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Nota de esclarecimento aos portais BBC Brasil, iG e Terra

Foi publicada, nos portais BBC Brasil, Último Segundo - iG, e Terra, uma reportagem sobre a Fazenda Cruzeiro do Sul, originalmente publicada, em inglês, no portal da agência de notícias britânica British Broadcasting Corporation (BBC).

Tal reportagem reproduz graves inverdades históricas a respeito do Integralismo e da Ação Integralista Brasileira (AIB), afirmando, com efeito, que esta se constituiu em uma “organização de extrema direita simpatizante do Nazismo”. Em verdade, porém, Plínio Salgado, Chefe Nacional da AIB, assim como de todo o Movimento Integralista, jamais aceitou os conceitos modernos de “esquerda” e “direita”, surgidos com a chamada Revolução Francesa, afirmando que tais conceitos não existem para aqueles que possuem uma visão integral da Sociedade, do Mundo e das nações [1], e foi, ademais, o primeiro grande pensador brasileiro e hispano-americano a denunciar o racismo e o totalitarismo nacional-socialista, assim como o culto à personalidade do Führer, na célebre Carta de Natal e Fim de Ano, de 1935 [2], e também em outros escritos. No artigo Nacional-Socialismo e Cristianismo Social, dado à estampa em 14 de fevereiro de 1936 no jornal integralista A Offensiva, do Rio de Janeiro, assim escreveu, com efeito, Plínio Salgado:

No caso da Alemanha, não tenho dúvida (pelo que tenho lido nos livros nazistas, notadamente no livro de Hitler – Minha Luta – e pelo que tenho deduzido das medidas e iniciativas governamentais), que o governo hitlerista está, sem dúvida alguma, infringindo as mais sagradas leis naturais e humanas e dando lugar a que católicos, ciosos do livre arbítrio e da intangibilidade do homem e de sua família, se rebelem contra o Estado. (...) O ascetismo, a mística, (...) a super-humanização do tipo do Fuehrer, a sua divinização ao ponto de o considerarem, os mais exaltados, a encarnação de Odin, exprime um artificialismo político que foge de toda a base e equilíbrio da razão humana. Nós, os integralistas, que somos coisa absolutamente diferente do nazismo e do fascismo, não nos cansamos de dizer que o nosso fundamento é cristão [3].
 
Como assinalou a própria reportagem, o Integralismo sempre pregou a união de todas as raças, partindo do pressuposto de que, como ressaltou Plínio Salgado, “o problema do mundo é ético e não étnico” [4]. Ademais, a Ação Integralista Brasileira reuniu, em suas fileiras, milhares de negros, dentre os quais podemos destacar João Cândido, o famoso “Almirante Negro”, assim como o ativista negro, teatrólogo, escritor e artista plástico  Abdias do Nascimento, o sociólogo Guerreiro Ramos, o escritor e militante negro Sebastião Rodrigues Alves e o advogado, professor de Direito e escritor Dario de Bittencourt, membro da Academia Sul-Riograndense de Letras e primeiro Chefe Provincial da Ação Integralista Brasileira no Rio Grande do Sul. Cumpre salientar, ainda, que sempre foram excelentes as relações entre a Ação Integralista Brasileira e a Frente Negra Brasileira (FNB), maior movimento negro da História do Brasil e de toda a América Hispânica, que teve como principal líder Arlindo Veiga dos Santos, também Chefe Geral da Ação Imperial Patrianovista Brasileira (AIPB). O jornal da FNB, intitulado A voz da raça, chegou, aliás, a ter como epígrafe o lema “Deus, Pátria, Raça e Família”, inspirado no lema Integralista “Deus, Pátria e Família”.
 
Diversamente, porém, do que afirmou a reportagem ora em apreço, não eram muitos os integralistas que, apesar da posição antirracista da AIB, sustentavam um antissemitismo de cunho racial. Aliás, se havia tais casos, eram eles poucos e isolados. Com efeito, como sublinhou o liberal e, como tal, insuspeito Francisco Martins de Souza, em Raízes teóricas do corporativismo brasileiro, mesmo Gustavo Barroso, o mais antijudaico dos doutrinadores integralistas, jamais foi adepto de um antijudaísmo de fundo racial [5]. Na obra Judaísmo, Maçonaria e Comunismo, o autor de O Quarto Império (Gustavo Barroso), havendo proclamado suas convicções antirracistas e criticado o racismo nacional-socialista, asseverou que seu antijudaísmo era justamente uma resposta ao “racismo judaico” [6], e, no livro A sinagoga paulista, chegou a convidar o advogado e político Abraão Ribeiro, segundo ele judeu, a ingressar na Ação Integralista Brasileira, seguindo o exemplo do filho [7].
 
Isto posto, cumpre assinalar que, diversamente do que afirma a reportagem, o Integralismo não foi, ou melhor, não é um movimento de cunho fascista, ao menos que se chame fascista, como muitos o fizeram na década de 1930, a todos os movimentos cívico-políticos espiritualistas, tradicionalistas e nacionalistas. Isto porque o Integralismo, ao contrário da posição oficial do Fascismo italiano, se inspira no Tomismo [8] e não no idealismo hegeliano e condena o Estado Totalitário [9], assim como sustenta o Direito Natural Tradicional, ou Clássico [10]. A seguinte crítica de Gustavo Barroso ao governador de São Paulo, Armando Sales de Oliveira, responde, com efeito, a todos aqueles que afirmam que o Integralismo é fascista com base em suas exterioridades ou mesmo em elementos isolados de sua Doutrina:
 
Este [Armando Sales de Oliveira] confunde Estado Integral com Estado Totalitário. Ele julga que Fascismo e Integralismo vêm dar no mesmo. Ambos têm camisas. Ora, se têm camisas parecidas, são iguais. Os fundamentos doutrinários, as concepções filosóficas, as arquiteturas sociais, políticas e econômicas, dissemelhantes e até contrários, às vezes, esses não interessam a quem faz programas de superficialidades [11].
 
Antes de encerrar a presente nota, reputamos ser oportuno ressaltar que o fato de o símbolo da Fazenda Cruzeiro do Sul haver sido a suástica não significa que os seus proprietários fossem simpatizantes do Nacional-Socialismo, uma vez que a suástica é um símbolo tradicional, presente, com pequenas variações, em diversas culturas, do México ao Japão, sendo, ademais, muito comum seu uso em todo o Ocidente até a II Guerra Mundial. Salientamos, ainda, que julgamos que Osvaldo Rocha Miranda é inocente das acusações que lhe têm sido imputadas, frisando, ademais, que a redução de pessoas a condição análoga à escravidão é totalmente contrária aos princípios do Integralismo, bem sintetizados, no que se refere à concepção laboral, na Carta Integralista do Trabalho, escrita por Gustavo Barroso [12].

 
Victor Emanuel Vilela Barbuy,
Presidente Nacional da Frente Integralista Brasileira.
São Paulo, 11 de fevereiro de 2014 - LXXXI.
 
 
Notas:
[1] “Esquerdas” e “direitas”, in Palavra nova dos tempos novos (1936), 4ª edição, in Obras completas, volume 7, 2ª edição, São Paulo, Editora das Américas, 1957, pp. 249-254. O trecho aqui citado se encontra à página 249.
[2] Carta de Natal e Fim de Ano (1935), in O Integralismo perante a Nação (1946), in Obras Completas, volume 9, 2ª edição, São Paulo, Editora das Américas, 1959, pp. 139-149. Texto também disponível na obra Madrugada do Espírito (1946), 4ª edição, in Obras completas, volume 7, 2ª edição, São Paulo, Editora das Américas, 1957, pp. 429-436.
[3] Apud Jayme Ferreira da SILVA, A verdade sobre o Integralismo, 2ª edição, São Paulo, Edições GRD, 1996, pp. 29-30.
[4] Trechos de uma carta. In Panorama, Ano I, Nº 4 e 5, abril e Maio de 1936, p. 5. Também disponívelem: http://pliniosalgado.blogspot.com/2011/02/trechos-de-uma-carta-plinio-salgado-em.html. Acesso em 28 de setembro de 2011.
[5] Raízes teóricas do corporativismo brasileiro, Rio de Janeiro, Tempo Brasileiro, 1999, p. 49.
[6] Judaísmo, Maçonaria e Comunismo, Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1937, p. 128.
[7] A Sinagoga Paulista, 3ª edição, Rio de Janeiro, Empresa Editora ABC Limitada, 1937, p. 69.
[8] Cf. Gustavo BARROSO, Comunismo, Cristianismo e Corporativismo, Rio de Janeiro, Empresa Editora ABC Limitada, 1938, p. 98.
[9] Cf. Plínio SALGADO, Estado Totalitário e Estado Integral (1936), in Madrugada do Espírito, in Obras completas, volume 7, 2ª edição, São Paulo, Editora das Américas, 1957, pp. 443-449.
[10] Cf. Plínio SALGADO, O que é o Integralismo (1933), in Obras Completas, volume 9, 2ª edição, São Paulo, Editora das Américas, 1959, p. 77.
[11] A Sinagoga Paulista, 3ª edição, Rio de Janeiro, Empresa Editora ABC Limitada, 1937, p. 98.

[12] Carta Integralista do Trabalho, in Integralismo e Catolicismo, Rio de Janeiro, Empresa Editora ABC Limitada, 1937, pp. 281-286.


11/02/2014, 21:26:04



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