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A Família Sitiada

A família é a base de todas as continuidades, o elo de tudo que perdura, de geração em geração: a palavra, os gestos, as atitudes, as maneiras, os costumes... Por isso, para a instauração de uma nova ordem mundial, a família é o inimigo. O inimigo número 1, na ordem natural.

Donde, destruir a família é a etapa primeira e necessária da “revolução cultural”, que pretende mudar o homem subvertendo-lhe o fundo do Ser e liquidando-lhe a ordem interior. Nesse sentido, a “revolução sexual” desempenha papel decisivo. “Casamentos por grupos”, “comunidades extrafamiliares ou transfamiliares” já estão modelando a “família tribal”, baseada na “socialização do amor”, preconizada até nas páginas da setuagenária revista “Vozes”. Em muitos países, sucedem-se os incentivos legais nessa direção: Divórcio, contracepção, aborto, homossexualidade, pornografia, abolição do pátrio poder, etc.
 
O contubérnio desse pansexualismo com o niilismo contestatório revela que o modelo da “nova sociedade” está sendo montado a partir da ruptura radical com a natureza das coisas.
 
 
O Drama Atual da Família
 
A medida que se aprofunda, de social se torna cultural, o inimigo desloca seus ataques das instituições em escala nacional e da organização do Estado para a condição humana e a família. Mudar o próprio homem é o seu lema e o seu propósito. Pois, como observou Marcel Clêment, se “a revolução política (a Rev. Francesa) subverte essencialmente a ordem jurídica e se a revolução social (o socialismo) desagrega a ordem econômica, a revolução cultural ‘liquida’ a ordem interior , espiritual, a fim de remodelar diretamente a alma humana sem qualquer escapatória” (le Comunisme face à Dieu).
 
Na Alemanha de hoje, uma mãe de família nos pinta a família assediada e a dignidade humana acossada no seu último reduto. Ouçamos a sua voz aflita:
 
“O drama da Igreja vivido com nossas crianças.” (AP. “Itinéraires” Fev 1971): Assim, o mundo exterior a família torna-se cada vez mais pesado e penoso para os nossos filhos. A maiorzinha me conta que na escola sente nostalgia de casa, dos pais. Nessa escola mista – outras não temos aqui e a escolaridade é obrigatória – ensinam-se as crianças “tudo sobre o sexo”. Minha filha conhece mais detalhes da ginecologia do que a mãe. Os leitores estrangeiros com certeza teriam um sincope se eu lhes mostrasse o livro de educação sexual qual a garota é obrigada a estudar. Tem a fotografia dos órgãos genitais, da sífilis, da ereção, etc, e a descrição minuciosa do orgasmo. “– Odeio a tua escola”, digo-lhe, e ela responde: “– Eu também, mãe.” Eu não ousaria publicar numa revista os detalhes da “educação sexual” ministrada as crianças na Alemanha, Balbucio e repito por dentro: “– Assassinos da fé! Criminosos!”– Elizabeth Gerstner
 
Nesse ponto, a Igreja nenhum auxílio nos proporciona, ao contrario, as escolas mantidas por religiosos em regra são as piores. Amigos me previnem: “Nas escolas leigas a educação sexual é ministrada apenas em biologia. Nas religiosas não: fala-se de sexo a todo propósito, na aula de alemão de catecismo, e sob qualquer pretexto”.
 
Uma coisa sei muito bem: tivesse eu sabido tudo o que é obrigada a aprender minha filha de onze anos, e teria tido a curiosidade de experimentar meu corpo “com o qual – diz a lição – a gente pode dar-se tantas vezes um prazer inaudito”. Sim, é o que está no livro: inaudito e indizivelmente voluptuoso. E que ninguém resiste! E que a masturbação é normal nas crianças. E que 99%, dos jovens a praticam... e, assim, os que se abstêm constituem uma “anomalia”. Ignóbeis mentiras, mas sou quase a única a dizer que são mentiras. Nosso país tornou-se uma cloaca. Basta assistir aos nossos programas de televisão em que “não há mais nenhum tabu” ou folhear as nossas revistas ilustradas”.
 
E eis um telegrama de Birmingham (Inglaterra):
 
“As autoridades educacionais suspenderam ontem (por 14 dias) uma professora secundária – Jennifer Muscott, de 23 anos – que apareceu nua, masturbando-se, num filme de educação sexual exibido na sexta-feira em uma escola.
 
O filme denominado Growing Up foi produzido por Martin Cole, professor de genética, para ser apresentado exclusivamente a professores, médicos e adolescentes. Mostra também, em cores, um casal mantendo relações sexuais e detalhes dos órgãos masculinos e feminino”.
 
Não é preciso dizer que a má notícia aqui está menos no próprio caso do que no conjunto de circunstancias que o tornou possível, e menos nas cumplicidades que o permitiram do que no juízo das autoridades educacionais de Birmingham que o tomaram como uma falta leve...
 
A antiga esquerda atacava a estrutura jurídica, a ordem social e a ordem econômica. A nova esquerda agride diretamente a família e a ordem moral. Uma Igreja Santa sendo substitutiva por uma pornográfica.
 
Sim, tome o leitor o número 1 do corrente ano (1971) de “Vozes” revista de cultura editada pelos padres franciscanos. Lá encontrará uma apologia dos tóxicos, ou melhor, da “linguagem sensorial” através das drogas (cf. Allan George F. Armstrong: “A procura de uma linguagem sensorial”). Encontrará também uma apologia dos ideais hippies, ou antes, da contracultura identificada por Renato Machado (“A Expressão Mágica) com o “Tribalismo libertário esmagado durante quatro séculos pela tradição bíblica” e finalmente uma apologia da liberdade sexual, o sexo global (como lemos no artigo de Martha Alencar: “Sexo: corpo (amor) total”, que segundo frei Clarêncio Neotti – redator chefe de “Vozes” – “precisa ser lido todo, e todo sem preconceitos”).
 
Graças ao uso de drogas – afirma Armstrong – chegamos a uma forma de comunicação primária, não diferenciada, e infrarracional, que dispensa o que se denomina “informações”, isto é, a educação, toda a formação da sensibilidade, e todo o domínio da cultura. Atingimos assim uma “compreensão intuitiva de nós mesmos” e do próximo não em termos intelectuais, que nos diferenciam, mas em termos orgânicos, pelos quais somos “iguais, os mesmos”. Graças a um aumento do senso de participação explica o autor, “você consegue também um aumento da indenidade (sic) com toda a espécie humana”. “Assim se explica (prossegue) porque um jovem se surpreende transformado depois de uma experiência com drogas.
 
Trata-se, como se vê, de uma transformação religiosa. A droga é uma via mística através da qual chegamos a plena identidade ou fusão com a Alma Mundi. “Através de um mergulho para dentro de nós mesmos, podemos então conhecer todos os homens, toda a humanidade...”
 
Segundo Renato Machado ( “A expressão mágica”) o moderno retorno as origens tribais “deita raízes na busca de um novo sentido da vida”. Desde a “terapia dos sensitivity groups” (comunicação não verbal, linguagem sensorial) até as comunidades hippies, sustenta o autor, “uma sociedade inteira tomou de empréstimo os valores tribais”. Quanto aos meios de realizar a contracultura, “O Instinto de catarse por evasão – explica o autor – está presente em todas as formas de comportamento da contracultura”. “De Height Asbury a Katmandu, a rota dos hippies é a nova cruzada. O L.S.D. é a mandrágora da nova tribo, a comuna, o novo feudo, a astrologia, o ocultismo da era do rock” (ibid). Mas “a expressão ética mais significativa da contracultura foi o impulso da revolução sexual”.
 
Sobre o sentido dessa “revolução” estende-se Martha Alencar no artigo acima mencionado. A autora reclama “novas instituições e padrões de comportamento que protejam a relação sexual mais autentica e gratuita, menos exclusiva (mas não promíscua) e mais desligada das finalidades de procriação (...)” Evidentemente, os quadros atuais da família são inadequados a realizar tal concepção da sexualidade. “A procura (em que estão empenhados os jovens pequenos burgueses das grandes cidades) de novos padrões de comportamentos tradicionais de socialização: a família voltada para a acumulação privada do capital e para a valorização da competição”.
 
Trata-se, portanto, de romper os limites estreitos da família tradicional, família “capsular, cuja extinção se impõe, a fim de instaurar-se “uma nova família no sentido tribal, como diz Mc Luhan. Ao contrário da antiga, estática e apropriativa, essa nova família será aberta, instável e expansiva (ou dinâmica). “Pode ser que a família do futuro encontre sua estabilidade na mudança constante”, escreve, com notável senso da “dialética”, o mesmo Mc Luhan.
 
De qualquer sorte, segundo a autora, os jovens estão em revolta contra a família tradicional. “A vida em pequenas comunidades extrafamiliares, ou transfamiliares, entrará na ordem do dia” assegura Martha Alencar. E, noutro passo: “Os chamados desvios sexuais continuarão a generalizar-se, mas nos países mais desenvolvidos começarão a perder o sentido de desvios e a ser absorvidos pela nova mística humanista e universalista da vida sexual”.
 
Procuremos figurar “sem preconceitos”, como nos pede frei Clarêncio Neotti, as mudanças auguradas pela articulista de “Vozes”. A crer no que nos informa a imprensa nos Estados Unidos, já se encontram em fase de experiência os chamados “casamentos por grupos”. As vezes, um certo número de casais “socializam” a sua vida amorosa (trazia-nos recente número do “Time” a noticia de um livro agora publicado a respeito dessas experiências de “mística humanista” delicadamente denominadas swinging).
 
Outras vezes, um certo número de rapazes e de moças adotam a mesma forma peculiar e promíscua de reprimir o instinto apropriativo. Disso nos informa, por exemplo, uma noticia de Taos, New Mexico, transcrita no “New Yorker” (17 de outubro de 1970):
 
Uma dessas comunidades que a si mesmo se chama “família” constitui-se há cerca de quatro anos em Venice, Calif. E depois de fundear temporariamente em Berkeley e em Mesa, Arizona, instalou-se aqui. O grupo em geral compreende 24 rapazes e 18 moças, todos contando vinte poucos anos, além de 10 crianças, a mais moça das quais conta apenas algumas semanas de vida. Vivem juntos numa casa antiga perto do centro de Taos, e se consideram todos casados uns com os outros.
 
Neste ponto, os hippies foram verdadeiros precursores. “Em alguns acampamentos hippies – escreve Martha Alencar – vários jovens vivem experiências que se aproximam do pansexualismo. E a crer num deles, Lous Rapport, que concedeu uma entrevista a revista “Planete”, afirma que eles trocam de parceiros, abertamente e em conjunto, sem culpabilidade, porque o problema já foi resolvido. Chegaremos a completa liberdade sexual. As crianças pertencem a comunidade, como nas tribos antigas.
 
Aqui se revela sem disfarce o traço mais profundo da revolução cultural: a regressão transfigurada pelo pensamento cíclico em meta histórica, ideal.
 
 
Mas porque revolução cultural?
 
A cultura é o modo de duração pelo qual o homem – agente da História – se perpetua através dos vários instrumentos coletivos da sua sobrevivência no tempo. Entre estes, a família é a base de todas as continuidades e o elo de tudo o que perdura e se transmite de geração em geração. De onde, para mudar radicalmente o homem através de seus condicionamentos coletivos, é preciso antes abolir a família.
 
A família é o primeiro e o mais fundamental receptáculo do patrimônio que uma geração entrega à seguinte, e o primeiro e principal transmissor dessas continuidades que foram e definem o homem, em primeiríssimo lugar, a palavra; e por palavras entendemos aqui não só a linguagem falada – a língua de cada comunidade – mas também a linguagem de gestos e atitudes, sejam sociais, como as maneiras, os costumes e regras de convivência, sejam transcendentais, como os gestos de adoração e do culto. A família é a guardiã da palavra e, por seus turnos, para constituir-se, impõem que o homem saiba guardar a palavra. A família é o elo de base natural, de finalidade racional e de espírito sobrenatural que liga o futuro ao passado e o homem por um lado a terra e por outro lado ao céu. Daqui, o ódio que os clérigos da anti-Igreja votam preferencialmente como inimiga a instituição familiar.
 
 
Alfredo Lage
Texto extraído e adaptado da revista “Hora Presente” (Ed. Dezembro de 1971. Ano III. N. 11. Pg. 138)

02/05/2013, 14:13:26



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