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Gumercindo Rocha Dórea

Este espaço é dedicado a comentários sobre temas diversos, os quais alguns podem desde já ser apresentados: política nacional, análises sobre nossa organização, textos a respeito da geopolítica global e breves comentários sobre Ciência Política e Teoria do Estado.


Fevereiro sangrento na Venezuela

Eu gostaria de me desculpar pelo fervor destas palavras, mas é difícil organizar o pensamento quando a razão foi obscurecida por tanta impunidade e injustiça. Falo desde uma situação de impotência, sim. E também de indignação. Mas não confundam o meu discurso com o de alguém que não pensou as suas palavras, nem analisado detalhadamente a situação. Depois de tudo, viver em um país como a Venezuela termina por provocar um estado de alerta perpétuo. Quem melhor para enfrentar o perigo que se acerca? Quem senão os venezuelanos deveriam lutar com mais afinco? Deveríamos, sim, deveríamos.  Alguém nos escuta?

Os recentes acontecimentos não são fortuitos, nem tampouco o produto de um plano macabro orquestrado pelos interesses imperialistas, fascistas, ou da extrema-direita internacional.  Qualquer epíteto que o governo nacional tenha desejado impingir à Resistência é uma mentira vil cuja intenção é ocultar a real origem das manifestações: nossa guerra até a morte contra a violência.
 
 
Entretanto, muitos não querem entender que a paz só pode ser obtida por meio da justiça. E em um cenário em que os meios regulares, republicanos e democráticos de obtenção da justiça estão completamente assediados, não deveria haver dúvida de que o resultado será violento.
 
A equação é básica: uma polarização absoluta que subsiste no despotismo absoluto.
 
O certo é o seguinte: não existe meio ideológico ou discurso político capaz de desculpar ou legitimar os abusos que vem sendo cometidos. Lamentavelmente, esses abusos são em grande parte desconhecidos por um movimento de AUTOCENSURA da parte de todos e cada um dos grandes meios de informação do país. A INFORMAÇÃO está sendo VEDADA e o seu fluxo AMPUTADO. Sendo assim, ninguém deveria ficar surpreso que o pouco que pode ser acessado de outras partes do mundo seja uma completa bufonaria, que nada tem a ver com a realidade.
 
Sintetizemos:
 
Estamos há uma semana nas ruas. Alguns setores do país conheceram o inferno e a perseguição. As províncias de Táchira e Mérida viram correr o sangue dos seus filhos em mãos de assassinos protegidos pelo governo. Duas semanas atrás, durante a celebração da Série do Caribe (evento esportivo realizado todos os anos nesta data), a província de Nova Esparta conheceu a repressão policial, e o governo justificou o ocorrido com o discurso de sempre: éramos nós, os que não possuímos o legítimo monopólio da violência, os que vemos morrer os nossos irmãos, amigos e conhecidos, os que não podemos responder ante a força bruta e imperdoável do Estado, ante a intimidação bruta e primitiva do crime comum. Éramos nós, os mortos, os feridos. Os esquecidos, quem havíamos acendido a chama. Nós, os fascistas, os terroristas, os conspiradores.
 
 
Enquanto isso, a oposição política, débil e fraudulenta pedia calma. Esfriando as ruas. Colaborando com o regime.
 
Hoje é 12 de fevereiro. Na minha cidade natal, Maracay, fui testemunha de como uma manifestação pacífica foi dissolvida por criminosos motorizados. O avant-garde, o para-choque do governo. Dispararam para matar, com armamento real. Calibres 9 e 22. Imediatamente depois, já desencadeado o pânico, chegou a polícia aos gritos de “corram malditos!”. E após essas palavras investiram contra o povo. Fazendo correr. Fazendo gemer. Levando as pessoas a se esconderem. Muitos se refugiaram em edifícios próximos. O centro médico, uma padaria casual, ruas pouco transitadas. Outros não tiveram tanta sorte e foram espancados ao ritmo dos disparos e das bombas de gás lacrimogêneo.
 
Em Caracas a história se repetia. O movimento TUPAMAROS, de índole comunista, se lançou contra os manifestantes.
 
Distribuíram democracia! Encheram de democracia o corpo de mais de uma pessoa. Bassil Dacosta morreu de tanta democracia. Igual que outros vinte e dois mil cidadãos, que nos últimos 365 dias estão apodrecendo em uma tumba porque sufocaram de paz e sossego.
 
Todos temos medo. Negá-lo seria covarde e vil. Todos temos medo. A diferença está, acredito, em enfrentá-lo de qualquer maneira. Ainda quando as condições nos são completamente desfavoráveis. Amanhã continuaremos lutando. Da mesma maneira que hoje e sempre. Isto não se trata de dirigentes políticos oportunistas, tampouco de criminosos e demagogos de ofício.
 
Leopoldo López e Maria Corina Machado também são parasitas. O sistema todo é. Nós, os estudantes, os trabalhadores, os mortos, somos a solução, o antibiótico, o medicamento.
 
Cortaram a luz. Casualidade? Escutam-se sirenes e gritos.
 
Como é difícil contar a história quando se é parte dela!


Andrés della Chiesa
Estudante de letras da Universidade de Buenos Aires, é nacionalista e importante liderança estudantil na Venezuela.


Notas:
[1] Publicado originalmente na página do próprio Andrés. Disponível em: http://adellachiesa.wordpress.com/2014/02/16/sobre-o-12-de-fevereiro/
[2] Leia a segunda entrevista da série "Nacionalismo no Mundo": http://www.integralismo.org.br/?cont=781&ox=211
[3] A página do ORDEN pode ser acessada pelo seguinte endereço: http://nacionalistas.com.ve/

16/02/2014, 15:25:06



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