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Gumercindo Rocha Dórea

Este espaço é dedicado a comentários sobre temas diversos, os quais alguns podem desde já ser apresentados: política nacional, análises sobre nossa organização, textos a respeito da geopolítica global e breves comentários sobre Ciência Política e Teoria do Estado.


Análise sobre a situação atual do Oriente Médio

Nos últimos dias embaixadores líbios renunciaram na Austrália, na China, nos Estados Unidos, na Índia e na Indonésia. Em Paris, a embaixada foi ocupada por revolucionários. Em Malta, república ao sul da Itália, dois pilotos de aviões militares de combate da Força Aérea Líbia desertaram após aterrissagem inesperada no aeroporto internacional de La Valetta. Desertores aos milhares também no Exército e nas forças policiais, que contam agora com mercenários para conter os oposicionistas. Há relatos que contabilizam a queda de duas cidades, bem como a existência de um “Quartel General do Comitê Revolucionário”, em Benghazi, segunda maior cidade Líbia. Tais episódios são a prova irrefutável da fragmentação completa do governo de Muammar al-Gaddafi (ou Khadafi), a “bola da vez”.

Este é o prelúdio do capítulo atual da longa e trágica narrativa de destruição dos povos do Norte da África e do Oriente Médio.

***

Complicado é compreender o que acontece na região em conflito em parte do Norte da África e do Oriente Médio. Mais difícil ainda é tentar entender alguma coisa dadas as notícias que nos chegam, provenientes de informações desencontradas e fontes nada confiáveis. Tolice mais grave é confiar que o Facebook é a arma ou a força oculta por trás dos protestos em nações como o Egito ou a Líbia, aonde os índices de usuários de internet chegam a apenas 16,6% e 5,1%, respectivamente, insuficientes para projetar uma insurreição deste tamanho. Cabe confiar em uma releitura dos fatos que antecederam estes episódios e passaram quase que despercebidos em meio ao volume de informações do nosso cotidiano.

Em Maio de 2010 as forças de segurança do Kuwait desmontaram uma rede de espionagem da Guarda Revolucionária do Irã instalada em diversas cidades do país. O grupo era integrado por militares que trabalhavam infiltrados nos ministérios kuwaitianos do Interior e de Defesa, além de “biduns”, cidadãos árabes que não tem nacionalidade. Foram encontrados com os espiões mapas de instalações militares estratégicas do país, aparatos sofisticados de comunicação e uma quantidade de dinheiro superior a 250 mil dólares. Fontes da contra-espionagem kuwaitiana informaram na ocasião que o trabalho de coleta, análise e envio de informações a Teerã teria começado há cerca de dois anos.

O Kuwait, assim como era o Egito, é um dos principais aliados dos Estados Unidos da América (EUA) na região do Golfo Pérsico e abriga várias bases militares estadunidenses. Curiosamente (ou não), o Kuwait foi um dos únicos aliados daquela nação a não cair na onda de protestos que tem balançado governos e figurões de pelo menos doze países da região. Cabe observar que a relação pobres versus ricos é um pretexto, mas não apresenta relação direta com a origem dos protestos, uma vez que países ricos, como o Bahrein, também enfrentam uma séria crise nos últimos dias.

Inicialmente, a propagação dos protestos se deu em nações que de uma forma ou de outra tinham seus governos apoiados pelos Estados Unidos da América e politicamente garantiam certa estabilidade regional para os negócios, para a política exterior norte-americana e para a segurança de seu maior aliado na região: o Estado de Israel.

Hosni Mubarak denunciou que os radicais muçulmanos estavam por trás da revolução egípcia. O general Zine El Abidine Ben Ali disse a mesma coisa na Tunísia e o rei Abdulá, da Jordânia, vê “uma mão obscura e sinistra, a mão da Al Qaeda, da Irmandade Muçulmana”, por trás da insurreição que percorre o mundo árabe. No sábado, as autoridades do Bahrein descobriram que o Hezbollah estava por trás dos levantes xiitas no país.

O Hezbollah, que tem sua maior inspiração na Revolução Islâmica, segundo analistas, recebe anualmente cerca de 100 a 200 milhões de dólares do governo de Teerã e é sem dúvida uma “frente iraniana” junto ao conflito árabe-israelense. Tem uma infra-estrutura sofisticada, capaz de infiltrar-se em outros países e incitar a revolta junto a comunidade xiita.

Cumpre observar que nos países deflagrados as células de espionagem da Guarda Revolucionária do Irã não foram descobertas, ao contrário do que ocorreu ano passado no Kuwait, mas há sinais claros e de certa forma oficiais do envolvimento da República Islâmica do Irã na reviravolta do jogo político no Oriente Médio. “Em breve nós veremos um novo Oriente Médio se materializando sem os Estados Unidos e o regime sionista, e não vai haver espaço para a arrogância nele”, declarou Ahmadinejad, referindo-se aos episódios recentes.

Não é feita aqui apologia a nenhuma das partes citadas; há apenas uma vaga noção do que está por vir com base em observações próprias, mas sem dúvida os estadunidenses sofreram nas últimas semanas as maiores derrotas de sua história: o vazamento de centenas de milhares de documentos secretos e a exposição imediata de milhares de informantes e espiões ao redor do planeta. Enquanto isso, o Irã, com uma estratégia meticulosa talvez obtenha sua mais importante vitória político-diplomática em décadas, com o realinhamento das nações do oriente médio a seu favor. A prova disso? Nesta semana dois navios de guerra iranianos passaram pelo Canal de Suez com autorização do recém-formado e interino governo egípcio, o que não ocorria desde 1979, com o advento da Revolução Islâmica. Um sinal claro para Estados Unidos e para o Estado de Israel de que nada mais será como antes.

Quanto à Líbia? É a primeira das nações sob insurreição popular cujo governo, por um fio, recusa-se a ceder, enfrentando a população desarmada com bombardeios e mercenários. A Líbia é um teatro de operações para a espionagem iraniana e para a espionagem anglo-sionista. As únicas certezas para a Líbia neste momento são guerra civil, genocídio e a ascensão de um novo governo necessariamente submisso às nações que disputam a supremacia local.

Eduardo Ferraz
Secretário de Expansão e Organização da Diretoria Administrativa Nacional


25/02/2011, 11:43:59



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