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Gumercindo Rocha Dórea

Este espaço é dedicado a comentários sobre temas diversos, os quais alguns podem desde já ser apresentados: política nacional, análises sobre nossa organização, textos a respeito da geopolítica global e breves comentários sobre Ciência Política e Teoria do Estado.


Na Líbia, o triunfo da covardia

Pode-se chamar de vitória da democracia, de liberdade, de legal, o assassinato de pelo menos 70 mil pessoas, a quebra da soberania de um Estado, a destruição completa de suas cidades e de sua infra-estrutura, a usurpação de seus recursos, sua subserviência econômica e política aos invasores, bem como a condenação à morte, sem direito a julgamento do líder de um país? Essa é a liberdade que a OTAN oferece ao povo líbio?

São oportunas as considerações que farei abaixo, dirigidas principalmente àqueles que continuam cegos e iludidos com as mentiras difundidas pela imprensa global, considerações dirigidas àqueles que continuam apoiando o covil de traidores antipatriotas que formam o governo da “nova” Líbia.

***

No mês de fevereiro, pouco após a fulminante queda dos governos da Tunísia e do Egito, no Norte da África, uma tímida e aparente insurreição popular começou a tomar corpo em território líbio. O levante “rebelde” deu-se inicialmente em cidades próximas das fronteiras da Tunísia e do Egito, nações que até o momento encontravam-se em completo caos e que juntas cumprem geograficamente o papel de pinça em relação à Líbia. Pequenos erros à parte, denunciei na ocasião que a insurreição nada tinha de popular e que era sustentada, na verdade, por potências estrangeiras, fato que foi confirmado dia após dia.

Com o correr das semanas e o completo desastre do avanço “rebelde” nos extremos do país, houve, em paralelo, uma escalada do apoio aos rebeldes pela imprensa e por parte de um seleto grupo de países, que, não ocasionalmente, são membros signatários da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Nas extremidades opostas, onde a luta seguia, agora o interino governo Islâmico (não declarado) do Egito supria os rebeldes da Líbia com material militar e o mesmo faziam as potências ocidentais, sobretudo os estadunidenses, a partir da Tunísia.

No entanto, apesar dos diabólicos esforços, nenhum sinal de levante da população Líbia mostrava-se aparente. Gaddafi denunciava estar lutando não contra rebeldes, mas, contra a Al Qaeda no leste (fronteira com o Egito) e contra mercenários estrangeiros no oeste (fronteira com a Tunísia). Não obstante, o exército regular da Líbia conseguiu empurrar os invasores de volta para as fronteiras, até que foi surpreendido em março pela Resolução 1973 do Conselho de Segurança da ONU que, na prática, autorizava (como se fosse preciso) a OTAN a impor um bloqueio ao espaço aéreo da Líbia e a oferecer suporte militar aéreo às tropas rebeldes.

A partir deste momento, um revés no cenário militar providenciado pelos mais de duzentos aviões da OTAN mobilizados para atuar no conflito, responsáveis por executar mais de vinte mil missões na chamada “Operation Unified Protector”, pôs em xeque a capacidade de defesa da Líbia: unidades inteiras do exército regular dizimadas, cidades completamente arrasadas e a destruição completa da capacidade de defesa obrigaram o governo a se isolar em Trípoli.

Nesse contexto, mesmo após meses de bombardeios e sem qualquer possibilidade de avanço do mal treinado exército rebelde, composto basicamente por caminhonetes, sobre uma cidade de mais de um milhão de habitantes, como Trípoli, a OTAN forjou no dia 21 de agosto a suposta conquista da Praça Verde (veja abaixo), no centro da capital. As imagens veiculadas incessantemente pela imprensa foram o pretexto final para o grande bombardeio durante a madrugada do dia 22 de agosto, que deixou nas primeiras horas cerca de 1.600 mortos, destruiu completamente a infra-estrutura de Trípoli e obrigou a retirada das tropas do governo para Sirte, onde este resistiu por quase três meses, até que na última quinta-feira (20), aviões da OTAN atacaram o comboio em que Gaddafi estava presente. A história, de lá para cá, todos conhecem...

No domingo (23) realizou-se em Bengasi uma festiva cerimônia onde foi oficialmente declarada a libertação da Líbia pelos rebeldes opositores ao governo de Gaddafi. Segunda (24), outra solenidade anunciava publicamente que a “nova” Líbia seria regida pela sharia, código de leis do islamismo. O anúncio foi feito pelo Presidente do Conselho Nacional de Transição (CNT), Mustafá Abdul Jalil. Ou seja, leis que proíbem a poligamia, por exemplo, estão revogadas na “nova” Líbia do CNT; as mulheres, assim como uma série de minorias não islâmicas, como os cristãos árabes, terão sua cidadania limitada na “democrática” Líbia forjada nesta segunda onda de colonização do mundo árabe.

Este último personagem, aliás, é a prova personificada da incoerência que os abutres tentam impor ao mundo. O Sr. Mustafá Abdul Jalil era, até o início da invasão da Líbia, nada menos que o Ministro da Justiça, de uma justiça que, segundo os países da OTAN, jamais existiu na Líbia. Fica evidente então que o papel deste senhor na situação é a de negociante, que ele vendeu a soberania da Líbia aos agentes internacionais.

Dadas as breves e esmiuçadas explicações, faz-se importante alertar aos desavisados que um movimento cívico-político-social, como é o Integralismo, por exemplo, triunfa sozinho na libertação de seu povo e não necessita de uma coalizão internacional composta por 42 países saqueadores; surge espontaneamente e não dos planos de invasão da OTAN ou do Pentágono.

Cumpre dizer que um verdadeiro movimento cívico-político-social ocorre neste momento em Trípoli: é o levante da resistência líbia após a morte de Gaddafi, razão pela qual o governo que “libertou” a Líbia ainda permanece acuado em Bengasi e não na capital do país.
Quem controla Trípoli? Veja você mesmo...

Para finalizar, longe de compartilhar da identificação com o “socialismo” de que partilhava Gaddafi, embora algumas de suas idéias fossem razoáveis, é importante ressaltar a necessidade da busca pela verdade. Só um mau-caráter pode conhecer os fatos e insistir que a invasão da Líbia é um movimento legítimo pela libertação de seu povo.

Eduardo Ferraz
Secretário de Expansão e Organização da Diretoria Administrativa Nacional
 
* Na imagem que ilustra este artigo, rebeldes queimam livros durante protesto na cidade de Bengasi.

26/10/2011, 01:30:27



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