Cidade de Davi, e, ainda, São Nicolau, de quem o Papai Noel não passa de uma paródia materialista e burguesa.

Não deixamos de ver, contudo, o personagem do Vovô Índio com uma certa simpatia e ficaríamos felizes caso alguém o retomasse, não como personagem-símbolo natalino, mas sim como protagonista de contos e/ou estórias em quadrinhos, convertido à Fé verdadeira,[8] como um autêntico “guerreiro de Cristo”, a exemplo do Cacique Tibiriçá,[9] e totalmente despido dos absurdos preconceitos antilusitanos que inspiraram o personagem original.[10] Tais preconceitos, aliás, sempre foram combatidos pelo Integralismo e àqueles que, sem conhecimento de causa, pensam o contrário, recomendamos a leitura de obras como O Rei dos reis (1946), Mensagens ao Mundo Lusíada (1946) e Como nasceram as cidades do Brasil (1946), de Plínio Salgado, Gil Vicente e outros estudos portugueses (1940), de Tasso da Silveira, e Portugal, semente de impérios (1943) e Quinas e castelos (1948), de Gustavo Barroso.

O elemento mais positivo do Vovô Índio – e que é, também, aquele que mais o aproxima do Integralismo, - é o seu patriotismo e o seu nacionalismo. E vale ressaltar que, como escreveu Christovam de Camargo, “Vovô Índio, com o nobre nacionalismo que o caracteriza”, está muito longe de ser um chauvinista e um xenófobo, desejando, em verdade, o bem e a felicidade de todas as nações. Encerramos este breve artigo citando algumas linhas do criador do Vovô Índio, em que este sintetiza o justo nacionalismo do seu célebre personagem:

Vovô Índio reivindica para o Brasil o direito de viver por si, de dirigir ele mesmo as suas coisas, de se libertar do estrangeiro que o tiraniza pela força ou queira dominá-lo pela astúcia, que se imponha pela brutalidade das armas ou se insinue pela sugestão do dinheiro.

(...) Por isso Vovô Índio (...) proclama a necessidade de uma política desanuviada e varonil, estimuladora das energias nacionais, fomentadora de iniciativas úteis, criadora de riqueza – uma política que relacione as competências, combata os displicentes, destrua os exploradores e faça do Brasil o que ele deve ser – uma pátria imensa.[11]

 

Por Cristo e pela Nação!

                Victor Emanuel Vilela Barbuy,

                Presidente da Frente Integralista Brasileira,

                Campos do Jordão, 19 de dezembro de 2016-  LXXXIV.

 

 


 

[1] Substituição de Papá Noel por Vovô Índio: As condições do concurso aberto entre pintores e escultores pelo escritor Christovam de Camargo, in Correio da Manhã, ano XXXII, nº 11662, Rio de Janeiro, 11 de dezembro de 1932, p. 9.

 

 

[2] Idem, loc. cit.; Idem, A figura de Vovô Índio, in Correio Paulistano, ano LXXXII, nº 24560, São Paulo, 15 de dezembro de 1935, p. 28.

 

 

[3] Idem, loc. cit; Idem, A figura de Vovô Índio, cit., loc. cit.

 

 

[4] Cf. CORREIO DA MANHÃ, O Vovô Índio: As condições do próximo concurso, in Correio da Manhã, ano XXXII, nº 11687, Rio de Janeiro, 10 de janeiro de 1933, p. 7.

 

 

[5] Cf. Christovam de CAMARGO, A origem do Vovô Índio, in Correio da Manhã, ano XXXIII, nº 11979, Rio de Janeiro, 17 de dezembro de 1933, p. 25.

 

 

[6] Vovô Índio, in Correio da Manhã, anno XXXII, nº 11680, Rio de Janeiro, 1º de janeiro de 1933, p. 20. Encontramos o mesmo poema no jornal  Correio Paulistano (Ano LXXXII, nº 24568, São Paulo, 25 de dezembro de 1935, p. 21).

 

 

[7] Correio da Manhã, anno XXXIV, nº 12297, Rio de Janeiro, 25 de dezembro de 1934, p. 24.

 

 

[8] De maneira nada ortodoxa, afirmou Christovam de Carvalho que o Vovô Índio, pagão durante a vida, foi batizado depois de morto para entrar no Céu, tendo como padrinhos Nossa Senhora e São José (Vovô Índio e as crianças, in Correio da Manhã, anno XXXIV, nº 12297, Rio de Janeiro, 25 de dezembro de 1934, p. 24).

 

 

[9] Quem primeiro se referiu a Tibiriçá como “guerreiro de Cristo” foi Plínio Salgado, de quem recomendamos as páginas dedicadas ao nobre cacique guaianás em Como nasceram as cidades do Brasil (Como nasceram as cidades do Brasil, 5ª edição (em verdade 6ª), São Paulo, Voz do Oeste; Brasília, INL (Instituto Nacional do Livro), 1978,  pp. 44-48 )

 

 

[10] Os preconceitos antilusitanos de Christovam de Camargo ficam claros em seu texto Vovô Índio e as crianças (Vovô Índio e as crianças, cit. , p. 23), em que trata os nossos ancestrais portugueses como conquistadores cruéis e sanguinários.

 

 

[11] O PEN Clube, Vovô Índio e a xenofobia nacional, in Correio Paulistano, ano LXXXIII, nº 24729, São Paulo, 27 de outubro de 1936, p. 7.

 

 

 


22/12/2016, 21:07:35



A propósito do Vovô Índio | - Integralismo | Frente Integralista Brasileira ..