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Gumercindo Rocha Dórea

Este espaço é dedicado a comentários sobre temas diversos, os quais alguns podem desde já ser apresentados: política nacional, análises sobre nossa organização, textos a respeito da geopolítica global e breves comentários sobre Ciência Política e Teoria do Estado.


O Código de Ética Jornalística

No dia do jornalista, uma pequena contribuição de Plínio Salgado. Se os jornalistas brasileiros às seguissem, nossa imprensa talvez não fosse tão imoral e corruptível.

***

O Código de Ética Jornalística
(Que serve de norma aos jornalistas do Sigma)

– Lido por Plínio Salgado no Congresso Nacional de Imprensa de Belo Horizonte, em 1936.

 

I
Não escrevas sem conheceres o assunto de que tratas.

II
Faze do jornal um órgão ativo de educação e creação, e jamais um órgão passivo, escravizado ás massas.

III
Respeita o teu leitor; ele confia na tua informação; sê verdadeiro e justo.

IV
O século 19 foi o século do jornal disponível, a praça publica onde se erguiam as vozes de todas as opiniões; mas este século cheio de angustias, é o século do jornal doutrinário, parque o povo quer se orientar.

V
Uma grande manchete escandalosa pode render mais alguns nikeis no balcão, mas isto pode custar o preço da dignidade de um jornal.

VI
Pensa três dias antes de publicares um ataque pessoal; ao fim de três dias. mesmo quando, esse ataque for considerado justo, substitui, se puderes, esse artigo por u ma pagina doutrinaria.

VII
Risca do teu dicionário toda palavra caluniosa, injuriosa, imoral, grosseira; é uma questão de higiene e de decência, de nobreza e de estética.

VIII
Eleva-te; verás melhor e todos te verão melhor.

IX
Quando tratares de fatos concretos pergunta: tenho as provas?

X
Sempre que tratares de u ma questão técnico-especializada, em que não sejas profundo, não te entregues ao critério de um único especia¬lista; muitos jornais honestos adquiriram injusta fama de venalidade, porque seus diretores não tiveram essa precaução.

XI
Cuidado com os amigos, mais do que com os inimigos; estes já os conheces, mas aqueles podem, até mesmo de boa fé, servir a interesses desconhecidos ou inconfessáveis.

XII
Defende e prestigia a tua classe; sê solidário com os teus colegas; e ao teu próprio adversário, se ele é dig no, rende lhe as homenagens nos limites da tua dignidade, socorre-o nos momentos que se tornar necessário o teu concurso.

XIII
Não disfarces com a neutralidade da matéria paga qualquer publicação que contrarie a orientação do teu jornal.

XIV
Lembra-te de que o teu jornal tem ingresso nas casas das famílias brasileiras; evita tudo que puder ofender a dignidade de olhos e ouvidos cristãos.

XV
Não acredites que a mentira possa prestar serviços á tua causa; a verdade pode não conseguir as primeiras vitorias, porém a ultima sempre lhe pertence.

XVI
É uma injuria ao povo e um grande erro dizer que um jornal precisa descer de nível para que o público, o compreenda; crê nas poderosas intuições do povo e estimula nele a consciência do seu valor em vez de deprimi-la.

XVII
Evita a exploração do sensacionalismo; além de constituir um comercio da desgraça alheia, é um incentivo pernicioso aos espíritos fracos.

XVIII
Realiza a independência financeira do teu jornal; a imoralidade da redação procede sempre da penúria da gerencia.

XIX
Defende a liberdade da imprensa, mas não confundas liberdade com direito de calúnia, de mentira e de venalidade.

XX
Escreve como se escrevesses com o teu próprio sangue, á luz de tua própria alma.

XXI
Quando sentares á tua mesa para escreveres aos teus concidadãos, lembra-te que toda a tua dignidade profissional decorre de estares em função de superiores interesses nacionais. 


Fonte:
[1] Integralismo, vol. XI, p. 136, Rio de Janeiro: Clássica Brasileira, 1959. 9 CÓDIGO DE ÉTICA JORNALÍSTICA.


07/04/2013, 17:27:45



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