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12 de Outubro*

No último dia 7 de Outubro, celebramos os quatrocentos e quarenta e seis anos da vitória cristã na Batalha de Lepanto, que salvou a Europa e a Cristandade e pôs termo à expansão do Império Otomano no Mediterrâneo, assim como o octogésimo quinto aniversário do Manifesto de Outubro, documento fundamental do Integralismo, cuja mensagem essencialmente cristã e brasileira rapidamente se espalhou por todo o território nacional, constituindo a base doutrinária do maior movimento social renovador de toda a História Pátria.

Hoje, dia 12 de Outubro, nós outros, legionários de Deus, da Pátria e da Família, celebramos o Dia de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Padroeira do Brasil, do mesmo modo que o Dia da Hispanidade, o Dia da América, o Dia das Crianças e o octogésimo sexto aniversário do Monumento ao Cristo Redentor do Corcovado e da solene consagração do Brasil a Cristo Rei e Redentor.

Há exatos trezentos anos, aos doze dias do mês de outubro do ano da Graça de 1717, nas águas do rio Paraíba do Sul, no atual Município de Aparecida, tradicional e popularmente conhecido como “Aparecida do Norte” e por esse tempo pertencente à Vila de Santo Antônio de Guaratinguetá, na então Capitania de São Paulo e Minas do Ouro, humildes pescadores encontraram uma enegrecida imagem de Nossa Senhora da Conceição, padroeira de Portugal, heroica e cruzada Nação de que nasceu a nossa igualmente heroica e cruzada Nação. Hoje, passados três séculos da retirada da imagem da Santa Virgem do fundo das águas do Paraíba, todos os autênticos brasileiros, quer se considerem ou não católicos, devem evocar, com o máximo respeito, a figura de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, padroeira deste grande Império do ontem e do amanhã, ao lado do injustamente olvidado São Pedro de Alcântara.

A história da popular devoção a Nossa Senhora Aparecida, “página de encantadora poesia”, na expressão de Plínio Salgado,[1] é bem conhecida, mas, ainda assim, julgamos oportuno recordá-la, segundo os relatos do Padre José Alves Vilela, de 1743, e do Padre João de Morais e Aguiar, de 1757, relatos estes que se encontram no Primeiro Livro de Tombo da Paróquia de Santo Antônio de Guaratinguetá.

Naqueles longínquos idos de outubro do ano da Graça do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de 1717, quando D. Pedro Miguel de Almeida Portugal e Vasconcelos, Conde de Assumar e Governador da Capitania de São Paulo e Minas do Ouro, se encontrava na Vila de Santo Antônio de Guaratinguetá,  de onde seguiria para as Minas, o Senado da Câmara da aludida Vila resolveu fazer um banquete em homenagem ao visitante ilustre, solicitando a Domingos Garcia, João Alves, Filipe Pedroso e outros pescadores que fossem conseguir peixes para o referido banquete. Os pescadores foram pescar em suas canoas e embalde lançaram as redes por diversas vezes nas caudalosas águas do Paraíba, não conseguindo tirar delas sequer um peixe. Chegando à conclusão de que era inútil prosseguir em sua faina, todos os pescadores, com exceção dos três mencionados pelo nome, volveram às suas moradas, às margens do rio. Algum tempo mais tarde, quando os três pescadores se encontravam próximos ao porto de Itaguaçu, onde tinham chegado seguindo a correnteza, um deles, mais precisamente João Alves, lançou sua rede uma vez mais, pescando, no lugar de peixes, uma imagem de Nossa Senhora da Conceição, sem a cabeça. Deitando novamente a rede, apanhou o pescador a cabeça da Santa Virgem Aparecida, que foi em seguida juntada ao corpo. Os três pescadores deitaram novamente as suas redes, apanhando tantos peixes que se viram forçados a aportar, posto que o volume da pesca era tão copioso que ameaçava afundar as embarcações. Foi este o primeiro dos inúmeros milagres da Virgem Morena, que assim ficou em razão do tempo que permaneceu no fundo do rio.  

Como ressaltou Plínio Salgado, o mais injustiçado dos grandes pensadores e escritores católicos do Brasil, na magnífica conferência Mensagens ao Mundo Lusíada, a 6 de fevereiro de 1818, data de sua coroação, El-Rei D. João VI, soberano do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, instituiu a Ordem Militar da Conceição de Vila Viçosa e confirmou a consagração que El-Rei D. João IV fizera das Pátrias Lusíadas a Maria Imaculada, em 1646. Conforme igualmente sublinhou o autor de O Rei dos reis e de Primeiro, Cristo!, D. João VI, primeiro príncipe português a pisar o solo brasileiro e americano, foi quem elevou o Brasil à categoria de Reino, aos 16 dias do mês de dezembro do ano da Graça de 1815, data em que a nossa Terra de Santa Cruz se tornou uma “nação independente, conquanto unida a Portugal, na grande fórmula dos Reinos componentes da comunidade lusíada”. Portanto, ainda como frisou Plínio Salgado, a mão que assinou a outorga de maioridade e de personalidade política a esta Terra de Santa Cruz foi a mesma nobre e inspirada mão que aos povos lusíadas dos dois lados do Atlântico “legou um penhor de união indissolúvel no culto de Maria Imaculada”,[2] a quem, nas palavras do autor de Mensagens ao Mundo Lusíada,

proclamamos Rainha e Padroeira de Portugal, do Brasil e de todos os povos que falam a mesma língua em que Camões cantou e em que rezaram os Santos, os Cavaleiros e os Reis construtores da nossa História e profetas do nosso Destino.[3]

Ainda conforme enfatizou o magno adail da Fé e cavaleiro do Brasil Profundo que foi e é Plínio Salgado, só com Maria Imaculada e por Ela, os brasileiros e portugueses lograrão salvar o patrimônio da Civilização Lusíada “da voragem de misérias que, sob rótulos pomposos e esperanças ilusórias se escondem na boca dos falsos profetas”.[4]

Ao tratar da mensagem de Nossa Senhora Aparecida, observou o assinalado autor de A Tua Cruz, Senhor (Plínio Salgado) que é esta uma mensagem essencialmente “antirracista, uma proclamação do universalismo católico, que abrange todos os tipos humanos, sem predominância de um sobre os outros” e que só não pode ser aceito por aqueles que, equivocadamente, pretendem “fundar a justiça na base de particularismos étnicos”.[5] “Mãe de todas as gentes em todas as latitudes e em todas as expressões dos caldeamentos”, assim como “símbolo da Universalidade Católica, da Comunhão dos Santos, luz a um tempo de cambiantes boreais e fulgurações tropicais”,[6] Nossa Senhora parece querer dizer à nossa Terra de Santa Cruz, que tem recebido correntes imigratórias de todo o Mundo:

esta é a Pátria formada sob as luzes do Evangelho, que o português interpretou e realizou na obra civilizadora e os brasileiros continuam, confraternizando todos os povos do planeta.[7]

Como igualmente salientou o bandeirante da Fé e do Império que foi e é Plínio Salgado, tudo o que Nossa Senhora tem realizado, ao longo dos séculos, “para conservar o Brasil fiel aos costumes cristãos”, particularmente naquilo que se refere à Família, cellula mater da Sociedade, e tudo aquilo que ela tem presidido de nobre e grandioso na construção da Nacionalidade, “tudo isso é graça, é aviso, é mensagem trazendo a luz do Céu”.[8]

Foi também a 12 de Outubro que Cristóvão Colombo chegou a este Continente que tantos filhos e frutos deu à Cristandade, sendo nesta data celebrado, em todo o Mundo Hispânico, ao qual pertence o Brasil, assim como Portugal e todo o Mundo Lusíada, o Dia da Hispanidade, também chamado Dia da Raça, tomado este último termo em seu sentido espiritual e cultural. É assim, pois, que nós outros, descendentes em sangue e espírito ou apenas em espírito dos portugueses, daquela “gente fortissima de Espanha" de que nos falou Luís Vaz de Camões,[9] Príncipe dos Poetas das Espanhas, defendendo, como António Sardinha, “a unidade cultural e social do elevado destino que Portugal e Castela nobremente conseguiram no Universo, dilatando com a Fé e o Império o mesmo ideal superior da civilização”,[10] celebramos o Dia da Hispanidade, lamentavelmente tão pouco evocado em nossa América Lusíada. E, como luso-americanos, e, enquanto tais, filhos da América, não podemos deixar de celebrar o dia deste imenso Continente.

Quanto ao Dia das Crianças, o despimos do caráter comercial que este adquiriu, assim como do caráter, que igualmente adquiriu, em nosso País, de substituição ao Dia de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, substituição esta orquestrada pelas forças anticristãs, antitradicionais e antinacionais controladas pelos adoradores de Mamon e do Bezerro de Ouro. E, assim, lembrando que tal dia foi instituído com intenções legítimas pelo Presidente Arthur Bernardes, católico sincero e exemplar patriota e nacionalista, homenageamos todas as crianças brasileiras, representantes do porvir da Nação, rogando a Deus que suscite entre elas futuros soldados de Cristo Rei e da Terra de Santa Cruz.

Por fim, recordemos o octogésimo sexto aniversário da estátua do Cristo Redentor do Corcovado e da solene consagração do Brasil a Cristo Rei e Redentor, realizada pelo Cardeal Dom Sebastião Leme da Silveira Cintra, Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro, por ocasião da inauguração daquele monumento, que, como escreveu Tasso da Silveira, no seu magnífico Cântico ao Cristo do Corcovado, estende os braços sobre o Rio de Janeiro e todo o Brasil “numa bênção infinita”.[11] E ressaltemos que, ainda como observou, no aludido poema, o poeta dos Cantos do campo de batalha e do Canto absoluto, nós outros, os brasileiros, não nos importamos em ser “o Povo-sem-Nome sobre a terra”, desde que também sejamos o “jardim fechado” de Nosso Senhor Jesus Cristo, de onde Este “colha as almas luminosas/ como rosas frescas e matinais...”, e desde que sejamos, ainda, o “esplêndido trigal” do Divino Mestre, de que Este tire a “farinha alvíssima” para Seu “pão de pureza” e para Seu “pão de glória”, porque “o destino que sobre todos os destinos desejamos” é aquele de, “para todo o sempre”, servir e adorar a Cristo Rei e Redentor.[12]

Isto posto, fechemos este breve e singelo artigo transcrevendo a fórmula de consagração de nossa Terra de Santa Cruz a Cristo Rei e Redentor, composta pela Madre Maria José de Jesus, priora do Convento de Santa Tereza, a pedido de Dom Leme, e, em seguida, uma breve invocação de Plínio Salgado a Cristo Rei, que vem a ser a peroração da conferência intitulada Primeiro, Cristo! e por ele proferida em 28 de outubro de 1945 no Liceu Camões, em Lisboa, a convite da Acção Católica portuguesa e na presença de Dom Manuel Gonçalves Cerejeira, Cardeal-Patriarca de Lisboa.

Senhor Jesus, Redentor nosso, verdadeiro Deus
E verdadeiro Homem, que Sois para o mundo
A única fonte de luz, de paz, de progresso e de felicidade,
E Salvador que nos remistes com o sacrifício da Vossa vida,
Eis a Vossos pés representado o Brasil, a Terra de Santa Cruz,
Que se consagra solenemente a Vosso Coração sacratíssimo
E Vos reconhece, para sempre, por seu único Rei e Senhor.

Vós, que esculpistes no céu brasileiro a Vossa cruz,
De onde jamais poderá ser apagada,
Aceitai e abençoai essa imagem que será entre nós
O símbolo de Vossa Fé de Rei de nosso espírito,
De Vossa dor de Rei de nossos corações.
Oh! Reinai, Senhor Jesus, reinai sobre nossa Pátria
Queremos que o Brasil viva e prospere sob os Vossos olhares,
Queremos que o nosso povo seja sempre iluminado

Pela verdade de vosso Evangelho.

Reinai, ó Cristo Rei, reinai, ó Cristo Redentor!

Ser brasileiro seja crer em Jesus Cristo, amar a Jesus Cristo!
E esta sagrada imagem seja o símbolo de Vosso domínio,
De Vosso amparo, de Vossa predileção, de Vossa bênção,
Que paira sobre o Brasil e sobre os brasileiros,
Como Senhor dos que, tendo sido Vossos na terra,
Vossos serão eternamente no céu.

Amém.[13]

Por Cristo-Rei

Seja, pois, a exaltação da realeza de Cristo, o coroamento destas palavras. Eu a proclamo, do fundo da minha pequenez, com o ardor de um soldado. E como soldado vos convido ó homens do meu tempo, a aclamarmos o Cristo-Rei, por cujo Reino devemos ir à luta, uma luta diferente, porque não seremos portadores de morte, mas de vida; nem de aflições, mas de consolações, nem de crueza, mas de bondade.

E Vós – ó Jesus, a quem tanto amamos, e que estais tão abandonado pelas nações no século dos horrores, como Vos prefigurou na tábua apocalíptica o pintor neerlandês [Van Aeken, o Bosch] – recebei o nosso preito de soldados fiéis, e socorrei-nos em nossas fraquezas, para que possamos cumprir quanto desejamos, no empenho de Vos bem servir; pois incapazes somos nós sem vossa Graça, mas se não faltardes com Ela, ainda que hajamos de cair muitas vezes, outras tantas nos levantaremos, de sorte que, nas horas perigosas, nas horas decisivas e, principalmente, na hora extrema, por Vós, sempre por Vós, estaremos de pé![14]

Por Cristo Rei e Redentor, por Nossa Senhora da Conceição Aparecida e pela Nação Brasileira!


Victor Emanuel Vilela Barbuy,
Presidente Nacional da Frente Integralista Brasileira.
São Paulo, 12 de Outubro de 2017- LXXXV.

 

*Versão revista, atualizada e ampliada do artigo de mesmo nome, publicado neste Portal aos 12 de Outubro de 2014.

 

 


NOTAS:

 [1] Mensagens ao Mundo Lusíada, in O Rei dos reis, 5ª edição, in Obras completas, volume 6, 2ª edição, São Paulo, Editora das Américas, 1957, p. 359.

 [2]Idem, pp. 350-351.

 [3] Idem, p. 351.

 [4] Idem, loc. cit.

 [5] Idem, p. 371.

 [6] Idem, p. 372.

[7] Idem, p. 371.

 [8] Idem, p. 373.

 [9] Os Lusíadas, Canto I, estrofe XXXI.

 [10] À lareira de Castela, Lisboa, Edições Gama, 1943, pp. 12-13.

 [11] Cântico ao Cristo do Corcovado (1931), 6ª edição, in Cantos do campo de batalha, 4ª edição, Texto introdutório de Amândio César, São Paulo, Edições GRD, 1997, p. 40.

 [12] Idem, p. 48.

 [13] In PIO XI, Carta Encíclica Quas Primas, Tradução de Renato Romano, Belo Horizonte, Edições Cristo Rei, 2011, p. 53 (edição comemorativa dos 80 anos de inauguração do Cristo Redentor e da consagração do Brasil a Cristo Rei e Redentor). A fórmula de consagração do Brasil a Cristo Rei e Redentor foi transcrita nesta obra do jornal Folha da Manhã, de São Paulo, de 13 de outubro de 1931.

 [14] Primeiro, Cristo!, 4ª ed. (em verdade 5ª), Palavras introdutórias de Manuel Trindade Salgueiro, Bispo de Helenópole, São Paulo/Brasília, Editora Voz do Oeste/Instituto Nacional do Livro, 1979, pp. 26-27.

 


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