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Lula e Maluf: As Contradições da Política Materialista

A concepção espiritualista do Universo, adotada pela Doutrina Integralista, defende que o Ser Humano tem uma finalidade transcendental. A vida humana existe, ao mesmo tempo, com objetivos materiais imediatos e com finalidades sobrenaturais transcendentes, que estão além do mundo material e que devem influenciar a conduta dos homens enquanto andam sobre a Terra. O homem está na terra para buscar seu auto-aperfeiçoamento, o que lhe propiciará uma existência melhor após sua passagem neste plano material.

Por outro lado, a consideração materialista do Universo resulta, em última análise, na falta de sentido para a existência do Ser Humano. Quando se considera o Ser Humano simplesmente como uma máquina biológica, um amontoado de átomos e moléculas, o sentido da existência torna-se, darwinisticamente, o da disputa pela sobrevivência.

Da mesma maneira que essa dicotomia se manifesta na questão da finalidade da vida humana, se manifesta também nas finalidades das atividades humanas, como a política. A atividade política está intimamente ligada com a concepção de Universo adotada por uma sociedade. Como escreve Plínio Salgado na primeira página do livro Quarta Humanidade:

“A concepção do Estado e da Sociedade está ligada à concepção do próprio Universo (...). É do sentido das finalidades humanas que procede o pensamento da organização social. É do pensamento da organização social que decorre a orientação política, com influência, por sua vez, da Sociedade e no Estado.”[1]

A política, inserida na concepção espiritualista do universo, torna-se ferramenta para que os Seres Humanos possam trabalhar para melhor atingir suas finalidades sobrenaturais. Nesse contexto, os objetivos políticos imediatos devem vincular-se necessariamente ao objetivo maior da vida humana, que se encontra fora dela. As atitudes humanas então, inclusive no campo político, devem possuir uma vinculação coerente com a ética, o que propicia o auto-aperfeiçoamento.

No entanto, no contexto materialista da história, onde a vida humana perde sua finalidade transcendental, a política perde também sua finalidade superior, passando a ser simplesmente a “arte de manter-se no poder”, uma disputa darwiniana pela sobrevivência política. Assim, de mera ferramenta, a atividade política passa a ser fim em si mesmo e os objetivos imediatos da política são apenas aqueles relacionados com a própria atividade política. A manutenção do poder figura como principal meta da atividade política no contexto materialista. É interessante ler outra passagem do livro Quarta Humanidade para observar o que escreveu Plínio Salgado sobre a ausência de finalidade:

“A atitude antifinalista das filosofias burguesas criou o grande sentido de abstenção, de comodismo fatalista e de conformismo estóico. Impossibilitada de viver sem a contribuição do espírito, que é uma das três manifestações essenciais do homem, essa civilização criou, como impulsionadores da marcha política, pobres fetiches e deuses débeis, que deveriam coonestar vagos princípios de moralidade, de harmonia social. A religião da Humanidade de Comte ou a filantropia do pragmatismo americano não passam de superstições destinadas a substituir o elemento espiritual abandonado”. [2]

Infelizmente a realidade que nos cerca atesta de forma melancólica essa dicotomia. Nossa civilização materialista é de forma cada vez mais explícita a realização dos princípios materialistas levados às últimas consequências em todos os campos, principalmente no campo político.

O modelo idealizado de partido político é aquele que reúne um grupo de pessoas de pensamento semelhante, com um projeto para a construção da Nação e com princípios e diretrizes definidas para atingir um objetivo de bem social. Na época da criação dos sistemas partidários acreditava-se que os partidos poderiam conduzir os cidadãos ao poder. Desta forma, seria natural que existissem diferentes partidos, sob óticas ideológicas diferentes e que se colocassem em oposição, travando um debate sadio para o progresso do pensamento político de uma nação.

Infelizmente, a concepção materialista do Universo, que esvazia de sentido a vida humana e transforma a atividade política na habilidade de manter-se no poder, faz com que esse modelo idealizado de organização partidária perca também seu valor. Os partidos e as ideologias, dentro da concepção materialista, são meros instrumentos para que se atinja um objetivo único, que é o poder.

No Brasil, isso vem sendo demonstrado de forma cada vez mais explícita e ultrajante. Foi veiculado recentemente na grande mídia a noticia da aliança entre o (auto-intitulado) Partido dos Trabalhadores (PT), do ex-presidente Luiz Inácio “Lula” da Silva e o Partido Progressista (PP), do ex-governador de São Paulo e ex-prefeito da capital paulista, Paulo Maluf. E para provocar ainda mais a perplexidade de todos, os dois personagens aparecem juntos em uma foto, ao lado do pré-candidato petista à prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, em aparente harmonia. [3]

Aos que adotam uma concepção espiritualista e coerente do mundo e da política, a contradição desta aliança é evidente. Enquanto Maluf era filiado à ARENA, nos tempos do regime civil-militar de exceção, Lula era um sindicalista de extrema esquerda, fundador do PT e opositor do regime então vigente. Após a chamada redemocratização, o aparente antagonismo político entre os dois personagens da política brasileira continuou, sendo demonstrado em diversas disputas e debates eleitorais de forma firme e contundente.

Porém, as ideologias materialistas não têm esta coerência lógica que faria sentido para a maioria das pessoas. O fictício antagonismo político-ideológico entre o Sr. Maluf e o Sr. Lula serviu por muito tempo, mas, agora não lhes serve mais. Serviu até o preciso momento em que a aliança tornou-se mais vantajosa para a obtenção e manutenção do poder.

Eles mesmos admitem, de maneira absurdamente cínica esse fato. Para o presidente nacional do PT, Rui Falcão, não há constrangimento no apoio de Maluf: – "Há 12 anos éramos rivais e hoje somos aliados". Falcão disse ainda que "o Brasil mudou, mudou o eleitorado e mudaram os partidos que resolveram apoiar nosso projeto nacional, como é o caso do PP." [4]

É notório e escancarado que justamente pelo fato de o objetivo principal da política materialista ser a tomada e a manutenção do poder, que as mudanças no Brasil fazem com que alianças ideologicamente antagônicas sejam fechadas. É o materialismo político coroado e elevado como modus operandi.

As contradições da política materialista não se resumem aos seus personagens midiáticos. Até mesmo nos bastidores a promiscuidade ideológica decorrente dos princípios materialistas é vista com naturalidade. Um exemplo disso é o professor de sociologia da Universidade de São Paulo, Sr. Ricardo Musse, o qual ministra aulas de sociologia marxista e participa da elaboração do programa de governo do candidato petista Fernando Haddad. Ele disse a um jornal de grande circulação em São Paulo que “o tempo de TV do PP é relevante e que não tem importância a foto com o aperto de mão entre Maluf e o ex-presidente Lula, ao lado do pré-candidato do PT.” Nada mais coerente sob a ótica materialista: se o poder é o objetivo final, o tempo na TV é mais importante do que a ideologia e a história política dos partidos e dos personagens. [5]

Nós, espiritualistas, Integralistas, temos a plena consciência de que estas contradições aparentes da política brasileira são apenas o resultado inevitável e lógico da adoção da concepção materialista do Universo, da vida humana e da atividade política. Quando não existe um fim superior para a vida humana, nenhuma atividade humana possui também finalidades superiores. A política torna-se apenas uma rede de tramas e conchavos visando, como já foi dito, a obtenção e a manutenção do poder. Esses fatos apenas nos renovam a tranquilidade de estarmos lutando nas trincheiras certas, por objetivos nobres, pela política ética fundada em princípios doutrinários inegociáveis. Por fim, nunca é demais transcrever o capitulo VI do clássico Manifesto Integralista de 1932, que já nos direcionava ao caminho da ética:

“Declaramo-nos inimigos de todas as conspirações, de todas as tramas, conjurações, conchavos de bastidores, confabulações secretas, sedições. A nossa campanha é cultural, moral. educacional, social, às claras, em campo raso, de peito aberto, de cabeça erguida. Quem se bate por princípios não precisa combinar cousa alguma nas trevas. Quem marcha em nome das idéias nítidas, definidas, não precisa de máscaras. A nossa Pátria está miseravelmente lacerada de conspiratas. Políticos e governos tratam de interesses imediatos, por isso é que conspiram. Nós pregamos a lealdade, a franqueza, a opinião a descoberto, a luta no campo das idéias. As confabulações dos políticos estão desfibrando o caráter do povo brasileiro. Civis e militares giram em torno de pessoas, por falta de nitidez de programas. Todos os seus programas são os mesmos e esses homens estão separados por motivos de interesses pessoais e de grupos. Por isso, uns tramam contra os outros. E, enquanto isso, o comunismo trama contra todos. Nós pregamos a franqueza e a coragem mental. Somos pelo Brasil Unido, pela Família, pela Propriedade, pela organização e representação legítima das classes; pela moral religiosa; pela participação direta dos intelectuais no governo da República; pela abolição dos Estados dentro do Estado; por uma política benéfica do Brasil na América do Sul; por uma campanha nacionalista contra a influencia dos países Imperialistas, e, sem tréguas, contra o comunismo russo. Nós somos a Revolução em marcha. Mas a revolução com idéias. Por isso, franca, leal e corajosa.”[6]

 

Leonardo Henrique Simões Matos
Formado em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública (APMBB), Pós-Graduado em Ciências Juridicas (UNICSUL) e cursando a Graduação em Ciências Sociais (USP).


Notas:
[1] SALGADO, Plínio. Quarta Humanidade. 2ª ed. In Obras Completas. 2ª ed., vol. V. São Paulo: Editora das Américas, 1957, p. 17. 
[2] SALGADO, Plínio. Quarta Humanidade. 2ª ed. In Obras Completas. 2ª ed., vol. V. São Paulo: Editora das Américas, 1957, p. 98. 
[3] veja.abril.com.br/noticia/brasil/pp-sela-apoio-a-haddad-em-sp - acessado em 20/06/2012. 
[4] www.redebrasilatual.com.br/temas/politica/erundina-reage-mal-a-alianca-de-haddad-com-maluf-e-quer-desistir-de-ser-vice - acessado em 20/06.2012. 
[5] www1.folha.uol.com.br/poder/1107563-intelectuais-ligados-a-pt-se-calam-sobre-alianca-com-maluf.shtml - acessado em 20/06/2012
[6] Ação Integralista Brasileira. Manifesto de Outubro de 1932. Cap. VI. 


20/06/2012, 21:00:31



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