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Meira Penna, in memoriam

Faleceu em Brasília, no último dia 29 de julho, aos cem anos de idade, o diplomata, escritor e jornalista patrício José Osvaldo de Meira Penna.

Nascido na cidade do Rio de Janeiro aos 14 de março de 1917, José Osvaldo de Meira Penna se formou em Direito pela Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 1939. No ano anterior (1938) já ingressara na carreira diplomática, na qual desempenharia, posteriormente, o cargo de embaixador do Brasil em Israel, na Nigéria, na Noruega, no Equador, nos Estados Unidos da América, na França e na Polônia, atuando também como Secretário-Geral Adjunto para a Europa Oriental e Ásia no Ministério das Relações Exteriores.

Ardoroso militante integralista na mocidade, tornou-se José Osvaldo de Meira Penna mais tarde um liberal, podendo ser contado, aliás, entre os mais importantes vultos do pensamento liberal em terras brasileiras.

A despeito, porém, de haver deixado as fileiras integralistas e se tornado um liberal, o Embaixador Meira Penna jamais deixou de reconhecer méritos no Integralismo e na obra de seu máximo líder e doutrinador, Plínio Salgado. A propósito, pouco depois de ter ido ao lançamento da obra Perfis parlamentares 18: Plínio Salgado, organizada por Gumercindo Rocha Dorea e editada pela Câmara dos Deputados, escreveu o autor de O espírito das revoluções (Meira Penna) um ensaio intitulado Plínio Salgado e o Integralismo, publicado no Jornal da Tarde, de São Paulo, a 19 de outubro de 1982, e posteriormente inserido em seu livro A ideologia do século XX, lançado em 1985 pela Editora Convívio,  bem como no primeiro volume da obra Plínio Salgado: “In memoriam”, publicado no mesmo ano de 1985 pela Casa de Plínio Salgado e a editora Voz do Oeste.

Em Plínio Salgado e o Integralismo, reconheceu Meira Penna em Plínio Salgado um “pensador legitimamente cristão, (...) autor de uma das mais soberbas vidas de Cristo da literatura mundial”,[1] e no Integralismo “o movimento de ideias mais criativo da década dos 30, desmentindo a assertiva de Oswaldo Aranha de que era então o Brasil um deserto de homens e de ideias”.[2]

Ainda no aludido ensaio, Meira Penna salientou que “a influência do Integralismo perdurou de modo essencialmente positivo” no Brasil, como na Marcha dos Cinquenta Mil, realizada no Rio de Janeiro no dia 1º de novembro de 1937, Marcha de que ele tomou parte, “enlevado (...) pela esperança ardente de uma escapatória para as tensões do mundo moderno”,[3] e, ao tratar da “tensão Esquerda X Direita”, sustentou que

um recurso ao cerne mais autêntico e mais honesto do pensamento de Plínio Salgado demonstraria que ela [ a “tensão Esquerda X Direita”] é superável. Se o relêssemos acima das paixões, acima dos comprometimentos fatais envolvidos, precisamente, nessa mórbida dicotomia totalitária, encontraríamos quiçá em sua doutrina algo mais serena e legitimamente brasileiro, na linha do pensamento tradicional do Ocidente de que somos os herdeiros responsáveis.[4]

Mais tarde, na obra Quando mudam as capitais, Meira Penna destacou o fato de haver sido Plínio Salgado um dos grandes responsáveis pela edificação de Brasília, recordando, “a fim de corrigir uma distorção gerada por preconceitos ideológicos, o papel que desempenhou Plínio Salgado na divulgação do ideal da marcha para o Oeste”.[5] No início da década de 1930, como enfatizou o ator de A ideologia do século XX, o líder da Ação Integralista Brasileira publicou seu livro A voz do Oeste e, anos mais tarde, Juscelino Kubitschek “reconheceria o papel do político e escritor nacionalista católico” numa carta em que, se referindo à cidade de Brasília, acentuou que a construção desta fora pressentida desde o século XVIII e preparada pelo grito dado por Plínio Salgado ao conclamar todos para a marcha rumo ao Oeste.[6]

Encerramos estas linhas sobre o Embaixador Meira Penna sublinhando que, embora discordemos de suas posições liberais, nele reconhecemos um grande homem de pensamento, cuja obra contém muitos e expressivos méritos, sobretudo na crítica ao socialismo, ao comunismo e a outras ideologias análogas.

 

Por Cristo e pela Nação!

 

Victor Emanuel Vilela Barbuy,

Presidente Nacional da Frente Integralista Brasileira e 1º Vice-Presidente da Casa de Plínio Salgado.

São Paulo, 10 de agosto de 2017-LXXXIV.

 


NOTAS:

 [1] Plínio Salgado e o Integralismo, in VV.AA., Plínio Salgado: “In memoriam”, volume 1, São Paulo, Voz do Oeste/Casa de Plínio Salgado, 1985, p. 177.

 [2] Idem, p. 176.

 [3] Idem, p. 177.

 [4] Idem, pp. 177-178.

 [5] Quando mudam as capitais, Brasília, Senado Federal, 2002, p. 391, nota 14.

 [6] Idem, loc. cit. A mencionada carta de Juscelino Kubitschek a Plínio Salgado pode ser lida em VV.AA., Plínio Salgado: “In memoriam”, volume 1, cit., pp. 223-224. 

 


10/08/2017, 13:44:02



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