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Resposta ao portal Último Segundo

O portal Último Segundo, do iG, veiculou, na noite da última quarta-feira, dia 10 de julho, informações equivocadas a respeito da "Marcha da Família com Deus, em defesa da Vida, da Liberdade, da Pátria e da Democracia, contra o comunismo", assim como da Frente Integralista Brasileira (FIB) e do Integralismo.

Em primeiro lugar, nem todos os participantes daquela marcha, que reuniu bem mais de cem manifestantes e em sua maioria jovens, alguns dos quais integralistas, pediam uma intervenção das Forças Armadas no sentido de derrubar o atual (des)governo, intervenção esta que, aliás, no presente contexto, muito dificilmente se daria e, dada a profunda crise do referido (des)governo, do PT e dos demais partidos, sobretudo aqueles da chamada “esquerda”, provavelmente não seria sequer necessária. Ademais, diversamente do que a reportagem afirma, aqueles que pediam uma intervenção militar não desejavam a implantação de uma ditadura, mas sim que as Forças Armadas, visando preservar a lei, a ordem e as instituições, fizessem cair por terra um (des)governo que viola a lei e é incapaz de assegurar a ordem e de defender as instituições, devolvendo o poder aos civis assim que possível.
 
Quanto à Frente Integralista Brasileira, caso partamos dos conceitos modernos de “direita” e “esquerda”, surgidos com a chamada Revolução Francesa, não poderemos considerá-la uma organização de “extrema-direita”, assim como não poderemos afirmar que o foram a Ação Integralista Brasileira, a Associação Brasileira de Cultura, o Partido de Representação Popular e todas as demais associações integralistas criadas no País desde a década de 1930. À luz da concepção integral do Universo e do Homem, aliás, não existem, como bem faz ver Plínio Salgado, nem “esquerdas” nem “direitas”, assim como inexistem “centro”, “meias-direitas” ou “meias-esquerdas”, e, por conseguinte, “extremas-direitas” ou “extremas-esquerdas” [1].
 
A afirmação de que “O integralismo é descrito por historiadores como uma versão brasileira do nazismo” também é falsa, já que mesmo os mais radicais militantes marxistas travestidos de historiadores não afirmam isso, dizendo, no máximo, que é o Integralismo uma versão brasileira do fascismo italiano.
 
Em verdade, porém, o Integralismo não é tão somente um movimento essencialmente brasileiro, mas também difere, em pontos centrais de sua Doutrina, do nacional-socialismo alemão e do fascismo italiano. Diversamente deste último, se opõe o Integralismo ao Estado Totalitário de inspiração hegeliana, assim como ao positivismo jurídico, defendendo o Direito Natural Tradicional, ou Clássico, e um Estado Ético a um só tempo anti-individualista e antitotalitário, Estado este transcendido pela Ética e movido por um ideal Ético, não se podendo confundir com o Estado Totalitário que acabamos de mencionar e que é entendido como fonte única e exclusiva do Direito e da Moral, e, como escreve Miguel Reale, “personificação da própria Ética” [2]. E, diferentemente do nacional-socialismo, o Integralismo sempre foi contrário às teses ditas arianistas, aliás bastante em voga no Brasil ao tempo do surgimento da Ação Integralista Brasileira, proclamando, com efeito, o seu documento inaugural, o denominado Manifesto de Outubro, escrito por Plínio Salgado, que os pequenos e grandes burgueses citadinos do Brasil eram, em regra, cosmopolitas que desconheciam “os pensadores, os escritores, os poetas nacionais” e viviam a “engrandecer tudo o que é de fora, desprezando todas as iniciativas nacionais”, se envergonhando “do caboclo e do negro de nossa terra”, desconhecendo “todas as dificuldades e todos os heroísmos, todos os sofrimentos e todas as aspirações, o sonho, a energia, a coragem do povo brasileiro” e vivendo “a cobri-lo de baldões e de ironias, a amesquinhar as raças de que proviemos” [3]. Foi, ademais, Plínio Salgado, que sempre proclamou que “o problema do mundo é ético e não étnico” [4], autor de diversas denúncias contra o endeusamento do Führer, o racismo, as políticas antissemitas e o crescimento desmedido do poder do Estado na Alemanha hitlerista, estando a mais célebre de tais denúncias na Carta de Natal e Fim de Ano, de 1935 [5]. Além disso, fizeram parte da Ação Integralista Brasileira vários milhares de negros e mesmo muitos judeus.
 
Afirma o referido portal que muitos dos manifestantes defendiam a denominada “cura gay” e se posicionavam contra os “direitos civis dos homossexuais”, ao mesmo tempo em que usavam músicas de Cazuza e Renato Russo, “gays assumidos”, para “embalar o protesto”.
 
Ora, a expressão “cura gay” foi usada pelo chamado “Movimento LGBT” e pela imprensa para etiquetar o Projeto de Decreto Legislativo 234/11, por eles injustamente acusado de sustentar que a homossexualidade seria doença e doença passível de cura, quando, em verdade, apenas sustava o parágrafo único do artigo 3º e o artigo 4º da Resolução do Conselho Federal de Psicologia nº 1/99, visando permitir que pessoas que desejassem deixar de sentir atração pelo mesmo sexo e passar a sentir atração pelo sexo oposto se submetessem a tratamentos psicológicos. Aliás, diversos estudos científicos defendem que é possível sim a mudança da chamada orientação sexual por meio de tais terapias, e aqueles que sustentam tal possibilidade não consideram a homossexualidade uma doença, cumprindo destacar que o Dr. Robert Spitzer, principal responsável pela retirada da homossexualidade da lista de doenças da Associação de Psicologia Americana (APA) em 1973, chegou a defender, em trabalho apresentado em 2001, a possibilidade de sucesso de tais terapias, ditas de reorientação sexual.
 
Quanto aos denominados direitos civis, são e devem ser eles os mesmos para todos os cidadãos, independentemente de sua chamada orientação sexual.
 
Por fim, não há incompatibilidade alguma em, por um lado, se opor às práticas sexuais entre pessoas do mesmo sexo, práticas estas sempre fechadas à procriação, à transmissão da vida e, como tais, antinaturais, como já observava Platão, pela voz de O Ateniense, no diálogo As Leis [6], e acreditar que uma pessoa pode, com muito esforço próprio e tratamento psicológico adequado, deixar tais práticas ou até mesmo, em alguns casos, deixar de sentir desejo pelo mesmo sexo, e, por outro lado, tocar músicas de homossexuais assumidos em um protesto, até porque, ao analisar uma afirmação, devemos olhar o que nela foi dito e não quem o disse. Cumpre salientar, contudo, que, justamente pelo que dizem as músicas de Cazuza e Renato Russo ali tocadas, que contêm mensagens anárquicas, nós jamais as tocaríamos em uma manifestação organizada pela Frente Integralista Brasileira.
 
Terminamos esta breve resposta ao portal Último Segundo enfatizando que, diversamente do que afirma o referido portal, a Canção do Exército não contém a frase “Nós somos da pátria guia”, mas sim a frase “Nós somos da Pátria a guarda”, e que o autor da matéria de que ora tratamos, Sr. Ricardo Gualhardo, deveria ou estudar mais o nosso idioma ou a História e a realidade. Isto porque, ao escrever que, “ao contrário do famigerado Comando de Caça aos Comunistas dos anos 60, o novo CCC se intitula Comando de Caça aos Corruptos”, diz ele, pois, que ser comunista é o contrário de ser corrupto, de sorte que ou desconhece a língua pátria, havendo empregado, equivocadamente, a expressão “ao contrário” no sentido de “diferentemente” ou “diversamente”, ou então desconhece o fato de que os países governados por ditaduras comunistas sempre estiveram os mais corruptos do Mundo, do mesmo modo que muitos dos mais notórios corruptos do País, a exemplo de José Dirceu e José Genoíno, são adeptos da ideologia, ou falsa religião, marxista.
 
 
Victor Emanuel Vilela Barbuy,
Presidente Nacional da Frente Integralista Brasileira.
São Paulo, 14 de julho de 2013.
 
 
Notas:
[1] SALGADO, Plínio. “Esquerdas” e “direitas”. In Idem. Palavra Nova dos Tempos Novos. 4ª edição. In Idem. Obras Completas. Vol. 7. 2ª edição. São Paulo: Editora das Américas, 1957, pp. 249-254. Este texto, de 1936, foi transcrito em O pensamento revolucionário de Plínio Salgado, antologia organizada por Augusta Garcia Rocha Dorea (2ª edição ampliada. São Paulo: Editora Voz do Oeste, 1988, pp. 98-101).
[2] REALE, Miguel. O Estado Moderno: liberalismo, fascismo, integralismo. 3ª ed. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1935, p. 177. Como escreve Reale, na mesma página, "só os ignorantes ou os homens de má fé confundem a concepção integralista do Estado com o Estado Hegeliano". Sobre o Estado Ético, ou Estado Integral: SALGADO, Plínio. Estado Totalitário e Estado Integral. In Idem. Madrugada do Espírito. 4ª edição. In Idem. Obras Completas. 2ª edição. Vol. 7. São Paulo: Editora das Américas, 1957, pp. 443-449 (texto publicado originalmente no jornal A Offensiva, do Rio de Janeiro, a 01 de novembro de 1936).
[3] SALGADO, Plínio. Manifesto de Outubro. Disponível em: http://www.integralismo.org.br/?cont=75. Acesso em 15 de abril de 2013.
[4]Idem. Trechos de uma carta. In Panorama, Ano I, Nº 4 e 5, São Paulo, Abril e Maio de 1936, p. 5. Também disponível em: http://pliniosalgado.blogspot.com/2011/02/trechos-de-uma-carta-plinio-salgado-em.html. Acesso em 12 de julho de 2013.
[5] Idem Carta de Natal e Fim de Ano. In Idem Palavra Nova dos Tempos Novos. 4ª edição. In Idem. Obras Completas. Vol. 7. 2ª edição. São Paulo: Editora das Américas, 1957, pp. 289-299. Texto originalmente publicado no jornal jornal A Offensiva, do Rio de Janeiro, em fins do ano de 1935.
[6] PLATÃO. As Leis. Livro I, 636. In Idem, As Leis (incluindo Epinonis), 2ª ed. revista, Tradução, notas e introdução de Edson Bini, Prefácio de Dalmo de Abreu Dallari.,Bauru, SP, Edipro, 2010, p. 82.

14/07/2013, 08:28:41



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