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Nota de esclarecimento

Tendo em vista o fato de que vêm circulando falsas afirmações a propósito dos infaustos acontecimentos do último dia 29 de novembro na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP), julgamos ser oportuno escrever a presente nota de esclarecimento.

Antes de mais nada, cumpre sublinhar que, ao contrário do que têm afirmado alguns, a comunicação de Victor Emanuel Vilela Barbuy no VI Simpósio de Filologia e Cultura Latino-Americana sequer foi iniciada e nada tem de nazista em seu conteúdo, sendo, em verdade, uma comunicação a respeito do Município e do Municipalismo no Brasil, que se encontra disponível no portal da Frente Integralista Brasileira[1] e, acrescida de uma introdução, deve ser em breve publicada na próxima edição de uma importante revista acadêmica nacional. É mister ressaltar, ainda, que diversos militantes comunistas já haviam afirmado na Internet, antes da data em que a aludida comunicação seria realizada, que esta não ocorreria, tendo a página Ação Popular, no Facebook, conclamado, no dia 28 de novembro, a realização de um ato no dia seguinte, às 14:00, para impedir que Victor Emanuel Vilela Barbuy realizasse a sua comunicação.[2] Ademais, desde a manhã do dia 29 de novembro havia cartazes, espalhados por todo o prédio de Letras da FFLCH, contra a presença de Victor Emanuel Vilela Barbuy e de qualquer outro integralista naquela Instituição.

Assim, é absolutamente falsa a afirmação de que Victor Emanuel Vilela Barbuy teria sido expulso da FFLCH após ter feito uma comunicação de cunho nazista, do mesmo modo que é totalmente inverídica a afirmação de que Victor Emanuel Vilela Barbuy teria feito a saudação nazista na FFLCH na mencionada data. Em verdade, a única saudação feita por Victor Emanuel Vilela Barbuy no dia 29 de novembro foi a saudação integralista e quando já havia sido expulso da FFLCH pelos bárbaros que o atacaram, encontrando-se dentro do ônibus circular da USP.

Isto posto, cumpre frisar, para os ignorantes a respeito de tal assunto, que a saudação adotada pelo nacional-socialismo é uma variação da chamada saudação romana, em que o braço aponta para frente, ao passo que na saudação integralista o braço fica voltado para o alto. Cabe enfatizar, ainda, que diversos movimentos das mais variadas posições doutrinárias adotaram a saudação romana, do fascismo italiano (que, a propósito, a adotou antes do nazismo) a algumas das legiões revolucionárias tenentistas do Brasil do dealbar da década de 1930.

Por falar em nazismo, ao contrário do que afirmou a revista Exame, em artigo no qual tratou do ocorrido na FFLCH, o Integralismo não surgiu durante a II Guerra Mundial e não teve ecos do nazismo. Em verdade, o Integralismo surgiu em 1932, com o lançamento do Manifesto de Outubro, do já então consagrado escritor e jornalista Plínio Salgado, e não teve qualquer eco do nazismo, inspirando-se nos ensinamentos do Evangelho, do Tomismo e da Doutrina Social da Igreja e na obra de grandes pensadores brasileiros, como Alberto Torres, Farias Brito, Jackson de Figueiredo, Oliveira Vianna, Euclides da Cunha e Eduardo Prado.

Com efeito, como escreveu Miguel Reale, no artigo O Integralismo revisitado, quando do surgimento da Ação Integralista Brasileira (AIB), Adolf Hitler e seu movimento eram quase totalmente desconhecidos no Brasil,[3] e, como sublinhou Hélio Rocha, foi Plínio Salgado o primeiro intelectual de prestígio do Brasil e da América do Sul a romper fogo contra o nazismo, bem como o escritor brasileiro que mais violentamente combateu o nazismo, numa época em que “quase todos cortejavam os Totalitarismos triunfantes”.[4]

No ano de 1934, Plínio Salgado denunciou a “guerra” movida aos judeus, na Alemanha, pelos nacional-socialistas, segundo ele, inspirada, em seus exageros, “pelo paganismo e pelo preconceito de raça”.[5] Em dezembro do ano seguinte, em sua Carta de Natal e fim de ano, publicada no jornal integralista A Offensiva, do Rio de Janeiro,Plínio Salgado voltou a atacar o nacional-socialismo alemão, denunciando suas tendências racistas, totalitárias e pagãs e o endeusamento do Führer.[6]

Em 14 de fevereiro de 1936, foi publicado, também no jornal A Offensiva, o artigo Nacional-socialismo e Cristianismo Social, de Plínio Salgado, de que destacamos o seguinte trecho:

No caso da Alemanha, não tenho dúvida (pelo que tenho lido nos livros nazistas, notadamente no livro de Hitler – Minha Luta – e pelo que tenho deduzido das medidas e iniciativas governamentais), que o governo hitlerista está, sem dúvida alguma, infringindo as mais sagradas leis naturais e humanas e dando lugar a que católicos, ciosos do livre arbítrio e da intangibilidade do homem e de sua família, se rebelem contra o Estado. (...) O ascetismo, a mística, (...) a super-humanização do tipo do Fuehrer, a sua divinização ao ponto de o considerarem, os mais exaltados, a encarnação de Odin, exprime um artificialismo político que foge de toda a base e equilíbrio da razão humana. Nós, os integralistas, que somos coisa absolutamente diferente do nazismo e do fascismo, não nos cansamos de dizer que o nosso fundamento é cristão.[7] 

Posto isto, cumpre salientar que não apenas Plínio Salgado, mas todos os principais pensadores condenaram o racismo nazista e o totalitarismo. Com efeito, tratando das profundas diferenças existentes entre o nazismo, o fascismo e o Integralismo, sublinhou Gustavo Barroso que cada um de tais movimentos possui a sua “doutrina própria” e “obedece a realidades humanas diferentes, que só os ignorantes ou os de má-fé negam ou escondem”,[8]   havendo, ainda, ressaltado que “o Estado nazista” é pagão e baseado “na pureza da raça ariana, no exclusivismo racial”, ao passo que “o Estado Integralista”, alicerçado “na tradição da unidade da pátria e do espírito de brasilidade”, é “profundamente cristão” e “combate os racismos, os exclusivismos raciais”.[9]

Do mesmo modo, no artigo Nós e os fascistas da Europa, estampado na edição de abril-maio da revista Panorama, de São Paulo, Miguel Reale, havendo deixado claro que o Integralismo não aceita a tese nazista da superioridade racial ariana, assim escreveu:

Nós brasileiros devemos nos libertar do jugo do capitalismo financeiro e do agiotarismo internacional, sem que para isso abandonemos os princípios éticos para descambarmos até aos preconceitos racistas. A moral não permite que se distinga entre o agiota judeu e o agiota que diz ser cristão; entre o açambarcador que frequenta a Cúria e o que frequenta a Sinagoga. O combate ao banqueirismo internacional e aos processos indecorosos dos capitalistas sem pátria, justifica-se no plano moral. E quando a pureza da norma ética está conosco, não se compreende bem qual a necessidade de outras justificações, que podem ser de efeito, mas que certamente são discutíveis.[10]

Isto posto, faz-se mister salientar que o documento inaugural do Integralismo, o há pouco mencionado Manifesto de Outubro, de Plínio Salgado, já condenava veementemente o racismo dos pequenos e grandes burgueses citadinos do Brasil, que, no dizer de Plínio Salgado, se envergonhavam “do caboclo e do negro de nossa terra” e desconheciam “todas as dificuldades e todos os heroísmos, todos os sofrimentos e todas as aspirações, o sonho, a energia,  a coragem do povo brasileiro”, vivendo “a cobri-lo de baldões e de ironias, a amesquinhar as raças de que proviemos”.[11]

Como observou Gilberto Freyre, em Uma cultura ameaçada – a luso-brasileira, o combate ao racismo e a confraternização dos brasileiros de todas as estirpes num Estado Integral se constitui em “um dos pontos mais simpáticos e essencialmente brasileiros do programa” do Movimento Integralista,[12] cumprindo ressaltar que o Integralismo não apenas condenou o racismo, como também teve, em suas fileiras, dezenas de milhares de negros.

Com efeito, dentre os inúmeros brasileiros descendentes de africanos que pertenceram ao Movimento Integralista, reunindo-se à sombra da bandeira azul e branca do Sigma, podemos mencionar o “Almirante Negro” João Cândido, líder da chamada Revolta da Chibata; o ativista negro, teatrólogo, escritor e artista plástico Abdias do Nascimento; o sociólogo Alberto Guerreiro Ramos; o escritor e militante negro Sebastião Rodrigues Alves; o professor de Direito, escritor, poeta e membro da Academia Sul-rio-grandense de Letras Dario de Bittencourt, que chegou a ser Chefe Provincial da AIB no Rio Grande do Sul, e o jornalista, escritor, advogado, militante negro e professor Ironides Rodrigues, que durante anos assinou uma coluna sobre cinema no jornal integralista A Marcha, dirigido por Gumercindo Rocha Dorea.

Cumpre frisar, ademais, que as relações entre a Ação Integralista Brasileira (AIB) e a Frente Negra Brasileira (FNB), maior movimento negro da História do Brasil, que teve como líder Arlindo Veiga dos Santos, foram excelentes, havendo as duas entidades realizado diversos atos conjuntos e tendo sido muitos aqueles que militaram a um só tempo em ambas as organizações. Os princípios doutrinários da AIB e da FNB eram, ademais, extremamente semelhantes, sendo “Deus Pátria e Família” o lema do Integralismo e “Deus, Pátria, Raça e Família” o lema da FNB.

Amigo de Plínio Salgado e admirador de sua obra, Arlindo Veiga dos Santos apoiou as duas candidaturas deste à Presidência da República e, representando a Frente Negra Brasileira, participou do I Congresso Integralista Brasileiro, realizado em Vitória, no Espírito Santo, em 1934, ali tendo proferido um inflamado discurso em que manifestou apoio ao grande movimento cívico-político social e cultural fundado e liderado por Plínio Salgado, declarando que os frentenegrinos lutariam ao lado dos integralistas, se necessário fosse.

Como enfatizou Teresa Malatian, os integralistas encontraram apoio na FNB e espaço no jornal A voz da raça, órgão oficial deste, para propaganda de seu Movimento.[13]

Houve e há, ainda, judeus nas fileiras do Movimento do Sigma, sendo o mais célebre deles o Dr. Aben Athar Neto, fundador do Centro Oswaldo Spengler e Chefe do Departamento Universitário e, depois, Secretário Provincial de Propaganda da AIB no Rio de Janeiro. Como observou o ilustre diplomata, poeta e escritor Rui Ribeiro Couto, consagrado autor de Cabocla, de O jardim das confidências e de Largo da Matriz e outras histórias e um dos próceres do Integralismo, em entrevista ao Diário de Notícias de Lisboa, os integralistas não admitimos “a menor animosidade contra quaisquer raças” e reconhecemos no “judeu integrado na consciência do país” um “formidável elemento de ação realizadora na formação nacional”.[14]

Antes de encerrar a presente nota, ressaltamos que, do mesmo modo que a comunicação que Victor Emanuel Vilela Barbuy apresentou no VI Simpósio de Filologia e Cultura Latino-Americana nada tem de nazista, não foi o aludido Simpósio um “encontro nazista”, ao contrário do que têm afirmado alguns ignorantes ou mal-intencionados. A propósito, é nosso dever sublinhar que quem afirma que são nazistas o Sr. Victor Emanuel Vilela Barbuy, a sua comunicação sobre Município e Municipalismo no Brasil, o Integralismo e o VI Simpósio de Filologia e Cultura Latino-Americana só pode ser um completo ignorante ou alguém extremamente mal-intencionado e intelectualmente desonesto.

Concluímos esta nota de esclarecimento salientando que nenhum integralista fez qualquer ameaça de atentado terrorista contra os alunos da FFLCH e que condenamos todas as formas de terrorismo e repetindo, uma vez mais, que, moralmente, saímos vencedores do episódio do último dia 29 de novembro na USP.

 

Victor Emanuel Vilela Barbuy,

Presidente Nacional da Frente Integralista Brasileira,

São Paulo, 20 de dezembro de 2017.

 


NOTAS:

[1] Município e Municipalismo no Brasil. Disponível em: http://www.integralismo.org.br/?cont=781&ox=425#.WjpeFt-nHIU. Acesso em 19 de dezembro de 2017.

[2] Eis o endereço da aludida postagem: https://www.facebook.com/acpopular/photos/a.774452369320419.1073741829.774116149354041/1530820253683623/?type=3&theater. Acesso em 19 de dezembro de 2017.

 [3] O Integralismo revisitado. Disponível em: http://www.academia.org.br/artigos/o-integralismo-revisitado. Acesso em 19 de dezembro de 2017. Artigo originalmente publicado no jornal O Estado de São Paulo em 28 de agosto de 2004.

 [4] O Integralismo não é totalitarismo, in Enciclopédia do Integralismo, volume VIII, Rio de Janeiro, Edições GRD, Livraria Clássica Brasileira, s/d, p. 85.

 [5]  Trechos de uma carta, In Panorama, Ano I, Nº 4 e 5, São Paulo, abril-maio de 1936, p. 5. Também disponívelem: http://pliniosalgado.blogspot.com/2011/02/trechos-de-uma-carta-plinio-salgado-em.html. Acesso em 19 de dezembro de 2017. Carta originalmente escrita em 24 de abril de 1934.

 [6] Carta de Natal e fim de ano, O Integralismo perante a Nação, 4ª edição, in Obras completas, 2ª edição, vol. IX, São Paulo, Editora das Américas, 1957, pp. 142-143. A Carta de Natal e fim de ano foi originalmente publicado em 25 de dezembro de 1935 no jornal A Offensiva, do Rio de Janeiro, e a obra O Integralismo perante a Nação foi lançada no ano de 1945.

 [7]  Apud Jayme Ferreira da SILVA, A verdade sobre o Integralismo, 2ª edição, São Paulo, Edições GRD, pp. 29-30.

 [8] A Sinagoga Paulista, 3ª edição, Rio de Janeiro, Empresa Editora ABC Limitada, 1937, p. 176.

 [9] O Integralismo e o Mundo, 1ª edição, Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1936, p. 17.

 [10] Nós e os fascistas da Europa, in Obras políticas (1ª fase – 1931-1937).Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1983, p. 231-232.

 [11] Manifesto de Outubro.  de Outubro. Disponível em:  http://www.integralismo.org.br/?cont=75. Acesso em 19 de dezembro de 2017.

 [12] Uma cultura ameaçada: a luso-brasileira, 2ª edição, Rio de Janeiro, Casa do Estudante do Brasil, 1942, pp. 87-88.

 [13] O cavaleiro negro: Arlindo Veiga dos Santos e a Frente Negra Brasileira, São Paulo, Alameda, 2015, p. 222.

 [14] In Milton TEIXEIRA, Ribeiro Couto, ainda ausente, São Paulo, Editora do Escritor, 1982, pp. 259-260.

 


21/12/2017, 17:03:38



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