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Gumercindo Rocha Dórea

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PUC-SP: Manifesto contra a greve no campus

Foi publicado em uma carta aberta intitulada “Carta dos estudantes da PUC-SP“, de autoria anônima, que esta presente ação estudantil se coloca contra a “inesperada usurpação da democracia na PUC-SP”. Também que “a comunidade da PUC-SP não aceita, em hipótese alguma, o empossamento da candidata nomeada pelo cardeal”. Em razão disso, exigem “a posse imediata do candidato mais votado, neste caso Dirceu de Mello”. Foi afirmado categoricamente, em um último suspiro desta carta, que “Anna Cintra não nos representa”. Pela repercussão da presente manifestação acadêmica, é evidente que a maioria em nossa comunidade se sente incomodada com a subtração do mais fundamental elemento em um ambiente universitário, a democracia. Porém baseando-se no estatuto vigente há décadas, que dá ao cardeal o direito à livre escolha entre uma lista tríplice, onde não necessariamente o primeiro colocado em quantidade de votos seria o eleito, podemos dizer que a democracia nunca esteve totalmente presente.

Contudo, atentemos ao título desta carta: “Carta dos estudantes da PUC-SP“. Quantos de nós, alunos da PUC do campus Marquês de Paranaguá, fomos consultados a fim da confecção desta carta aberta? Se, acaso, sentirmo-nos representados pela mesma, é uma consequência improposital. Em nosso nome foi falado, mas nada falamos. E isso não é democracia. É um equivoco dizer que nossa participação nesta greve nos inclui no cenário acadêmico, já que se assim agirmos, será por inércia. Cabe a nós, agora, refletir sobre o acontecido, e nos decidirmos pela melhor atitude a ser tomada neste momento, visando sempre o bem de nosso campus e da PUC-SP, mas não um grupo excêntrico de militantes travestidos de alunos em prol de seus interesses, que desconhecemos. Os mesmos que nos ignoraram ao escrever em nosso nome.

Como foi dito, a democracia é fundamental em um ambiente universitário. É de igual importância que lutemos por esta. Esta luta deve começar pela reestruturação do Estatuto da PUC-SP. Mas deve ser uma luta legítima por direito, não oportunista como a que se apresenta. O pleito sucedido neste ano estava sob regimento de um estatuto que é anti-democrático por natureza. Segue a transcrição parcial do Estatuto:

Art. 21- Compete ao CONSUN:XXII - organizar, através de consulta direta à comunidade, por meio de processo eletivo, lista tríplice de nomes de professores para escolha e nomeação do Reitor e respectivo Vice-Reitor nos termos deste Estatuto, encaminhando-a ao Grão-Chanceler;XXIX - aprovar as normas para os processos eleitorais da PUC-SP, bem como homologar seus resultados;
Art. 43- Compete ao Grão-Chanceler:II - escolher e nomear o Reitor e o Vice-Reitor, dentre os professores de uma lista tríplice organizada e encaminhada pelo CONSUN, nos termos do Artigo 21, inciso XXII deste Estatuto;

Pelo Estatuto vigente, compete ao Grão-Chanceler a livre escolha para nomeação do reitor dentre uma listra tríplice, sendo o pleito de carácter meramente consultivo. Há anos, a eleição tem esse formato. Vale lembrar que em 2006, a reforma institucional, onde foi criado o CONSAD, já mostrava indícios de ações anti-democráticas por parte da Fundação SP e pouco se fez na época pela mudança do Estatuto.

A história do movimento estudantil do nosso campus mostra marasmo e passividade. Isso deve ser mudado. Mas deve ser feito de forma responsável e progressiva. Não há nada em nosso histórico que nos aproxime dos atos de vandalismo cometidos na última semana no campus Monte Alegre. Por mais que tudo tenha sido feito de forma pacífica e organizada, como afirmam os representantes do CACEX, não mascara o ato de vandalismo na ação de invadir a reitoria, ou de extraviar as cadeiras da sala de aula para serem empilhadas em um espaço de uso coletivo. Não cabe em nosso histórico, portanto, a adesão à esta greve. O que os alunos de nosso campus, representados ou não pelo C.A. fizeram pela consecução da democracia no Estatuto até o presente momento? Em relação ao pleito, nosso campus é prejudicado também pela baixa representatividade numérica em relação ao Monte Alegre. O que fizemos para equalizar a representatividade e aumentar nossa participação na vida universitária em nome da democracia? Qual foi a última vez que vimos um membro do C.A. militando em nosso nome da vida política da Universidade?

É evidente que a greve não é uma atitude pensada e orquestrada por nós, alunos do campus Marquês de Paranaguá. E também é evidente, que estaríamos sendo manipulados caso aderíssemos a greve, uma vez que nos foi dada a vós pela carta antes de que pudéssemos decidir nossa posição. Devemos o fazer agora! É fundamental que lutemos pela democracia, e também é fundamental que lutemos pelos nossos direitos no universo acadêmico. Mas nosso contexto é outro. A área de conhecimento de especialidade de nosso campus nos permite criar conhecimento livre de engajamento político e militante. E assim devemos proceder. Ao invés de assumir uma greve orquestrada por quem pouco ou nada fez por nós, devemos propor soluções para o problema em questão e dessa forma agir em prol do beneficio comum. Quantos dos que defende a greve em nosso campus apresentou antes uma solução ao problema? Não seria a greve uma atitude demasiadamente extrema para um primeiro contato com a problemática em questão? Esse raciocínio claro e linear recrudesce as evidências de que estamos sendo manipulados e nossa verdadeira voz não está sendo ouvida.

Dadas as circunstâncias, é sensato que lutemos pela democracia. Lutemos pela comunidade acadêmica. Mas que também lutemos pela soberania do movimento estudantil de nosso campus. E, principalmente, que não adiramos à greve precipitadamente.

(Via Lucas Cardeal)


17/11/2012, 22:44:02



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